Paulo Vieira afirma que aceitaria acareação com Pagot

Ex-diretor da Dersa, empresa paulista responsável pela manutenção de rodovias no estado, garantiu que faria acareação com qualquer pessoa pois pode provar sua versão

O engenheiro civil Paulo Vieira de Souza, ex-diretor da Dersa, estatal responsável pela manutenção das rodovias de São Paulo, afirmou nesta quarta-feria (29) na CPI do Cachoeira, que aceita fazer uma acareação com o ex-diretor do Dnit Luiz Antônio Pagot. Ele listou também quem seriam os seus “detratores”  e disse que está processando todos eles. O engenheiro presta depoimento há quase sete horas. O engenheiro pediu para não ser chamado pelo apelido como ficou conhecido, "Paulo Preto", por considerá-lo "pejorativo".

 

“Eu aceitaria uma acareação com Pagot. Tenho ele na minha concepção como o melhor nível técnico. Mas em relação ao Rodoanel, por ele não ter participado e nem o Dnit, eu acho que  ficaria muito à vontade e ele em desvantagem, porque ninguém conhece mais a obra do que eu. [...] Aliás, eu aceito fazer acareação com qualquer outra pessoa do planeta Terra”, disse aos parlamentares.

A proposta foi feita pelo senador Randolfe Rodrigues (Psol-AP), por considerar que o depoimento de hoje contradiz o que foi dito ontem por Pagot na CPI. Segundo Paulo Vieira, a Advocacia-Geral da União (AGU) atestou que o Dnit era incompetente para assinar o Termo de Ajustamento de Conduta (TAC) para fazer um aditivo de R$ 264 milhões para as obras do Rodoanel de São Paulo. No entanto, Pagot disse que não assinou o TAC porque discordava do aditivo e não aceitou fazer a obra por empreitada global.

Pagot foi questionado também sobre uma entrevista em que afirmou que Paulo Vieira tentou aditar o contrato do Rodoanel para que parte do dinheiro fosse desviado para o caixa de campanha do então candidato à presidência pelo PSDB, José Serra. O ex-diretor do Dnit afirmou que relatou isso a um repórter ao contar uma conversa que teve com um amigo, e classificou a informação como fruto de uma “conversa de botequim”.

Segundo Paulo Vieira, seus maiores detratores são as revistas Época, IstoÉ e Carta Capital, e os jornalistas Paulo de Tarso Venceslau, dono do jornal Contato, e Paulo Henrique Amorim, editor do blog Conversa Afiada, por terem publicado reportagens contrárias a ele. Ele também colocou na lista o ex-ministro do governo Fernando Henrique Cardoso e vice-presidente do PSDB Eduardo Jorge e o ex-secretário do PSDB Evandro Losacco, que teriam dito à imprensa que o engenheiro tinha arrecadado R$ 4 milhões com empresários para a campanha de José Serra à Presidência em 2010 e teria desaparecido com o dinheiro. Ele citou ainda a delegada Nilze Baptista Scapulatiello, que o prendeu em 2010 sob acusação de portar uma joia roubada e o ex-deputado Celso Russomano, então pré-candidato ao governo paulista pelo PP, que testemunhou a prisão e disse que ele levava dinheiro nas meias.

Antes disso, Paulo Vieira afirmou que sua relação com o PSDB era apenas profissional e que nunca foi vinculado ao partido. Ele disse que doou R$ 5 mil para a campanha de Geraldo Alckmin, mas por doação pessoal. Ele disse também que tem uma representação contra a presidenta Dilma Rousseff, porque durante a campanha presidencial, Dilma teria perguntado ao então candidato José Serra quem era o engenheiro que teria sumido com R$ 4 milhões.

Batman e Robin

Paulo Vieira disse ainda que era não era o “Robin, mas o Batman das obras públicas” do estado de São Paulo. Ele explicou a comparação ao dizer que era a pessoa responsável pela gestão de cerca de R$ 13 bilhões em infraestrutura urbana. Ele ficou no cargo entre os anos de 2007 e 2010, quando foi exonerado pelo então governador Alberto Goldman. Paulo disse que Goldman não simpatizava com ele e por isso pediu a sua exoneração.

“O doutor Goldman como governador tem todo o direito de simpatizar ou não pelas pessoas”, disse. “Falavam que eu era o ‘super-homem' das obras, eu sou o ironman [Souza se disse triatleta e competidor]. Eu dizia que se precisarem de um incompetente, não me chamem. Mas se quiserem [obra] no prazo, paga bem que eu estou dentro, independentemente de partido, clero ou religião. Eu sou esse cara de quem ninguém gosta”, afirmou.

Remessas

Paulo Vieira garantiu ainda que não recebeu dinheiro da construtora Camargo Correia, segundo reportagem publicada pela revista Veja sobre a Operação Castelo de Areia, da Polícia Federal. "Nunca fui chamado, nunca fui citado, comunicado. Vi [meu nome em] uma lista apócrifa”, afirmou, em relação à lista em que seu nome aparece como um dos beneficiários. A PF apurou suposto esquema de remessa ilegal de dinheiro da construtora Camargo Corrêa para o exterior por intermédio de doleiros que atuam no Brasil e em outros países.

As investigações apontaram supostas doações ao PPS, PSB, PDT, DEM, PP e PSDB, e outras três siglas foram deixadas de fora do relatório final por falta de provas: PT, PTB e PV. Segundo a PF, os três partidos foram citados em um contexto em que se fala em recibos de doação, o que teria dado a entender aos delegados do caso que seriam repasses feitos dentro da lei.

Segundo o senador Álvaro Dias (PSDB-PR) a convocação de Paulo Vieira  foi um equívoco político. “Tinha um determinado motivo politico, mas foi favorável a ele que veio fazer um passeio aqui. Passeou como se estivesse na USP [Universidade de São Paulo] com seus colegas triatletas. E foi um equívoco porque foi baseada em uma "conversa de bêbado", afirmou o senador.

Em depoimento prestado ontem à CPI, o ex-diretor do Dnit Luiz Antônio Pagot minimizou as acusações que, segundo a revista IstoÉ, ele havia feito em relação ao desvio de recursos públicos envolvendo o PSDB em São Paulo. De acordo com a edição da primeira semana de junho da revista, Pagot acusou o PSDB de desviar recursos das obras do trecho sul do Rodoanel, em São Paulo, para financiar a campanha presidencial de José Serra em 2010. Mas, segundo o ex-diretor do Dnit, as declarações registradas pelo repórter da revista não passaram de“conversa de bêbado em botequim”.

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Com informações da Agência Câmara

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