Parlamentares não se entendem sobre rumos da CPI do Cachoeira

Relator da comissão, Odair Cunha diz já ter até parecer pronto para discussão, mas há quem queira prorrogação de 180 dias

O relator da CPI do Cachoeira, deputado Odair Cunha (PT-MG), foi um dos porta-vozes do impasse a que chegou a reunião, realizada nesta terça-feira (30) no Senado, sobre os próximos rumos da comissão mista instalada em maio. A quatro dias do fim do prazo inicial para entrega de relatório, deputados e senadores ainda não se decidiram entre quatro alternativas – algumas criticadas com veemência por alguns parlamentares: entrega imediata do relatório, a cargo de Odair; prorrogação por 48 dias; por 180 dias, almejada principalmente pela oposição; e quebra de novos sigilos em troca de mais prazo para a conclusão dos trabalhos – alternativa apontada pelo único representante do Psol no Senado, Randolfe Rodrigues (AP).

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Odair diz que, independentemente do que aconteça, já tem relatório pronto para ser apresentado. “Não houve acordo por parte das lideranças. Cada liderança no Senado e na Câmara tem, agora, responsabilidade por colher assinaturas devidas e necessárias para a aprovação [de requerimento de prorrogação]. É um ato automático: conseguidas as assinaturas, haverá prorrogação para o tempo que aquele requerimento assim estabelecer”, declarou Odair, à saída do gabinete da liderança do PMDB no Senado – onde o presidente da CPI, Vital do Rêgo (PMDB-PB), permaneceu realizando contatos, por telefone, para a coleta de assinaturas. São necessárias 27 adesões de senadores e 171 de deputados para a aprovação de requerimento, a ser aprovado em plenário.

Segundo Odair, 150 assinaturas de deputados já haviam sido asseguradas para a prorrogação de 180 dias – no Senado, 35 foram obtidas por meio de articulação dos senadores Randolfe Rodrigues e Pedro Taques (PDT-MT). O prazo apertado para a deliberação – ainda mais com o feriado de Finados na próxima sexta-feira (2) – não preocupa Odair. “Eu não trabalho com a hipótese de não haver prorrogação. Nós tivemos um acordo de líderes, e esperamos que os líderes honrem esse acordo. Claro, nós teremos uma prorrogação que viabilize, no mínimo, a leitura, discussão e votação do nosso relatório”, acrescentou o petista.

Como no próximo domingo (4) encerra-se o prazo inicial de 180 dias para que o colegiado apresente relatório, ao menos uma decisão dos membros da CPI foi tomada. Depois quase quatro horas de muito vai-e-vem no gabinete da liderança peemedebista, decidiu-se que tudo será resolvido amanhã (quarta, 31), a partir das 10h, em reunião do plenário do colegiado. À parte a necessidade de aprofundamento dos trabalhos, há quem defenda ao menos uma medida que dê subsídios a órgãos de investigação além de uma comissão parlamentar de inquérito, como o Ministério Público Federal.

“Fundamental é a quebra de sigilo”, sentenciou Randolfe, referindo-se às três dezenas de empresas fantasmas, além de pessoas físicas, que ainda constam das investigações da Polícia Federal, muitas delas apontadas como mecanismo do esquema criminoso operado por Carlos Cachoeira, a partir de Goiás. O senador do Psol é um dos que preferem abrir mão da prorrogação em nome das quebras de sigilo fiscal, bancário e telefônico.

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