Patrimônio de investigado na Lava Jato cresce 137% em quatro anos

O doleiro Alberto Youssef e o ex-diretor da Petrobras Paulo Roberto Costa disseram em depoimentos que Meurer recebeu, na campanha de 2010, ao menos R$ 4 milhões que tinham como origem propinas pagas na Diretoria de Abastecimento da Petrobras

Reportagem da Folha de S. Paulo destaca crescimento de patrimônio do deputado federal Nelson Meurer (PP-PR), apontado pelo doleiro e pelo ex-diretor da Petrobras Paulo Roberto Costa como um dos principais beneficiários da distribuição de dinheiro no PP. Entre a eleição de 2010 e a do ano passado, Meurer aumentou seu patrimônio de R$ 1,5 milhão para R$ 4,7 milhões. Descontada a inflação, o aumento real é de 137%. Na lista dos bens declarados, estão R$ 762 mil guardados em casa ou em um cofre.

Na declaração à Justiça Eleitoral em 2014, passaram a integrar sua lista de bens dois barcos, um jet-ski e mais três automóveis. Entre as duas eleições, ele deixou de ser proprietário de um supermercado no Paraná. A maior parte do valor de seu patrimônio vem de um terreno rural na cidade de Francisco Beltrão, estimado em R$ 3,1 milhões, que Meurer diz que já era seu.

Com 72 anos, Nelson Meurer é um dos 32 políticos do partido que tiveram pedidos de investigação autorizados no Supremo Tribunal Federal na semana passada. Próximo a José Janene, que comandava o partido até morrer em 2010, o paranaense foi descrito na delação como integrante de um grupo que liderava a sigla e distribuía dinheiro a colegas. Youssef afirmou que os repasses eram mensais a Meurer e outros líderes da sigla, incluindo o ex-ministro Mario Negromonte (PP-BA), destaca a reportagem. Em 2011, Meurer foi eleito líder do partido na Câmara. Youssef afirmou que a escolha ocorreu mediante pagamento de valores correligionários, que somavam R$ 5 milhões.

O deputado durou poucos meses no cargo. À época, o PP vivia uma intensa disputa interna, que culminou com a saída de Negromonte do Ministério das Cidades. O doleiro afirmou que o motivo da rusga havia sido a diminuição dos repasses aos demais membros do partido diante de um auto-favorecimento do grupo de líderes.

Leia reportagem da Folha de S.Paulo

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