“Petrobras não era casa de negócios”, diz ex-diretor preso em operação da PF

Paulo Roberto Costa foi preso na Operação Lava Jato, deflagrada pela Polícia Federal em março último. Em CPI dominada por governistas, ele negou ter utilizado estatal para se beneficiar

Em depoimento na CPI da Petrobras instalada no Senado, controlada por governistas, o ex-diretor de Refino e Abastecimento da estatal, Paulo Roberto Costa, rebateu nesta terça-feira (10) as acusações de que a empresa fosse "uma casa de negócios". Costa criticou a atuação da imprensa, que, segundo ele, divulgou "situações irreais". E negou ter utilizado a companhia para se beneficiar em negócios.

"Repudio veemente que a Petrobras era uma casa de negócios. Repudio com veemência a acusação de que a Petrobras é dominada por organização criminosa. A Petrobras é uma empresa séria e competente. Muita coisa foi dita de forma antiética”, disse Costa, preso na Operação Lava Jato, deflagrada pela Polícia Federal (PF) em março último para desbaratar esquema de lavagem de dinheiro que teria movimentado R$ 10 bilhões. Ele foi liberado em 19 de maio último por determinação do ministro Teori Zavascki, do Supremo Tribunal Federal (STF).

Investigado por suspeita de corrupção e de envolvimento no esquema de lavagem de dinheiro, Costa reclamou ainda que "as informações, sem fundamento, colocaram uma pedra” em cima de sua carreira. A oposição boicota a CPI da Petrobras no Senado. O ex-diretor também deverá ser ouvido sobre o mesmo tema na CPI mista, onde a oposição diz ter mais liberdade para investigar.

Pasadena

Paulo Roberto Costa negou que tenha participado da negociação para compra da refinaria de Pasadena, nos Estados Unidos, em 2006. Há suspeita de superfaturamento na aquisição. "Isso foi coordenado pela área internacional. Quando esse assunto foi levado para a diretoria, óbvio que discutimos. Achamos naquele momento que era um bom negócio e isso foi encaminhado para o conselho de administração [comandado na época pela atual presidenta da República Dilma Rousseff]", disse Costa.

A exemplo de Nestor Cerveró, ex-diretor da Área Internacional da Petrobras, Costa também considerou as cláusulas Put Option e Marlim irrelevantes para o fechamento do negócio, que causou prejuízo de US$ 530 milhões à estatal. Após o caso vir à tona, Dilma argumentou ter se baseado em um resumo incompleto, sem as cláusulas, para se posicionar sobre a aquisição dos primeiros 50% da refinaria, que pertencia à companhia belga Astra Oil.

A primeira cláusula previa que, em caso de desacordo entre os sócios, a outra parte seria obrigada a adquirir o restante das ações. A segunda garantia à Astra Oil um lucro de 6,9% ao ano. As duas cláusulas foram excluídas do documento que serviu de base para que o conselho de administração da empresa autorizasse a compra. À CPI, a atual presidente Graça Foster já declarou que as cláusulas eram “extremamente importantes".

Abreu e Lima

Na CPI, Costa defendeu a construção da refinaria Abreu e Lima, em Pernambuco, pela Petrobras, a maior obra da estatal que também está sob investigação. Negou superfaturamento. Com custo inicial estimado em US$ 2,5 bilhões, Abreu e Lima deverá custar US$ 18,5 bilhões quando ficar pronta, em 2015.  Segundo ele, "a Petrobras errou ao divulgar o valor de US$ 2,5 bilhões sem saber quanto a refinaria custaria, sem um projeto".

Doleiro

Paulo Costa negou ter desviado dinheiro da estatal e que as quantias teriam sido lavadas pelo grupo do doleiro Alberto Youssef, também preso na Operação Lava Jato. Costa afirmou que, dos presos na operação, conhecia apenas Youssef. "Não existe lavagem de dinheiro da Petrobras para Alberto Youssef".

O ex-diretor relatou ter conhecido Youssef quando o doleiro tinha investimentos na área hoteleira. Ele informou que, depois de aposentado, em 2012, prestou -- sem contrato formal -- serviço para Youssef, que pretendia verificar se valia a pena ou não a aquisição de uma empresa na área de petróleo. "Não tenho nenhuma relação com suas empresas [do doleiro]. Não conheço os seus sócios".

 

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