Quase fechado com impeachment, PMDB libera líder

Leonardo Picciani será obrigado a orientar votação a favor do impeachment e não será punido se votar contra o afastamento da presidente, conforme já anunciou. Acordo envolve manutenção dele no cargo em uma eventual gestão Temer

O PMDB encontrou uma fórmula para evitar o constrangimento do líder da bancada na Câmara, Leonardo Picciani (RJ), na votação do pedido de impeachment da presidente Dilma Rousseff, marcada para o próximo domingo. Cerca de 90% dos deputados decidiram na manhã desta quinta que o líder vai orientar a votação pró-impeachment no plenário, mas ficará liberado para se posicionar contra o afastamento da petista. Com isso, Picciani encontrou a desculpa que precisava para se desvincular do Planalto, desembarcar do governo e aderir ao futuro governo Michel Temer.

Até o início desta manhã, a maioria oposicionista da bancada de deputados do PMDB estava disposta a aprovar a obrigatoriedade para que todos peemedebistas votassem a favor do impeachment. O fechamento de questão prevê punição – que pode ser até a expulsão da legenda – do parlamentar que não seguisse esta orientação. Isto causaria um constrangimento ao líder e ao grupo minoritário da bancada contra o afastamento da presidente que seria obrigado a votar pelo impeachment sob pena de punição.

Em fevereiro, Picciani foi eleito líder com o apoio do Palácio do Planalto. O PT e a presidente Dilma acreditavam que ele seria capaz de barrar o pedido de impeachment no PMDB, já que tinha obtido metade mais um dos votos da bancada para chegar à liderança. Mas, desde que assumiu o cargo, o líder só perdeu aliados no debate sobre o impeachment. O pai do deputado, Jorge Picciani, que é o presidente do PMDB do Rio de Janeiro, há várias semanas se posicionou a favor do impeachment, mas o Planalto ainda acreditava, até a manhã desta quinta-feira, que Leonardo Picciani pudesse interceder na bancada em favor de Dilma.

A fórmula encontrada pela bancada atende à estratégia e ao apelo do vice-presidente Michel Temer de unificar o partido em favor da saída da presidente. Há três dias Picciani esteve no Palácio do Jaburu, residência oficial da Vice-Presidência, e tratou com Temer já do futuro governo. O parlamentar não deve ser substituído e servirá ao eventual novo governo como líder da maior bancada na Câmara, hoje com 75 deputados.

A bancada do PMDB deve ser reforçada com o retorno, à Câmara, dos ministros da Saúde, Marcelo Castro, da Ciência e Tecnologia, Celso Pansera, e da Aviação Civil, Mauro Lopes, que são deputados. Eles garantiram nos últimos dias que vão votar contra o impeachment da presidente. Castro e Pansera já deram declarações sobre o tema. Mas Lopes, secretário-geral do partido, o segundo cargo mais importante do partido, é amigo de Temer e não é voto garantido a favor da presidente.

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