PMDB governista insiste em nomear ministro

Líder do partido na Câmara recebeu sinal verde do Planalto para indicar secretário-geral do PMDB, Mauro Lopes, para a Secretaria de Aviação Civil

A ala governista da bancada do PMDB na Câmara insiste em indicar o secretário geral do partido, deputado Mauro Lopes (MG), para o ministério da Aviação Civil, apesar da proibição de ocupação de cargos no governo por membros do partido, definida pela convenção da legenda no sábado (12). Na manhã desta terça-feira o líder da bancada de deputados, Leonardo Picciani (RJ), reuniu-se com o chefe da Casa Civil, ministro Jaques Wagner, e recebeu sinal verde para acertar com a bancada a indicação de Lopes. O parlamentar deve ser nomeado nesta quarta-feira (16) pela presidente Dilma Rousseff.

 

Segundo Picciani, a nomeação de Mauro Lopes é apenas uma substituição de Eliseu Padilha, que ocupou o posto até o início de dezembro de 2015. Assim, trata-se da operação de troca em um cargo que já é do partido, lembra o deputado.

Para evitar que os oposicionistas do PMDB entrem com uma ação no conselho de ética da sigla para punir quem aceitar cargos no governo, Picciani negocia a confirmação de Lopes no ministério com o argumento de que a ida dele para o governo já tinha sido acertada com o Palácio do Planalto há mais de duas semanas – antes, portanto, da decisão da convenção. Lopes quer virar ministro de Dilma, mas seu desejo é desestimulado pelo vice-presidente da República, Michel Temer, que também é o presidente nacional do PMDB.

“A moção aprovada na convenção do PMDB não tem força de decisão do partido, e não impede a ida do Mauro Lopes para o ministério [Secretaria de Aviação Civil]”, argumentou o deputado José Priante (PA), peemedebista alinhado ao Planalto, ao Congresso em Foco.

A nomeação de Lopes depende de acordo com a ala oposicionista da bancada na Câmara, o que tem ficado cada vez mais difícil com os desdobramentos da Operação Lava Jato. Vários deputados que defendem a saída imediata do PMDB do governo estão dispostos a questionar Lopes no conselho de ética se ele virar ministro e não aceitam o argumento de que a decisão de ir para o governo seja retroativa à convenção.

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