Partidos oficializam candidaturas em São Paulo

PT, PSDB, PRB e Psol confirmam os nomes de Haddad, Dória, Russomanno e Erundina na disputa pelo comando da maior cidade do país. PMDB, que anunciará Marta no próximo fim de semana, negocia para ter Andrea Matarazzo como vice

Quatro partidos oficializaram neste domingo (24) os nomes de seus candidatos à prefeitura de São Paulo, o maior colégio eleitoral do país. O atual prefeito, Fernando Haddad (PT), a ex-prefeita Luiza Erundina (Psol), o deputado federal Celso Russomanno (PRB) e o empresário João Dória (PSDB), estreante em eleições, tiveram suas candidaturas confirmadas por suas respectivas legendas. Também foram anunciados os nomes dos vices.

Dos principais concorrentes, apenas a peemedebista e ex-prefeita Marta Suplicy (PMDB) e o ex-tucano Andrea Matarazzo (PSD) ainda não tiveram suas candidaturas oficializadas, o que deve ocorrer até o próximo fim de semana. A senadora tenta convencer Andrea a desistir da disputa para ser vice. Ele ainda resiste. O prazo para a definição dos candidatos em todo o país se encerra no próximo dia 5.

Entre os candidatos confirmados na capital paulista, um teve de enfrentar prévias internas meses atrás: João Dória. A candidatura do empresário dividiu o partido e resultou na desfiliação de Andrea Matarazzo, que pretendia disputar a eleição pelo partido, e sua filiação ao PSD.

Haddad

Com a presença do ex-presidente Lula e de outras lideranças petistas, o PT oficializou a candidatura à reeleição do prefeito Haddad e a aliança com o PDT, o PR, o PCdoB e o Pros. O candidato a vice na chapa será o ex-secretário municipal de Educação e ex-deputado Gabriel Chalita (PDT).

O prefeito fez referência ao atual momento político do país. "O que está acontecendo no país é um retrocesso, do ponto de vista civil, do ponto de vista político, do ponto de vista trabalhista e do ponto de vista social. Se não tivermos consciência disso, não vamos para a rua com a energia necessária para ganhar a eleição. Mas, se tivermos consciência histórica do que nos cabe neste momento, vamos oferecer à sociedade de São Paulo o que ela nunca vislumbrou, que é um projeto de cidade consolidada”, discursou o prefeito.

O ex-ministro Ciro Gomes (PDT) também participou do evento, que ainda contou com a presença do ex-senador Eduardo Suplicy e do presidente do PT, Rui Falcão. A presidente afastada Dilma Rousseff enviou mensagem de apoio a Haddad. Lula disse que esta será possivelmente a eleição mais difícil para o partido em São Paulo. "Nós sempre tivemos problemas com a elite de São Paulo. É nesse clima que temos que provar que nossa força de vontade, garra e causa pode fazer a diferença", defendeu.

Russomanno

O PRB confirmou a candidatura de Russomanno, deputado federal com o maior número de votos na atual legislatura, cerca de 1,5 milhão de votos. O vice dele não foi anunciado, mas deve sair de algum dos três partidos aliados: o PSC, o PTN e o PEN. Na eleição de 2012, Russomanno liderou quase todas as pesquisas no primeiro turno, mas acabou ficando na terceira colocação, superado por Haddad e José Serra (PSDB), que passaram ao segundo turno.

O candidato prometeu administrar São Paulo com serviços de qualidade e como um “zelador”, e não como um “síndico”: “Porque é o zelador que vai na ponta e vê o cano estragado". O deputado disse não temer que sua candidatura seja impugnada com base na Lei da Ficha por causa de uma ação que corre contra ele no Supremo Tribunal Federal (STF) por peculato devido à contratação de uma funcionária de sua produtora como sua assessora na Câmara.

Dória

Após longo desgaste interno, o PSDB confirmou João Dória como candidato a prefeito e o deputado Bruno Covas (PSDB) como seu vice. A divisão no partido foi expressada neste domingo pela ausência de personagens importantes. O ex-governador Alberto Goldman (PSDB) e senador José Aníbal (PSDB-SP), críticos ácidos da escolha de Dória, faltaram. O ministro das Relações Exteriores, José Serra, que estava no Rio participando de atos relacionados aos Jogos Olímpicos, e o ex-presidente Fernando Henrique Cardoso também não foram ao evento.

Outro ausente, o presidente da legenda, senador Aécio Neves (PSDB-MG), enviou vídeo com mensagem em que defende a unidade entre os tucanos para vencer a eleição. Os ministros Alexandre de Moraes (Justiça) e Bruno Araújo (Cidades), os governadores Geraldo Alckmin (São Paulo) e Marconi Perillo (Goiás), além de lideranças tucanas no Congresso acompanharam a convenção.

A coligação liderada pelo PSDB é a mais numerosa. Reúne PSB, DEM, PTC, PMB, PHS, PV, PPS, PP, PRP e PTdoB. Bancado por Alckmin, Dória foi escolhido após vencer as prévias da sigla. "Vamos unir cada vez mais. Quem une 11 partidos ao seu lado tem a capacidade de agregar valores em seu próprio partido", disse.

Erundina

Quase três décadas depois de se tornar a primeira mulher a comandar a maior cidade do país, a ex-prefeita Luiza Erundina propôs uma campanha eleitoral pedagógica. "Temos que fazer uma campanha pedagógica, para ensinar a política e resistir ao golpe e aos retrocessos. Eu não ficarei no gabinete, vou andar por toda a cidade. Vou ser a prefeita que conversa com as pessoas; irei até os problemas", defendeu.

A atual deputada federal disse que é preciso inverter as prioridades na atual gestão da cidade. "Queremos fazer de São Paulo uma cidade das pessoas, invertendo prioridades e dando poder de decisão ao povo. Contra o vale da tudo da política tradicional, acreditamos que sim, os sonhos podem governar", afirmou. Erundina, que foi prefeita de São Paulo entre 1989 e 1993 pelo PT, terá como vice o ex-petista Ivan Valente, também deputado federal pelo Psol. "A possibilidade de estarmos no segundo turno, com o conhecimento que a população de São Paulo tem de Erundina, é muito grande", disse Valente. A chapa terá o apoio do PCB.

O primeiro turno da eleição municipal será realizado no dia 2 de outubro. Nos municípios com mais de 200 mil eleitores em que nenhum dos candidatos obtiver mais da metade dos votos válidos haverá nova rodada de votação no dia 30 do mesmo mês. O prazo da propaganda eleitoral em rádio e TV será mais curto a partir deste ano, conforme lei aprovada pelo Congresso: de 26 de agosto a 29 de setembro.

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