População também ignora educação, diz Cristovam

Fábio Góis

 

O senador Cristovam Buarque (PDT-DF), que elegeu o tema da educação em sua trajetória política, falou ao Congresso em Foco sobre sua dupla vitória no “filtro” feito pelos jornalistas (o pedetista venceu entre os senadores também na categoria principal). Ex-governador do Distrito Federal e ex-ministro da Educação no primeiro mandato do governo Lula, Cristovam festejou em tom de desabafo as indicações ao Prêmio. 

 

“Fico muito feliz, ao mesmo tempo em que tomo isso como o reconhecimento de um trabalho de anos e intensa dedicação ao assunto, ao ponto de ser chamado de ‘político de uma nota só’ e ‘político de assunto chato’. Mas não vou negar que me alegro com o resultado”, alfinetou o senador, para quem o assunto não está devidamente valorizado no Congresso, uma vez que também não é priorizado pela sociedade brasileira.

 

“O Congresso reflete a sociedade, e a população coloca a educação muito longe de suas prioridades, não quer falar disso. Não é uma preocupação. A educação está fora da agenda do Congresso e fora da agenda do eleitor”, lamentou Cristovam, dizendo que há dois pesos e duas medidas para pobres e ricos em relação ao tema.

 

“Os ricos querem que seus filhos estudem não pela educação, mas pela profissão que vão ter. Por exemplo, acham que filósofo é muito bem educado, mas não tem bom salário. Já os pobres acham que educação é coisa de rico. A população pobre tem urgências muito fortes que a afastam da educação”, finalizou.

 

Unidade

 

Já a deputada Maria do Rosário (PT-RS) acha que o tema educação promoveu uma espécie de “unidade” no Parlamento. Candidata à prefeitura de Porto Alegre nas eleições de outubro, a petista declarou ao Congresso em Foco estar “honrada” com a indicação dos jornalistas, e afirmou que tem sido “uma parlamentar da Comissão de Educação”.

 

“Existe um aspecto muito positivo no Congresso Nacional que é o caráter de unidade que a educação tem conseguido mover”, acredita Rosário, para quem discussões importantes e “grandes mudanças na legislação” têm sido promovidas no setor a partir do Parlamento.

 

Professora do ensino básico, a deputada citou como avanços para a educação no Congresso a definição do piso salarial para professores, o Fundeb (Fundo de Manutenção e Desenvolvimento da Educação Básica), o ProUni (Programa Universidade para Todos) e a ampliação das escolas técnicas. “Esses temas conseguiram ter apoio de diferentes frentes partidárias”, comemora Rosário.

 

Carência de qualidade

 

Um dos idealizadores da Frente Parlamentar Mista de Informática, o deputado Júlio Semeghini (PSDB-SP) atribuiu a indicação de seu nome pelos jornalistas à “dedicação” ao tema da inclusão digital e à “formação técnica” em áreas correlatas, como telecomunicações e informática.

 

Engenheiro eletrônico por formação, Semeghini disse à reportagem que o país avançou em alguns aspectos, mas ainda precisa melhorar em termos de “qualidade” educacional. “Os processos de avaliação, a inclusão de técnicas no mundo pedagógico. O Brasil tem avançado no processo de inclusão, mas falta avançarmos na qualidade do ensino, na fase final da inclusão”, argumentou, lembrando a importância das escolas técnicas na qualificação profissional.

 

O deputado disse concordar com Cristovam quanto à falta de prioridade que o dístico educação/inclusão digital tem no Congresso. Contudo, o deputado reforça as palavras da colega Maria do Rosário sobre a “unidade” que o tema propicia no Parlamento.

 

“A grande vantagem é que o assunto é o único em que os partidos não têm divergências. Não há embate partidário”, explicou Semeghini, lembrando que mesmo em momentos delicados os projetos para o setor sempre são levados a votação. “Durante todas as crises, a gente sempre tem conseguido votar projetos sobre educação e inovação tecnológica. A sociedade tem se aproximado muito do Congresso em relação a esses temas por causa dessa unidade.”

 

O Congresso em Foco tentou, sem sucesso, ouvir os deputados Walter Pinheiro (PT-BA), Gastão Vieira (PMDB-MA) e Luíza Erundina (PSB-SP) e o senador Flávio Arns (PT-PR), também apontados pelos jornalistas como os que mais se destacam na defesa da educação e da inclusão digital. Por causa de outros compromissos, eles não retornaram os contatos feitos pela reportagem.

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