PMDB veta Cardozo como substituto de Joaquim Barbosa no STF

Incomodados com a ação da PF, lideranças peemedebistas articulam rejeição de sua eventual indicação ao Supremo, destaca a Folha de S. Paulo

Caciques do PMDB sinalizaram à presidenta Dilma Rousseff que, se ela indicar o ministro da Justiça, José Eduardo Cardozo, para a vaga do ministro Joaquim Barbosa no Supremo Tribunal Federal (STF), a indicação será barrada pelo partido no Senado, que tem a prerrogativa constitucional de analisá-la. Maior bancada da Casa, o PMDB tem entre seus próceres alguns dos alvos de ações da Polícia Federal, subordinada à pasta chefiada por Cardozo durante a campanhas eleitorais de 2014.

Segundo reportagem do jornal Folha de S.Paulo, alguns líderes do PMDB já articulam a rejeição a Cardozo, um dos principais cotados para o posto no STF, na sabatina a ser feita pelo Senado – todos “incomodados”, diz o jornal, com ações da PF contra líderes do partido durante as eleições: os senadores José Sarney (PMDB-AP), ex-presidente da Casa, Eunício Oliveira (CE) e Lobão Filho (MA), esses dois últimos derrotados na disputa para governador, respectivamente, de Ceará e Maranhão. Além deles, o ministro de Minas e Energia, Edison Lobão, pai do senador maranhense, também trabalha contra a indicação de Cardozo.

“A irritação dos líderes peemedebistas teve início em setembro, quando reclamaram do tratamento dado pela campanha de Dilma ao partido nos Estados. Eunício concorreu ao governo do Ceará e Lobão Filho, ao do Maranhão. Os dois foram derrotados. Os peemedebistas também culparam o Planalto pelos vazamentos de detalhes das investigações da Operação Lava Jato que colocaram integrantes da cúpula do partido entre os suspeitos de receber propina de empresas que fizeram negócios com a Petrobras”, diz trecho da reportagem.

O jornal lembra que o ex-diretor de Abastecimento da Petrobras Paulo Roberto Costa, um dos delatores do esquema bilionário de corrupção instalado na estatal, apontou Edison Lobão e os presidentes do Senado, Renan Calheiros (PMDB-AL), e da Câmara, Henrique Alves (PMDB-RN), como beneficiários das propinas para uso em campanhas eleitorais, por meio de verba desviada de contratos. A matéria recorda que a esposa de Eunício Oliveira foi revistada pela PF durante a campanha, em um aeroporto de Fortaleza, e que Lobão Filho também foi abordado em um aeroporto de Imperatriz (MA).

“O secretário nacional de Justiça, Paulo Abrão, subordinado de Cardozo, chegou a gravar um depoimento para a campanha de Flávio Dino (PCdoB), que derrotou Lobão Filho nas eleições. Como o PT apoiava Lobão Filho, o secretário vetou o uso das imagens”, acrescenta a reportagem, lembrando que seria inédita uma eventual rejeição, por parte do Senado, de uma indicação presidencial ao STF.

A vaga no STF foi aberta com o anúncio da aposentadoria do ministro Joaquim Barbosa, em julho. A presidenta Dilma Rousseff não tem prazo para promover a substituição, mas deve fazê-lo até o fim do ano. Além de Cardozo, estão no páreo o procurador geral da República, Rodrigo Janot; o ministro do Superior Tribunal de Justiça Benedito Gonçalves; o subprocurador da República Eugênio Aragão; o professor da Universidade de São Paulo Heleno Torres; o professor da Universidade Federal do Paraná Luiz Fachin; e o presidente da Ordem dos Advogados do Brasil, Marcus Vinícius Furtado.

Leia aqui a íntegra da reportagem

 

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