Patrimônio de Marcos Valério cresceu 60 vezes em sete anos

Apontado como um dos operadores do mensalão, o publicitário Marcos Valério Fernandes teve o seu patrimônio aumentado em 60 vezes nos últimos sete anos. De acordo com reportagem do Bom Dia Brasil, da Rede Globo, o valor dos bens declarados pelo empresário à Receita Federal saltou de R$ 230 mil, em 1997, para R$ 14 milhões, em 2004. A evolução patrimonial de Valério se acentuou em 2002, quando declarou possuir R$ 3,8 milhões. No ano seguinte, o primeiro do atual governo, seus bens somavam R$ 6,7 milhões.

Aplicações em investimentos, 16 imóveis, dez fazendas no interior da Bahia e participações em empresas compõem o patrimônio declarado pelo publicitário no ano passado. Parte dos bens, segundo o Bom Dia Brasil, está em nome de suas empresas e de sua esposa, Renilda Fernandes de Souza. A Polícia Federal apura a origem do enriquecimento de Valério, que, segundo o deputado Roberto Jefferson (PTB-RJ), entregaria malas de dinheiro a deputados, em troca de apoio ao governo nas votações.

Ontem a CPI dos Correios aprovou a quebra do sigilo bancário, fiscal e telefônico de cinco empresas do publicitário. Entre elas, a SMP&B e a DNA Propaganda, agências que têm contratos com a estatal. No dia anterior, já havia determinado a quebra do sigilo da pessoa física do publicitário. Nos dois casos, as investigações vão se estender aos últimos cinco anos. A CPI também decidiu quebrar o sigilo da mulher do empresário e de Fernanda Karina Somaggio, ex-secretária de Marcos Valério, que o acusa de ser operador do mensalão. Os dois vão depor na CPI na próxima quarta-feira e podem ser submetidos a uma acareação.

As suspeitas sobre Valério cresceram na última semana. Relatório do Conselho de Controle de Atividades Financeiras (Coaf) revela que, entre julho de 2003 e maio deste ano, foram sacados R$ 20,9 milhões em dinheiro vivo das contas das duas agências do publicitário no Banco Rural. Em entrevista à revista Veja, ele alegou que o montante teria sido usado na compra de gado. Anteontem, em depoimento à Polícia Federal, o empresário contou que o dinheiro foi usado na compra de ativos, no pagamento de fornecedores e na distribuição de lucros entre seus sócios nas agências DNA e SMP&B. Não informou, porém, quais ativos foram comprados e quem são os fornecedores das duas agências.

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