Partidos da base de apoio ao governo Temer brigam por poder nas comissões do Senado

Com uma pequena bancada, parlamentares do DEM ficam sem poder no Senado apesar de ser uma legenda fiel ao governo, inclusive com ministros de Estado

 

 

A ocupação das presidências das comissões permanentes do Senado provocou uma crise entre os partidos que apoiam o governo do presidente Michel Temer nesta terça-feira (14).  Os dois maiores partidos governistas – PMDB e PSDB – escolheram presidir os colegiados mais importantes e por onde passarão projetos e emendas constitucionais de interesse do governo, como as reformas da Previdência, Tributária e Trabalhista, já em discussão no Congresso. A divisão do poder no Senado criou insatisfação de aliados que têm ministros de estado, como o DEM.

O partido liderado pelo senador Ronaldo Caiado (GO) e presidido pelo senador Agripino Maia (RN), apoiadores de primeira hora do impeachment e com um dos seus deputados, Mendonça Filho (PE), nomeado para o ministério da Educação, ficou com a comissão Senado do Futuro. Criado na gestão Renan Calheiros para acomodar aliados, o colegiado de atribuições pouco definidas é encarregado de discutir assuntos sem pressa e de importância verificável apenas em longo prazo. Com a eleição de apenas quatro senadores e hoje com três parlamentares, depois da saída de Wilder Moraes (PP-GO), o DEM reclama que ficou sem poder no Senado.

Sem poder para exigir um posto melhor nas comissões porque só elegeu quatro senadores, o DEM não teve como reivindicar cargos mais poderosos. O partido é um dos mais fiéis as propostas de reformas propostas por Temer, mas não Terá condições de coordenar debates, votações e influenciar nos textos finais da nova legislação.

Com poucas reuniões, a Comissão Senado do Futuro tem sempre baixo quórum e discute temas tão genéricos como “Desenvolvimento Sustentável na América Latina – sustentabilidade e agenda de 2030”, “Saúde e Alimentação Para o Futuro”, Educação, “Ciência e Inovação para o Futuro”. Todos os temas importantes, mas longe do interesse do dia a dia dos senadores.

PMDB

Com 21 senadores, o PMDB ficou com as comissões mais poderosas – a de Constituição e Justiça, presidida pelo senador Edison Lobão (MA), que vai sabatinar o ex-ministro da Justiça Alexandre Moraes, indicado para o Supremo Tribunal Federal, a de Infra estrutura que discutirá os investimentos em estradas, portos, aeroportos e ferrovias, e a de Assuntos Sociais. O partido também pretende ficar com a Comissão de Desenvolvimento Regional. Com 12 senadores, o PSDB ficou com as presidências das Comissões de Assuntos Econômicos (com o senador Tasso Jereissati (CE) e reivindica a de Meio Ambiente e Fiscalização e Controle.

A terceira bancada em tamanho, o PT, ficou com as presidências das Comissões de Direitos Humanos e de Desenvolvimento Regional. O PP escolheu a presidência da Comissão de Reforma Agrária e Agricultura e o PSB ocupará a presidência da Comissão de Educação. Os cinco senadores do PSD escolheram a Comissão de Ciência e Tecnologia e a presidência ficará a cargo do senador Otto Alencar (BA), afinado com o ministério da área ocupado por Gilberto Kassab, presidente da legenda. Por tradição, a Comissão de Relações Exteriores ficou com o senador Fernando Collor, apesar de ser o único parlamentar do seu partido, o PTC. Ainda falta escolher o partido que comandará a comissão de Transparência e Gestão.

 

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