PF deflagra desdobramento de investigações em avião de Eduardo Campos

Operação Vórtex investiga empresa envolvida em repasses para compra de aeronave utilizada por ex-governador de Pernambuco no dia do acidente

Na manhã desta terça-feira (31), a Polícia Federal (PF) em Pernambuco deflagrou a Operação Vórtex – um desdobramento da Operação Turbulência. Durante análise das contas bancárias das pessoas físicas e jurídicas envolvidas na compra do avião utilizado pelo ex-governador de Pernambuco e então candidato à Presidência, Eduardo Campos, em seu acidente fatal, a força-tarefa detectou valores transferidos por uma das empresas já investigadas. Entretanto, as apurações mostraram que, na verdade, o montante foi repassado à compradora, dois dias antes, por uma terceira empresa - esta ainda não ligada ao esquema.

"A exatidão do montante e o curto lapso temporal envolvido nas duas transações sugerem, assim, que a conta investigada na Operação Turbulência tenha sido mera conta de passagem", explica nota da PF.

"Ao investigar mais a fundo a empresa remetente dos recursos, verificou-se que ela possui contratos milionários com o governo do Estado e que suas doações a campanhas políticas aumentaram de forma exponencial ao longo dos últimos anos, notadamente para o partido e candidatos apoiados pelo ex-governador do estado, Eduardo Campos", acrescenta a força-tarefa.

Ainda com informações da Polícia Federal, 30 policiais foram envolvidos na fase deflagrada na manhã de hoje (terça, 31). Eles cumpriram 10 ordens judiciais, sendo seis mandados de busca e apreensão e quatro mandados de condução coercitiva. Os investigados responderão por corrupção, direcionamento de licitação e lavagem de dinheiro.

O nome da fase que integra a Operação Turbulência foi escolhido pela PF por causa do jargão aeronáutico, vórtex, designação dada ao movimento de massas de ar em formato de redemoinho ou ciclone que geralmente precede a turbulência.

Turbulência

Em agosto de 2016, surge a Operação Turbulência com objetivo de desarticular uma organização criminosa especializada em lavagem de dinheiro. O grupo atuava em Pernambuco e Goiás e movimentou, de acordo com informações da PF, R$ 600 milhões desde 2010.

As investigações começaram após análise de movimentações financeiras suspeitas detectadas nas contas de empresas envolvidas na aquisição da aeronave que transportava Eduardo Campos. Há suspeita de que parte dos recursos que transitaram nas contas examinadas serviam para pagamento de propina a políticos e formação de caixa dois de empreiteiras envolvidas na Operação Lava Jato.

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