PF apura desvio de dinheiro na Petrobras e propinas em Pasadena

Delegado que investiga o caso pediu à 13ª Vara Federal de Curitiba o compartilhamento de provas da Operação Lava Jato. Polícia investiga se há "organização criminosa no seio" da estatal

 

Um novo inquérito, desta vez aberto em Brasília pela Polícia Federal, apura “desvio de recursos da empresa Petrobras S.A.” e menciona a possibilidade de “pagamentos de propinas” por meio de “vultosos” valores pagos pela petroleira na aquisição da refinaria de Pasadena, nos Estados Unidos. A PF avalia se há uma “organização criminosa no seio” da estatal e menciona as relações comerciais do ex-diretor da Petrobras Paulo Roberto Costa, que foi conselheiro da unidade de refino. Preso pela PF, foi solto pelo Supremo Tribunal Federal. A refinaria custou US$ 42 milhões à empresa belga Astra Oil. Foi reformada e, depois, vendida à  estatal brasileira, que acabou desembolsando US$ 1,2 bilhão no negócio, que teve o aval, inclusive da presidenta Dilma Rousseff. Ela alegou ter se baseado um parecer falho para assinar a compra.

Em ofício ao juiz da 13ª Vara Federal de Curitiba (PR), Sérgio Fernando Moro, o delegado Cairo Costa Duarte pede o compartilhamento de provas da Operação Lava Jato para subsidiar a suas investigações. O policial, que preside mais uma apuração sobre desvios de dinheiro na estatal, fez o pedido em 22 de abril. Apesar de ser tocada por policiais de Brasília, ao menos a investigação mencionada no ofício corre na Justiça Federal do Rio de Janeiro. O gabinete de Moro informou ao Congresso em Foco que, por questões de sigilo, não poderia informar se o juiz concedeu o compartilhamento das provas.

A investigação da PF de Brasília se iniciou com um pedido da Procuradoria da República no Rio de Janeiro noticiando “supostas práticas criminosas”, como evasão de divisas por pessoas ligadas à Petrobras. Ao solicitar a apuração, os procuradores avaliaram que, a partir da compra da refinaria de Pasadena, “possíveis valores teriam sido enviados ou mantidos no exterior sem a respectiva declaração aos órgãos competentes”.

Os “valores vultosos” da compra da refinaria, “em dissonância com o mercado internacional”, despertaram suspeitas, segundo o ofício de Duarte. “Reforça a possibilidade de desvio de grande parte dos recursos para pagamentos de ‘propinas’ e abastecimento financeiro de grupos criminosos envolvidos no ramo petroleiro”, diz ele. Pelo esquema narrado pela PF, a organização criminosa desvia o dinheiro e o envia ao exterior, para que depois retorne, em espécie, por meio de empresas em paraísos fiscais.

A PF apura se Paulo Roberto Costa participou do esquema. Ele foi diretor de Abastecimento da Petrobras entre 2004 e 2012 e participou do conselho da refinaria de Pasadena. Ao sair da estatal, abriu a empresa Costa Global Consultoria e Participações. O ofício de Cairo Duarte relaciona todas as participações empresariais do ex-diretor e seus familiares.

Para o investigador, receber as provas obtidas pela Operação Lava Jato – que trata de inúmeros negócios envolvendo quatro doleiros, como Alberto Yousseff e Nelma Kodama, acusados de lavar R$ 10 bilhões – irá acelerar as investigações que ele conduz especificamente sobre a Petrobras.

“A prova emprestada será de grande valia para o presente apuratório (...) bem como para outros procedimentos investigatórios  que envolvam o desvio de recursos públicos da empresa Petrobras S.A.”

Gravíssima

Em discurso na tribuna da Câmara, o deputado de oposição Fernando Francischini (SD-PR) considerou a existência da investigação “gravíssima” por envolver ao aval da presidente Dilma Rousseff na compra da refinaria de Pasadena. Dilma afirmou que só autorizou a aquisição por se basear em um parecer jurídico "falho" e "incompleto" por não conter referência a cláusulas que causaram prejuízos à Petrobras. A presidente da estatal, Graça Foster, disse que, em 2006, ano da compra da refinaria, o negócio era bom, mas depois se tornou ruim.

Ontem, o ex-presidente da Petrobras, Sérgio Gabrilelli, disse à CPI que investiga a estatal no Senado que haverá reversão dos prejuízos no futuro. E defendeu a compra de Pasadena.

A reportagem procurou o advogado do ex-diretor Paulo Roberto Costa. Mas Fernando Fernandes não retornou os telefonemas e recados deixados em seu telefone celular. A assessoria da Petrobras não comentou o ofício da Polícia Federal até o fechamento desta reportagem

Atualizada às 20h30

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