PF prende conselheiro do Carf acusado de pedir propina ao Itaú

João Carlos Figueiredo Neto foi preso na noite de ontem em um shopping de luxo em Brasília. O conselheiro é acusado de pedir propina ao Itaú Unibanco em troca de decisão favorável à empresa em um processo administrativo no Carf

A Polícia Federal prendeu em flagrante na noite de ontem (6) em Brasília João Carlos Figueiredo Neto, integrante do Conselho Administrativo de Recurso Fiscais (Carf), durante realização da Operação Quatro Mãos. O conselheiro é acusado de pedir propina ao Itaú Unibanco em troca de decisão favorável à empresa em um processo administrativo no Carf e foi surpreendido pelos agentes da PF em um shopping de luxo da capital.

A denúncia foi feita ao Carf pela própria instituição financeira, e a prisão de João Carlos foi autorizada pelo juiz federal Marcus Vinícius dos Reis Bastos, da 12ª Vara Federal da Seção Judiciária do Distrito Federal. Ele foi levado para a Superintendência da PF na capital federal.

O Carf é um órgão ligado ao Ministério da Fazenda que julga recursos sobre multas aplicadas pela Receita Federal a empresas.

O Itaú Unibanco informou por meio de nota que foi "vítima de conduta inadequada" do Conselheiro do Carf que solicitou vantagens para beneficiar o banco em julgamento de interesse da instituição. "Dados os princípios éticos e de transparência que norteiam nossa atuação, voluntariamente reportamos os fatos às autoridades competentes, que passaram a monitorar as atividades do conselheiro, culminando em sua prisão", diz a nota divulgada pela empresa.

O nome da operação é uma referência ao próprio conselheiro preso, que, segundo a denúncia, sugeriu ao representante do Itaú que a elaboração do voto no conselho fosse feita a “quatro mãos”. Apesar de envolver pagamento de propina, a ação desta quarta-feira não tem relação com a Operação Zelotes, que apura esquema de venda de sentenças no colegiado

Leia a íntegra da nota do Itaú:

Esclarecemos que o Itaú Unibanco foi vítima de conduta inadequada de Conselheiro do CARF, que solicitou vantagens para nos beneficiar em julgamento de caso de nosso interesse. Dados os princípios éticos e de transparência que norteiam nossa atuação, voluntariamente reportamos os fatos às autoridades competentes, que passaram a monitorar as atividades do Conselheiro, culminando em sua prisão no dia de ontem. Com essa atitude, esperamos ter contribuído com a identificação de conduta contrária à ética e à lei.

Comunicação Corporativa Itaú Unibanco

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