Posse de Lula é marcada por tensão e discurso duro

Dentro do Palácio do Planalto, duras críticas a Sérgio Moro, gritos em apoio ao governo, interrompidos por "vergonha". Do lado de fora, manifestações contra e favor a Dilma Rousseff e ao ex-presidente

Em cerimônia tumultuada, a presidente Dilma empossou o ex-presidente Lula como ministro da Casa Civil na manhã desta quinta-feira (17). O ato foi interrompido por gritos de “Não vai ter golpe” e “Olé, olé, olá, Lula, Lula”. Mas também pelo protesto do deputado Major Olímpio (SD-SP), que gritou “Vergonha” assim que o ex-presidente assinou sua posse. Em seu discurso, Dilma chamou Lula de "presidente" e fez duras críticas à condução da Operação Lava Jato pelo juiz Sérgio Moro, sobretudo, devido à gravação da conversa entre ela e seu antecessor divulgada ontem à tarde.

Em seu discurso durante a cerimônia de posse, Dilma fez diversas críticas à divulgação das gravações realizadas com autorização da Justiça do ex-presidente e agora ministro Lula. Nos grampos, foram registradas conversas com a própria Dilma, com o prefeito do Rio de Janeiro, Eduardo Paes, com o agora ministro-chefe do Gabinete Pessoal, Jaques Wagner, entre outras pessoas.

“Não há justiça quando delações são tornadas públicas de forma seletiva, para execração de alguns investigados”, disse Dilma. Para a presidente, é preciso saber quem autorizou e porque as gravações foram divulgadas. Na visão dela, não há nada [no telefonema de Lula] “que possa levantar qualquer suspeita sobre seu caráter republicano”. “Interpretação desvirtuada, processos equivocados, investigações baseadas em grampos ilegais não favorecem democracia neste país”, disparou.

No discurso, assim como na nota emitida na noite de ontem, Dilma reforçou que tomará medidas legais contra a decisão de Moro. “Não me fará recuar diante da exigência da mais absoluta apuração dos fatos acontecidos ontem”, disse. Ela reclamou do que classificou como “convulsionar a sociedade brasileira em cima de inverdades”. “Se ferem as prerrogativas da presidente da República, o que farão com as prerrogativas dos cidadãos?", questionou Dilma.

Protestos

Dentro do Planalto, gritos não faltaram. Lula e Dilma foram aplaudidos em diversos momentos. Na hora da assinatura do termo de posse, os presentes gritaram “Não vai ter golpe”, “Lula guerreiro do povo brasileiro” e de “Dilma Guerreira, mulher brasileira” e “Olé, olé, olá, Lula, Lula”.

Mas também houve gritos de um oposicionista. O deputado Major Olímpio (SD-SP), que recentemente deixou o PDT para entrar no SD, gritou “vergonha” durante a posse e acabou retirado do local por seguranças. Ele disse que foi agredido verbalmente após seu manifesto e que compareceu à posse como deputado federal e que tem o direito de mostrar sua insatisfação.

No lado de fora, manifestantes a favor e contra do governo tiveram que ser separados pela Polícia Militar do Distrito Federal. Houve o uso de spray de pimenta e de bombas de efeito moral.

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