PMDB reforça apoio a candidatura de Eduardo Cunha

Intenção do partido é diminuir a pressão do Palácio do Planalto para eleger Arlindo Chinaglia como presidente da Câmara. Vazamento de informações da Operação Lava Jato e indicações a ministérios incomodam o partido

A Executiva Nacional do PMDB se reuniu hoje (14), em Brasília, para oficializar o apoio do partido ao deputado Eduardo Cunha (RJ), candidato à presidência da Câmara dos Deputados. O deputado já está em campanha e enfrenta como principal adversário o candidato do PT, deputado Arlindo Chinaglia (SP).

O partido ainda não anunciou o candidato oficial à presidência do Senado. A direção partidária aguarda a indicação da bancada na Casa. “Acabamos de fazer uma reunião da Executiva Nacional. Por unanimidade, decidimos apoiar o nome indicado pela bancada da Câmara dos Deputados. O mesmo será feito no Senado, quando a bancada indicar o presidente da Casa”, anunciou Michel Temer, presidente de honra do PMDB e vice-presidente da República.

A declaração de Temer antecipou o conteúdo de uma nota oficial do partido anunciando a decisão de apoiar os candidatos escolhidos pelas bancadas na Câmara e no Senado. Ao entrar na disputa, os peemedebistas buscam neutralizar a pressão do Palácio do Planalto em cima da base aliada. A intenção é fortalecer a candidatura do deputado Arlindo Chinaglia (PT-SP) ao principal cargo da Mesa Diretora.

Dois fatos incomodam os peemedebistas. O primeiro foi a indicação de George Hilton (PRB) para o Ministério do Esporte, de Cid Gomes (Pros) para a Educação e Gilberto Kassab (PSD) para Cidades. Na visão de integrantes do partido, Cid e Kassab estão agindo para neutralizar a campanha de Eduardo Cunha pressionando deputados a embarcar na candidatura petista.

Outro fato foi o vazamento de informações da Operação Lava Jato que ligariam Cunha ao doleiro Alberto Youssef. Na semana passada, O Estado de S. Paulo e a Folha de S. Paulo publicaram reportagens informando que o deputado do Rio teria se beneficiado com dinheiro desviado da Petrobras. A informação foi negada pelo advogado do doleiro, Antônio Figueiredo Basto.

"O PMDB é um partido aliado do governo. Evidentemente que o partido espera, aguarda e tem certeza que o governo não se envolverá [na disputa pela Câmara], ao contrário de boato aqui e acolá", afirmou o ex-deputado Geddel Vieira Lima (BA), integrante da executiva nacional do PMDB.

Investigação

O presidente do PMDB evitou comentar a possibilidade de posterior inclusão dos candidatos do partido em denúncias da Operação Lava Jato, que tem envolvido diversos agentes públicos em escândalos de corrupção. “Isto será fruto da disputa. Se houver qualquer problema, cada um se explicará como vem se explicando, como deve se explicar. Não discutimos hipóteses. Nem chegamos a discutir hipóteses”, salientou Temer.

Sobre a disputa entre candidatos do PMDB e PT na Câmara – aliados no governo federal e que têm o vice e a presidenta da República, respectivamente –, o ex-ministro Gedel Vieira Lima, que faz parte da Executiva do PMDB, disse esperar que o governo se mantenha neutro.

“O PT tem legitimidade e direito de postular a presidência da Câmara. O que não pode, e certamente não fará, é cobrar de um governo de coalizão que prefira ou apoie este ou aquele. Acho que quem quer novos momentos na política brasileira tem de entender que é uma decisão do Congresso Nacional. A Constituição estabelece poderes independentes, autônomos, mas harmônicos”, ressaltou Gedel.

Os novos deputados e senadores tomarão posse no próximo dia 1º. Logo após a posse, serão eleitos os membros das mesas diretoras das duas Casas. Além de Cunha e Chinaglia, o deputado Júlido Delgado (PSB-MG) também já anunciou que disputará a presidência da Câmara.

No Senado, os candidatos ainda não estão oficializados. Entretanto, nos bastidores já se fala na reeleição do atual presidente, Renan Calheiros (PMDB-AL). o Senador nega que esteja em campanha.

Com informações da Agência Brasil

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