PMDB, DEM e PSD disputam cargos no setor elétrico

Temer é pressionado a nomear afilhados dos três partidos. Presidente interino terá de considerar interesses das legendas e posicionamento dos senadores que votarão na reta final do impeachment de Dilma

Senadores e deputados do DEM e do PMDB travam uma dura disputa pela indicação de cargos para as presidências e diretorias de empresas estatais do setor de energia. O posto mais requisitado é a presidência da Itaipu Binacional, maior companhia do segmento e responsável pela produção de 25% da geração de energia elétrica para o país, além da fração que é consumida pelo Paraguai. Nesse sentido, o presidente interino Michel Temer tem sido pressionado pelas duas bancadas para escolher um nome que atenda, ao mesmo tempo, a necessidade técnica de administrar uma das maiores usinas hidrelétricas do mundo e os interesses dos partidos que dão sustentação à gestão do novo governo.

A cada dia surge um nome. O último a ser indicado é o do ex-presidente da Federação das Indústrias do Paraná Rodrigo Rocha Loures. Ele é pai do ex-deputado Rocha Loures, um dos mais fiéis e próximos assessores do presidente interino e importante peemedebista. Criador da empresa Nutrimental, Rocha Loures pai é considerado um empresário de sucesso, mas fraco eleitoralmente desde que perdeu as eleições para prefeito da cidade paranaense São José dos Pinhais. A semana termina com o nome do empresário como o mais cotado para o cargo, mas depende das pressões de outras bancadas, principalmente no Senado.

Um grupo de senadores do DEM esteve, há uma semana, com Temer exigindo a indicação do ex-deputado paranaense Abelardo Lupion para a presidência da Itaipu. Lupion é um excelente produtor de sêmen bovino de elevada qualidade, mas o PMDB argumenta que ele nada entende de energia e não tem experiência em gestões de grandes companhias. Os parlamentares e dirigentes do DEM não gostaram do veto do PMDB, mas reconhecem que o nome de Lupion, apesar de gozar da simpatia do governador do Paraná, Beto Richa, do PSDB, dificilmente será aceito e deverá continuar como presidente da Companhia de Habitação do Paraná.

O PSD também tem seu nome para a Itaipu Binacional e tirou do colete o nome do também ex-deputado federal paranaense Eduardo Sciarra, chefe da Casa Civil do governo paranaense até março deste ano. Mesmo apadrinhado pelo ministro das Comunicações, Gilberto Kassab, e pela bancada do partido no Congresso, o nome de Sciarra também não agrada o PMDB. Itaipu é uma estatal grande demais para que o PMDB abra mão do seu comando. Quem perder a Itaipu exigirá de Temer uma compensação.

Estratégia

Para acomodar os aliados, Temer vai colocar na divisão dos cargos a Eletrosul. A direção da companhia, controlada pela Eletrobras, sempre foi dividida entre os políticos dos três estados da Região Sul. Desde que foi criada, em 1968, os postos da diretoria sempre foram divididos igualmente pelas bancadas do Paraná, Santa Catarina e Rio Grande do Sul. Mas agora, com tanta disputa, deputados gaúchos alimentam o desejo de indicar toda a diretoria, mas esbarram nas demais bancadas.

A partir da próxima semana Temer terá outro tabuleiro complexo para organizar com a definição dos cargos da Eletronorte e da própria Eletrobras, controladoras das companhias do setor. Sempre considerando o interesse das bancadas e os votos dos senadores dos três partidos na reta final de julgamento do impeachment da presidente afastada Dilma Rousseff.

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