PGR: Romário é suspeito de receber caixa dois em 2014

A Procuradoria-Geral da República pediu para o STF para investigar o senador pela suspeita de ter recebido R$ 100 mil da empreiteira Odebrecht sem declarar à Justiça Eleitoral

Jefferson Rudy/Agência Senado
Jefferson Rudy/Agência Senado
A Procuradoria-Geral da República pediu ao Supremo Tribunal Federal (STF) para investigar o senador Romário (PSB-RJ) pela suspeita de receber caixa dois na campanha eleitoral de 2014. A apuração é do repórter Felipe Coutinho, da revista Época. A PGR apura se o senador recebeu R$ 100 mil da empreiteira Odebrecht sem declarar à Justiça Eleitoral. Romário diz que não.

A investigação, segundo a revista, é sigilosa e ainda inicial. O indício surgiu a partir de mensagens de celular trocadas entre Marcelo Odebrecht e seu subordinado Benedicto Barbosa da Silva Júnior, logo após a eleição de 2014. Benedicto é um dos principais executivos da Odebrecht e ganhou notoriedade por manter um controle de valores ligados a mais de 200 políticos. Assim como Marcelo Odebrecht, ele chegou a ser preso pela Lava Jato. As conversas foram apreendidas pela Polícia Federal na fase da Operação Lava Jato que prendeu Marcelo.

Na petição encaminhada ao Supremo, o procurador-geral da República, Rodrigo Janot, afirma que a conversa entre os dois empresários é um indício da “prática habitual e sistemática de pagamento de propina”. Apesar de o diálogo citar R$ 100 mil para Romário, oficialmente não houve doações para o candidato, o que levantou à suspeita de caixa dois. A investigação, contudo, ainda está nos primeiros passos para tentar descobrir se efetivamente foi pago o montante tratado nas conversas.

Em seu site, Romário divulgou uma nota negando o recebimento de doações da Odebrecht e dizendo que sequer conhece Marcelo Odebrecht. O parlamentar disse ainda que vai pedir esclarecimentos à PGR. "Já disse uma vez e volto a registrar, não vão me meter no meio dessa lama", afirmou.

Veja a íntegra da nota divulgada por Romário:

"Recebi com surpresa e indignação a informação de que a Procuradoria Geral da República (PGR) teria pedido uma investigação ao Supremo Tribunal Federal (STF) sobre uma suposta doação que eu teria recebido após a campanha de 2014 da empresa Odebrecht.

De acordo com a revista, há uma "SUSPEITA" de que a empreiteira "SUPOSTAMENTE" me doou a quantia de R$ 100 mil depois das eleições. O STF ainda irá decidir se inicia uma investigação, motivada pela descoberta de uma troca de mensagens entre Marcelo Odebrecht e uma pessoa identificada como Benedicto Barbosa da Silva Júnior. Que fique claro: não há nenhuma comprovação de que eu tenha recebido qualquer quantia da referida empresa.

Respondi a revista e reforço aqui:

Não recebi qualquer doação da Odebrecht, durante, após campanha ou em qualquer outro momento.

Todas as doações recebidas em 2014 foram legais e registradas na prestação de contas da campanha, nenhuma delas foi da empreiteira.

Nunca conversei com Marcelo Odebrecht ou com qualquer pessoa que tenha se identificado como seu emissário.

Enquanto candidato, não autorizei qualquer pessoa a falar em meu nome.

Amanhã mesmo acionarei a PGR e a Odebrecht para obter esclarecimentos.

Ademais, aguardarei o rápido tramite da Justiça para que os fatos sejam esclarecidos.

Já disse uma vez e volto a registrar, não vão me meter no meio dessa lama."

Veja a íntegra da reportagem

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