Parlamentares não chegam a acordo sobre CPI do Cachoeira

Extensão da investigação é motivo de discórdia entre deputados e senadores, e adia o recolhimento de assinaturas para a criação da comissão de inquérito

Mais de 24 horas após o acordo entre os presidentes da Câmara, Marco Maia (PT-RS), e do Senado, José Sarney (PMDB-AP), deputados e senadores não conseguiram chegar a um acordo sobre o texto do requerimento da CPMI do Cachoeira. Líderes afirmam que o problema é a amplitude da investigação. A expectativa é que o documento esteja pronto até amanhã para que a coleta de assinaturas comece.

"Temos que chegar a um termo que não seja muito amplo nem tão restrito", afirmou o líder do PT na Câmara, Jilmar Tatto (SP). De acordo com o petista, os partidos estão divergindo sobre "pontos e vírgulas". "O problema é que todos os partidos resolveram apoiar a CPI. Se fosse iniciativa de apenas um, o requerimento já estaria pronto e as assinaturas seriam colhidas", disse.

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Entre as divergências na amplitude das investigações, está a possibilidade de agentes privados serem alvo da CPMI. Parte dos deputados rejeita que empresas sejam investigadas pela comissão. Em especial, a construtura Delta. A Polícia Federal suspeita que a empreiteira tenha conexão com o bicheiro. Através do pagamento de propinas por conexões com o bicheiro, a Delta supostamente teria vantagens em contratos em diversos estados e no Distrito Federal.

A expectativa dos deputados é que o texto esteja pronto até amanhã. O recolhimento de assinaturas, apontam, não será um problema. "Assim que o requerimento estiver pronto, vamos ter fila para assinar", opinou Tatto. No entanto, a oposição na Câmara já se movimenta para apresentar um requerimento amanhã, caso não ocorra acordo no texto preparado pelos líderes governistas.

Para o líder do PT, a CPMI já poderia ter sido criada caso os senadores tivessem apoiado a intenção inicial da Câmara. O deputado Delegado Protógenes (PCdoB-SP), antes de apresentar um requerimento de comissão na Casa, tinha a intenção de recolher assinaturas para um colegiado misto. Porém, o Senado desejava, inicialmente, apenas abrir um processo no Conselho de Ética contra o senador Demóstenes Torres (sem partido, ex-DEM-GO).

Com a recusa do Supremo Tribunal Federal (STF) em liberar documentos da Operação Monte Carlo para o Senado, voltou a ter força a criação de uma CPI mista. Ontem (10), Maia e Sarney se reuniram para definir a criação de um colegiado. Ele terá 11 deputados e 11 senadores titulares, e o mesmo número de suplentes. A presidência deve ficar com o PMDB do Senado e a relatoria com o PT da Câmara. O requerimento deve ser lido em sessão do Congresso para a CPMI ser criada.

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