Pergunta contra o governo gera bate-boca na comissão da reforma da Previdência

Parlamentar contrário à proposta afirma que presidente da comissão especial "tem tratamento diferenciado com deputados que apoiam texto do Executivo" e utiliza "dois pesos e duas medidas" para comandar os trabalhos do colegiado

 

A reação do presidente da comissão especial criada para debater a proposta de reforma da Previdência, Carlos Marun (PMDB-MS), a uma pergunta contra o governo provocou um bate-boca na audiência pública realizada nesta tarde (quinta, 9). Na palestra do 2º vice-presidente do Sindicato dos Auditores da Receita Federal do Brasil (Sindifisco Nacional), Luiz Henrique Behrens França, o deputado Delegado Waldir (PR-GO) questionou dados apresentados pelo especialista: “Os técnicos do governo não têm conhecimento ou eles estão agindo de má fé quando apresentam outros números?”.

A pergunta provocou reação imediata de Marun (assista no vídeo abaixo). O peemedebista pediu para que os parlamentares que tiverem “uma resistência genética a seguir o regimento”, que deixassem de participar dos debates. Deputados logo se manifestaram contra a atitude do presidente. “Já avisei que depois da palestra todos poderão fazer perguntas”, disse o presidente. Mesmo assim, os ânimos se mantiveram exaltados.

Então, Carlos Marun reagiu: “A palavra é minha, a comissão está indo muito bem. Vamos dar sequência”.

De acordo com o parlamentar do PR, Marun tem utilizado “dois pesos e duas medidas” para presidir a comissão: “O presidente estava permitindo que alguns deputados fizessem perguntas aos debatedores, mas quando eu fiz uma pergunta mais dura contra o governo, ele proibiu o debatedor de responder. Ele [Marun] tem um tratamento diferenciado com os deputados que apoiam o texto do Executivo”, explicou o delegado ao Congresso em Foco.

“É uma loucura do governo tentar passar essa reforma em um momento que vivemos a maior recessão da história do país. Temos a maior quantidade de pessoas desempregadas, um momento que as pessoas estão ficando mais pobres. O governo aproveita desse grande momento de aflição do cidadão para aprovar reformas que vão afetar as pessoas mais carentes desse país”, analisou. “A conta do governo é mentirosa, e isso ficou claro hoje na apresentação dos auditores fiscais. Ficou muito claro. O governo não tem dados para contestar”, acrescentou o deputado.

Números apresentados pelo consultor do Senado Luiz Alberto dos Santos mostram que as novas regras para a aposentadoria vão atingir fortemente 66% dos servidores da União que não serão incluídos nas regras de transição. Segundo o consultor, tem sido apresentados números na comissão que variam, de um déficit atuarial de R$ 5 trilhões a R$ 1,2 trilhão. Esse seria o total da dívida previdenciária pública caso todas as aposentadorias tivessem que ser pagas hoje. Ele ressaltou a importância de conhecer estes números com mais profundidade para discutir a reforma.

Vista grossa

Deputados que acompanham os trabalhos da comissão têm criticado o modo utilizado pelo peemedebista para comandar as discussões sobre o tema. Em outro encontro do colegiado, Marun disse que “alguns parlamentares estariam usando a comissão como um “picadeiro”. “Se aquilo lá é um picadeiro, ele é o dono do circo”, reclamou o Delegado Waldir. Outra crítica feita por membros da comissão é de que tanto Marun como o relator da proposta, Arthur Oliveira Maia (PPS-BA), tem se ausentado de grande parte das conversas.

Indagado, o presidente da comissão especial disse que cabe a ele conduzir os coordenamentos dos trabalhos “e isso passa por fazer vista grossa em atitudes desrespeitosas de deputados com apresentantes, por utilizar o tempo de maneira equivocada ou interromper a fala dos presentes”. “Preciso decidir para que as coisas aconteçam”, enfatizou.

“É óbvio que sendo constatada pelo presidente uma atitude dolosa de algum parlamentar no sentido de deturpar o andamento dos trabalhos, vou ter que intervir”, ressaltou Carlos Marun.

Na próxima semana a comissão especial terá uma audiência internacional, que será promovida na terca-feira (14). O presidente confirmou que o prazo previsto para a conclusão dos trabalhos do colegiado é a primeira quinzena de abril.

* Com informações da Agência Câmara

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