Parlamentares repercutem decisão da Comissão do Impeachment

Enquanto oposição comemora resultado obtido no colegiado, base aliada ao governo afirma que votação não atingiu dois terços dos parlamentares da comissão, e mantém discurso confiante para análise do processo contra presidente Dilma Rousseff em plenário da Câmara

A votação que garantiu na Câmara o andamento do parecer favorável ao impeachment da presidente Dilma Rousseff, por 38 votos contra 27, provocou as mais diversas reações entre parlamentares. Logo após o término da sessão da Comissão Especial do Impeachment desta segunda-feira (11), que durou mais de dez horas, deputados se manifestaram, principalmente, por meio das redes sociais.

A deputada Jandira Feghali (PCdoB-RJ) destacou em sua conta oficial no Twitter, assim que a votação chegou ao término, que apesar da maioria conquistada na comissão o número de deputados que votaram a favor do andamento do processo contra Dilma não corresponde aos dois terços necessários para a aprovação do texto em plenário.

"Enquanto a oposição comemora, é preciso fazer uma análise dos votos na comissão. Eles não conseguiram dois terços dos votos. E não o terão no plenário. Querem chegar mais rápido ao poder! Não pensam no povo nem por um segundo! Governo se forma no voto. Não no tapetão", afirmou a parlamentar governista.

Essa também foi a avaliação do deputado Paulo Teixeira (PT-SP). Assim como Jandira, Paulo também utilizou seu Twitter para enfatizar que o número não atinge o contingente necessário para que o impeachment seja aprovado em plenário. Já o deputado Zé Geraldo (PT-PA) ponderou que a oposição esperava ter 66% dos votos, mas só conquistou 58% na aprovação do "relatório do golpe".

Por sua vez, o deputado Mendonça Filho (DEM-PE) afirmou por meio de seu perfil no Facebook que a Câmara dos Deputados deu um passo "decisivo" para o impeachment na sessão de hoje (segunda, 11). O parlamentar pediu ainda para que a parcela da sociedade que apoia o processo de impedimento pressione deputados que se mostram indecisos ou contra as denúncias formalizadas pelos juristas Hélio Bicudo, Miguel Reale Júnior, Janaína Paschoal e Flávio Costa.

"A Câmara dos Deputados deu um passo decisivo para o Impeachment da presidente Dilma ao aprovar por 38 votos, cinco a mais que o necessário, o parecer do deputado Jovair Arantes (PTB-GO) pela admissibilidade do processo de afastamento da presidente. Vamos agora pra próxima no plenário. Continue pressionando os deputados do seu Estado pra garantir a vitória do impeachment", disse.

Líder do PSDB na Câmara, Antônio Imbassahy (BA) enfatizou que, agora, o impeachment está "mais perto". "Foi extraordinário o resultado da votação na Comissão Especial do Impeachment: 38 a 27. Detalhe: a base do governo recorreu ao Supremo Tribunal Federal para que a comissão tivesse essa formação e, mesmo assim, não conseguiu barrar o relatório favorável ao afastamento da presidente Dilma. Esse placar terá forte efeito sobre a votação no plenário da Câmara, que deve ocorrer no domingo. Vamos em frente. A sociedade precisa continuar mobilizada até o último minuto", declarou, também pelo Facebook.

Ao término da sessão, parlamentares seguiram para o Salão Verde da Câmara. No plenário, o presidente da Casa, Eduardo Cunha (PMDB-RJ), esperava para abrir a Ordem do Dia, a fim de iniciar deliberações sobre a pauta legislativa. Mesmo com a Medida Provisória 715/16 e o Projeto de Lei 4495/16 pautados para votação e trancando os trabalhos de plenário, foi necessário adiar a apreciação das matérias para amanhã (terça, 12). Ao informar a decisão, deputados continuaram em plenário fazendo discursos a favor e contra a decisão da Comissão Especial do Impeachment.

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