Polícia Federal abastece CPI do Cachoeira com vídeos

Filmetes, áudios, reprodução de imagens e outros registros estarão prontos para consulta já na próxima segunda-feira

Agentes da Polícia Federa levaram há pouco à sala-cofre da CPI do Cachoeira um conjunto de mídias (vídeos, áudios e reprodução de imagens) apreendidos durante a Operação Monte Carlo, que desvendou um esquema criminoso que inclui tráfico de influência, lavagem de dinheiro, corrupção de agentes públicos e até sequestro. O material audiovisual estava em poder de membros da quadrilha do contraventor Carlos Cachoeira, principalmente em Goiás, e podem revelar a participação de outros investigados, bem como reforçar as evidências de envolvimento daqueles flagrados em interceptações telefônicas autorizadas pela Justiça.

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O conjunto de registros foi reunido pela PF depois da expedição de 27 mandatos de busca e apreensão em casas e escritórios dos investigados na Monte Carlo. As diligências foram executadas em 29 de fevereiro. Segundo informações da PF e de assessores da CPI, o material reúne 270 CDs, um DVD e nove blue-rays (mídia de vídeo com alta definição) – no Senado, a documentação já recebeu o apelido de “Videoteca do Cachoeira”. O conteúdo foi colocado à disposição ao mesmo tempo para todos os parlamentares membros da CPI, nos terminais de computador da sala-cofre. As consultas, secretas, individuais e sob procedimento pré-estabelecido, devem ter início já na próxima segunda-feira (27).

No ofício que acompanha o material encaminhado à CPI, a PF explica que foram feitos relatórios de análise do conteúdo encontrado, bem como laudos periciais em cada uma das mídias apreendidas. Todo o material está digitalizado, o que facilita e acelera seu manejo e o livre compartilhamento entre os membros da comissão.

Dois terabites

Para que o material seja transposto de forma funcional para os membros da CPI, o serviço de tecnologia do Senado, Prodasen, terá de trocar os HDs de cada um dos 12 computadores de consulta para acomodar o vasto material audiovisual. Ao todo, serão 12 novos HDs de 2 terabites que darão suporte ao material a ser posto à disposição na rede interna de informações da CPI.

Depois de instalada estrutura extra, o Prodasen vai manejar o material para que os parlamentares o acessem de forma facilitada. Em seguida, assessores da CPI farão, já na próxima segunda-feira (27), um detalhamento técnico que incluirá um descritivo unitário do conteúdo dos arquivos.

Semana decisiva

Os próximos passos da CPI do Cachoeira, em funcionamento desde 25 de abril, são considerados pelos parlamentares cruciais para o rumo dos trabalhos de investigação. Na próxima terça-feira (28), o ex-diretor-geral do Departamento Nacional de Infraestrutura de Transporte (Dnit) Luiz Antônio Pagot prestará depoimento ao colegiado. Considerado um “arquivo vivo” de informações relacionadas às contratações do órgão com empresa Delta Construções, epicentro das movimentações financeiras do esquema Cachoeira, Pagot já havia se oferecido para depor à comissão. No mesmo dia será ouvido o empresário Adir Assad, apontado como operador da Delta nos procedimentos de lavagem de dinheiro.

No dia seguinte (quarta, 29), será a vez de um dos mais aguardados depoimentos ao colegiado – o empresário Fernando Cavendish, ex-proprietário da Delta e apontado como um dos principais beneficiários do esquema criminoso de Cachoeira. Para falar nesse dia também foi convocado o ex-diretor da Dersa Paulo Vieira de Souza, conhecido como Paulo Preto, que teria sido cooptado como braço da quadrilha na empresa responsável pelo desenvolvimento Rodoviário em São Paulo.

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