Petrobras volta a elevar preço da gasolina dois dias após greve; litro fica 2,25% mais caro nas refinarias

 

Encerrada há dois dias, a greve dos caminhoneiros tinha como alvo principal a alta do diesel, mas como pano de fundo a política de preços da Petrobras, que operava reajustes quase que diários nos últimos meses. Pois a maior mobilização do gênero em todos os tempos mal acabou e a estatal já anunciou a elevação no preço da gasolina nas refinarias para 2,25%. Assim, o litro da gasolina tipo "A" subirá de R$ 1,9671 para R$ 2,0113 nas refinarias já a partir deste sábado (2).

A informação foi divulgada pela estatal e marca a segunda alta seguida depois de uma sequência de cinco quedas no preço do litro. Na última quarta-feira (30/mai), quando o quase colapso pós-greve caminhava para o fim, a petrolífera anunciou elevação de 0,74% no litro do combustível. Na véspera, houve redução em 2,84%.

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Em nota veiculada no site institucional, a Petrobras fez menção ao acordo do governo com representantes de caminhoneiros e declarou ontem (sexta, 1º/mai) que, "além de todo o esforço logístico que vem empreendendo desde o dia 21 de maio para garantir o suprimento de combustíveis ao mercado, repassou integralmente as desonerações anunciadas pelo Governo Federal aos preços de diesel vendido à rede de postos, com o objetivo de contribuir para que essas reduções cheguem ao consumidor final".

"Em São Paulo, por exemplo, a redução foi de R$ 0,46 por litro e já é possível verificar em alguns postos Petrobras esta mesma diminuição no preço da bomba. A Petrobras Distribuidora reafirma seu compromisso com a sustentabilidade do seu negócio e da sua rede, continuando empenhada em adotar todas as ações operacionais e comerciais ao seu alcance para atender aos seus clientes em todo o Brasil", acrescenta a petrolífera, que tem 51% de seu patrimônio sob controle da União e 49% em poder de acionistas privados.

Modelo controverso

Do início de maio para cá, a Petrobras já anunciou 14 altas e seis reduções no preço da gasolina, seguindo a política de preços inaugurada em 2016 pelo presidente demissionário da empresa, Pedro Parente, que se desligou do posto ontem. O modelo, que recebe críticas de parlamentares da oposição e até da base do governo Michel Temer (MDB), é baseado na cotação do dólar e no preço internacional do barril de petróleo. Revoltados com a gestão Parente, petroleiros chegaram a anunciar greve, como este site adiantou na última sexta-feira (25/mai), mas foram frustrados por liminar do Tribunal Superior do Trabalho expedida contra a paralisação.

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Mas há quem elogie Pedro Parente e sua política de reajustes, atribuindo-lhes a recuperação da Petrobras depois dos desvios bilionários desvendados pela Operação Lava Jato nas gestões anteriores da empresa. Para o mercado, trata-se do caminho correto. Resultado: o combustível já acumula alta de 11,29% nas refinarias em um mês – o que, ao contrário dos caminhoneiros, que lotaram rodovias com seus caminhões e carretas contra a alta do diesel, só tem gerado protestos de condutores nas redes sociais. O preço médio do litro da gasolina oscila em torno de R$ 5, mas já chegou a quase R$ 10 no auge do desabastecimento, como este site mostrou em 24 de maio.

O litro do diesel nas refinarias continuará a custar R$ 2,1016 até 7 de junho, nos termos do programa de subvenção anunciado pelo governo durante a greve. O acerto com os caminhoneiros fixa redução de R$ 0,46 no preço do combustível pelos próximos 60 dias – para custear a redução sem causar danos aos caixas da Petrobras, cortes serão operados em setores como saúde e educação, tornando alguns serviços sociais ainda mais precários com a justificativa de proteger a estatal.

Cabe às distribuidoras e aos donos de postos de abastecimento calcular os repasses para as bombas a partir do preço negociado nas refinarias. Mas, para evitar abusos, o governo intensificou a fiscalização por meio de órgãos como o Procon juntos aos estabelecimentos comerciais, sem que a fiscalização interfira nas praxes de mercado e da livre iniciativa. Foram anunciadas multas de até R$ 9,4 milhões para os postos que não reduzirem o curso do diesel nos termos do acordo firmado com caminhoneiros (menos R$ 0,46).

 

Confira a tabela de reajustes (fonte: Petrobras)

 

 

No vídeo abaixo, confira a visão da empresa sobre o "caminho do petróleo":

 

 

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