FBI prende Marín e outros seis dirigentes da Fifa

Ex-presidente da CBF e cartolas estrangeiros são acusados de participar de esquema que movimentou US$ 100 milhões em 20 anos. Detidos na Suíça, eles devem ser levados para os Estados Unidos

O ex-presidente da Confederação Brasileira de Futebol (CBF) José Maria Marín e outros seis dirigentes da Fifa foram detidos nesta quarta-feira (27) pela polícia da Suíça em uma operação realizada a pedido de autoridades dos Estados Unidos. Eles são acusados de participar de um esquema de corrupção que movimentou mais de US$ 100 milhões na Fifa nos últimos 20 anos. A denúncia envolve os crimes de fraude, extorsão e lavagem de dinheiro em negócios relacionados a acordo de transmissão televisiva e marketing e a campeonatos na América Latina.

Os dirigentes esportivos devem ser extraditados para os Estados Unidos, onde são investigados por autoridades de Nova York. José Maria Marín presidiu a CBF de 2012 a abril deste ano, quando passou o cargo ao seu aliado Marco Polo Del Nero. Ele chegou à presidência da entidade após a queda de Ricardo Teixeira, que renunciou ao posto em meio a uma série de denúncias.

Além de Marín, foram presos os cartolas Jeffrey Webb, Eduardo Li, Julio Rocha, Costas Takkas, Eugenio Figueredo e Rafael Esquivel. O grupo estava em Zurique para participar do congresso da Fifa e da eleição da entidade, marcada para esta sexta-feira (29). As contas mantidas pelos acusados na Suíça para receber propina foram bloqueadas pelas autoridades do país, informa a Folha de S. Paulo.

Polêmicas na política

Nos últimos anos da ditadura militar, José Maria Marín foi vice-governador de São Paulo entre 1979 e 1982, quando assumiu o comando do estado por um ano, após Paulo Maluf, o titular, se afastar do cargo.

Controvertido, o ex-político da Arena é acusado por Ivo Herzog, filho do jornalista Vladimir Herzog, de ter incitado órgão de repressão contra seu pai, em meados dos anos 1970.

Diretor de Jornalismo da TV Cultura, Herzog foi torturado até a morte nas dependências do DOI-CODI em São Paulo, em 1975, 16 dias após Marín, então deputado estadual, ter feito discurso contra a “infiltração comunista” na emissora.

Marín nega ter delatado Herzog e diz que, como deputado estadual da Arena, partido de sustentação da ditadura, tinha pouca influência política. “É sabido por todos que atuavam naqueles tempos que os deputados não tinham o menor poder sobre os órgãos de estado”, escreveu ele, em artigo publicado hoje no jornal Folha de S.Paulo.

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