Pedido de CPI da CBF é lido no Plenário do Senado; Romário denuncia ‘ratos’

Romário conseguiu 50 assinaturas de apoio para investigar contratos da entidades com empresas de marketing esportivo e produtores de competições. Cúpula da CBF está na mira do "baixinho"

Foi lido no Plenário do Senado nesta quinta-feira (28), pelo senador Douglas Cintra (PTB-PE), o requerimento apresentado pelo senador Romário (PSB-RJ) para que a Casa instale a comissão Parlamentar de Inquérito (CPI) destinada a investigar a Confederação Brasileira de Futebol (CBF) e o comitê organizador local da Copa do Mundo Fifa 2014, realizada em 12 cidades-sede no ano passado. A coleta de assinaturas de apoio foi feita em tempo recorde por Romário: 50 senadores assinaram o documento no mesmo dia em que uma investigação encabeçada pelo FBI, órgão norte-americano equivalente à Polícia Federal, prendeu o ex-presidente da CBF José Maria Marin e mais sete dirigentes da Federação Internacional de Futebol (Fifa) por corrupção.

O número de assinaturas obtido por Romário é quase o dobro do mínimo exigido pelo regimento interno (27). Inicialmente, essa margem dobrada havia sido alcançada, com 54 adesões registradas. No entanto, na conferência do requerimento, constatou-se duplicação de assinaturas. Uma vez lido o pedido em plenário, senadores têm até meia-noite desta quinta-feira (28) para pedir exclusão ou inclusão de apoio. Mantido o número mínimo, a CPI estará formalmente criada a partir de amanhã (sexta, 29), com a publicação do requerimento no Diário do Senado.

O limite de despesas da CPI da CBF será de R$ 100 mil. A comissão terá sete membros titulares e igual número de suplentes, com 180 dias de prazo, prorrogável, para investigar e apresentar parecer sobre a ocorrência de eventuais irregularidades em contratos firmados para a realização de partidas da seleção brasileira de futebol, de campeonatos organizados pela CBF e da realização da Copa das Confederações, em 2013, e da Copa do Mundo do Brasil, no ano passado. A instalação do colegiado depende, agora, da indicação dos integrantes titulares e suplentes pelas lideranças partidárias. A prioridade na indicação de membros considera o cálculo de proporcionalidade das bancadas na composição do Senado.

"Copa do Mundo da corrupção"

Ontem (quarta, 27), o FBI prendeu dirigentes ligados à Fifa por suspeitas de corrupção, lavagem de dinheiro e extorsão. O esquema de desmandos era operado, em resumo, aproveitando-se a organização de competições e contratos de marketing e televisionamento.

Lucio Bernardo Jr./Câmara dos Deputados
Preso na Suíça, onde participaria hoje (quinta, 28) do congresso da Fifa, José Maria Marin deixou a presidência da CBF em abril deste ano, e será também afastado de uma das cinco vice-presidências da entidade. Ele é acusado de, na condição de presidente da entidade, negociar propinas, no valor de R$ 346 milhões, pela cessão dos direitos de transmissão da Copa América até 2023.

A CBF também será investigada por contratos de patrocínio fechados com a multinacional norte-americana Nike e intermediados pela Traffic, empresa brasileira de marketing esportivo. As negociatas foram fechadas durante o mandato anterior ao de Marin na presidência da CBF, exercido pelo brasileiro Ricardo Teixeira. Ao contrário de Marin, Teixeira ainda não foi citado judicialmente, mas não está descartado nas investigações.

Hoje (quinta, 28), Romário subiu à tribuna do Senado para, mais uma vez, fazer duras críticas à cúpula da CBF nos últimos anos, chamando os titulares de "ratos". Ele aproveitou para incluir, além de Teixeira e Marin, o atual presidente da entidade, Marco Polo Del Nero, que tem se revezado com o antecessor no comando do futebol brasileiro. Ex-presidente da Federação Paulista de Futebol, Del Nero foi vice-presidente tanto de Teixeira quanto de Marin na CBF.

"Já sabemos, por exemplo, que Marin, Marco Polo Del Nero e o ex-presidente da CBF Ricardo Teixeira recebiam propinas pela exploração comercial do campeonato Copa do Brasil. Os cartolas, segundo a peça de acusação americana, recebiam R$ 2 milhões por ano. O valor era dividido entre os três ratos. As empresas de marketing Traffic e Klefer, ambas de marketing esportivo, rateavam o pagamento do suborno. Esse tipo de negociata criminosa é um modus operandi dos dirigentes da CBF", fulminou o senador.

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