PF: propina para o PT financiou até escola de samba

Nova fase da Lava Jato revela indícios de que Paulo Ferreira, ex-tesoureiro do PT, usava contas de parentes, um blog e também uma escola de samba de Porto Alegre para receber recursos desviados da Petrobras

Principal alvo da Operação Abismo, 31ª fase da Lava Jato, o ex-tesoureiro do PT, Paulo Ferreira recebeu propinas não só para irrigar finanças do partido, como também em benefícios pessoais, segundo a Polícia Federal. A operação deflagrada nesta segunda-feira (4) mostrou que ele chegou a usar contas de parentes, um blog e uma escola de samba de Porto Alegre para receber os recursos desviados da Petrobras.

 

A escola de samba Sociedade Recreativa e Beneficente Estado Maior da Restinga, de Porto Alegre, recebeu, segundo a força-tarefa da Lava Jato, R$ 45 mil. Já a madrinha de bateria da bateria Viviane da Silva Rodrigues ficou com outros R$ 61,7 mil em repasses feitos entre 2010 e 2012. "Chamou a atenção pela forma como se busca apoio político no Brasil e como o dinheiro impacta na formação do nosso Congresso e da classe política", destacou o procurador da República Roberson Pozzobon. "São apoios por vezes não muito republicanos."

No despacho do juiz Sérgio Moro, ele escreve que "foram identificados quatro pagamentos no total de R$ 45.000,00 à escola de samba, especificamente um cheque de R$ 20.000,00 compensado em 15/01/2010, três cheques R$ 5.000,00 cada compensados em 27/01/2010 e dois cheques de R$ 5.000,00 cada compensados em 09/02/2010."

Nesta etapa, a Lava Jato investiga licitações para a reforma do Centro de Pesquisa da Petrobras (Cenpes), no Rio de Janeiro, onde são feitos estudos sobre a exploração em águas profundas. As fraudes, segundo a PGR, envolveram o pagamento de mais de R$ 39 milhões em vantagens indevidas para empresas participantes do certame do Cenpes, para a Diretoria de Serviços e para o Partido dos Trabalhadores.

Em delação premiada, o ex-vereador de Americana (SP), Alexandre Romano (PT), disse ter desviado R$ 1 milhão de contratos para a reforma do Cenpes para Ferreira. Segundo os investigadores, Romano “teria recebido os valores na condição de agente do Partido dos Trabalhadores”.

Romano, segundo os investigadores, apresentou talões de cheque que comprovam o pagamento de R$ 2 mil ao próprio Ferreira e outros R$ 3,5 mil a seus dois filhos. Valores diversos foram pagos a assessores da tesouraria do PT e, segundo as investigações, também a uma servidora da Casa Civil da Presidência da República.

Segundo Sergio Moro, no despacho que autoriza a detenção preventiva de Ferreira, preso desde 23 de junho pela Operação Custo Brasil, consta que o blog do advogado Júlio Garcia, na qual há publicações favoráveis a Paulo Ferreira, recebeu R$ 6 mil por meio de cheque nominal. Outros R$ 45 mil foram pagos à escola de samba Estado Maior da Restinga, também por meio de cheques.

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