PF indicia ex-ministro José Dirceu por envolvimento na Lava Jato

Além de Dirceu, a Polícia Federal pediu a abertura de ação penal contra outras 13 pessoas, entre elas o ex-tesoureiro do PT João Vaccari Neto e o empresário Milton Pascowitch

A Polícia Federal (PF) indiciou, na tarde desta terça-feira (1º), o ex-ministro chefe da Casa Civil José Dirceu por envolvimento no esquema de desvios de recursos da Petrobras desarticulado pela Operação Lava Jato. A PF pediu a abertura de ação penal contra Dirceu pelos crimes de falsidade ideológica, corrupção passiva, lavagem de dinheiro e formação de quadrilha.

Além de Dirceu, a PF indiciou outras 13 pessoas, entre elas o ex-tesoureiro do PT João Vaccari Neto e o empresário Milton Pascowitch. Os indiciamentos são fruto da 17ª fase da Lava Jato, denominada de “Pixuleco”. A PF pediu a abertura de ação penal contra Vaccari pelos crimes de falsidade ideológica, corrupção passiva, lavagem de dinheiro e formação de quadrilha; contra Pascowitch pesam as acusações pelos crimes de corrupção ativa, lavagem de dinheiro, formação de quadrilha e por integrar organização criminosa.

Dirceu foi preso na manhã do último dia 3 de agosto. A suspeita do Ministério Público Federal (MPF) e da PF é que o ex-ministro recebeu dinheiro desviado de obras da Petrobras por meio de sua empresa, a JD Consultoria. Segundo os investigadores, ele foi beneficiado com um “mensalinho” de R$ 96 mil durante dez anos e recebeu R$ 819 mil das empresas investigadas pela Lava Jato enquanto cumpria pena do mensalão.

Pelas investigações, a propina seria intermediada inicialmente por Júlio Camargo, que representava várias empresas junto à Petrobras, e depois pelo empresário Milton Pascowitch, que acusou Dirceu de receber 1,5% do valor dos contratos da Hope (uma das companhias de Pascowitch) com a estatal. Pelos relatórios da PF, a empresa de Dirceu movimentou R$ 34 milhões entre os anos de 2009 e 2014.

“Jose Dirceu constituiu a empresa JD Consultoria e Assessoria, pessoa jurídica que canalizou parte dos valores ilícitos”, afirma o delegado federal Márcio Alselmo, integrante da força-tarefa da Operação Lava Jato, no pedido de abertura de ação penal contra o ex-ministro. "Não há, em mais de seis meses de investigação, a comprovação sequer de um único serviço de consultoria", pontua o delegado.

"Milhões foram pagos por consultorias sociológicas vazias que, na verdade, mascaram vantagens ilícitas atreladas, em sua maioria, a contratos com o poder público”, complementa o delegado. “Vários desses ‘clientes’ de José Dirceu tratam de empresas diretamente envolvidas com os casos de desvios no âmbito da Petrobras, investigadas na Operação Lava Jato”, reitera o investigador.

Agora, para ser réu, o MPF precisa também apresentar denúncia à Justiça Federal do Paraná. Dirceu somente responderá a ação penal, caso o juiz Sérgio Moro, da 13ª Vara Federal de Curitiba, acatar as argumentações da PF e do MPF.

 

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