Parlamentares da CPI rechaçam acordo para encerrar investigações

Deputados e senadores decidirão na semana que vem sobre a prorrogação dos trabalhos, mas relator já trabalha para concluir relatório final até 4 de novembro

Na volta dos trabalhos da CPI do Cachoeira, os parlamentares que integram o colegiado repudiaram as notícias divulgadas nesta semana de que há um acordo para encerrar os trabalhos da CPI sem concluir as investigações. Mas, ao mesmo tempo, não se comprometeram com a prorrogação das investigações. Em princípio, a CPI tem previsão de encerrar seus trabalhos no dia 4 de novembro, e ainda há vários requerimentos e propostas de linha de investigação que não foram analisados.

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Desde a semana passada, interlocutores do colegiado já assumiam a possibilidade de o relator da CPI, deputado Odair Cunha (PT-MG), entregar o relatório final. Assim que o fizesse, os demais parlamentares do PT e PMDB pressionariam pelo fim da CPI, que tem data para acabar em 4 de novembro, mas pode ser prorrogada por mais 180 dias.

Nos bastidores, a ideia é de que o avanço nas investigações sobre a construtora Delta pode constranger tanto pessoas ligadas a partidos da base quanto da oposição. Odair Cunha, poré, rebateu as acusações e afirmou que já está produzindo o seu relatório para cumprir os prazos. “Como trabalho com prazo, eu levo em conta a produção do relatório. Não posso esperar a CPI acabar para pensar no relatório. [...] Não estou admitindo e nem negando a prorrogação. Estou fazendo o relatório”, afirmou.

A reunião de hoje foi marcada para ouvir o depoimento do deputado Carlos Alberto Leréia (PSDB-GO), que segundo investigações da Polícia Federal, teria recebido dinheiro do esquema de Cachoeira, além de ter alertado o contraventor sobre uma operação policial. Após as denúncias, o deputado disse ser amigo de Cachoeira, mas negou qualquer relação com o jogo ilegal. As reuniões da CPI foram suspensas durante o mês de setembro devido ao primeiro turno das eleições municipais.

No início da reunião, os poucos parlamentares presentes decidiram adiar a reunião administrativa que estava marcada para esta quarta-feira (10) porque admitiram que não haveria quórum suficiente para deliberações. Ficou marcada então, uma reunião entre os líderes partidários que integram a CPI na próxima terça-feira (16) para discutirem a prorrogação dos trabalhos. Na quarta-feira (11), o colegiado se reúne para sessão administrativa, em que há mais de 500 requerimentos para serem votados.

A possibilidade de prorrogação da CPI foi levantada no início da reunião pelo senador Randolfe Rodrigues (Psol-AP). Ele afirmou que já está passando na mão dos parlamentares um documento a ser assinado por aqueles que concordam que o colegiado precisa de mais tempo para concluir os trabalhos.  Para ser prorrogada, é necessário que um terço da Câmara e um terço do Senado assinem o documento, o que equivale a 171 deputados e 27 senadores. Se o relatório final não for aprovado, os trabalhos são encerrados sem conclusão.

No entanto, segundo o jornal Folha de S. Paulo, o encerramento dos trabalhos pode acontecer mesmo com o pedido de prorrogação dos trabalhos. O jornal afirmou que PT e PMDB já fecharam o acordo para o fim da CPI e que essa seria a vontade do Palácio do Planalto, “que prefere encerrar os trabalhos a expor o governo a riscos”.

Para Randolfe, a CPI ainda precisa receber informações relacionadas às empresas fantasmas que tinham relação com a Delta. "Ainda são quase 500 requerimentos para analisar, por isso torna-se necessário a prorrogação", disse o senador.

Para o líder do PSDB no Senado, Álvaro Dias (PR), a missão da CPI a partir de agora deve ser investigar os mais de R$ 500 milhões em recursos que foram repassados pela Delta a empresas laranjas, "possivelmente para pagamento de propina". "Apenas iniciamos as investigações. Não podemos encerrar no meio", disse.

No entanto, para o deputado Sílvio Costa (PT-PE) a prorrogação só deve acontecer se algumas premissas forem estabelecidas previamente. “Qual é a agenda dessa CPI? De um lado o PT querendo pegar o Perilo [ Marconi Perillo, governador de Goiás]. Do outro, o PSDB querendo pegar o Agnelo [Queiroz, governador do Distrito Federal]. [...] Temos que prorrogar sim, mas temos que ter uma nova tecnologia de investigação. Qual será o novo critério de trabalho dessa CPI?”, questionou.

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