Parlamentares brigam e manifestantes são expulsos após abaixarem as calças

A votação da MP que endurece as regras para a concessão de pensão por morte gerou uma série de protestos na Câmara. Dois manifestantes que acompanhavam a votação na galeria do Plenário abaixaram as calças em sinal de protesto contra a MP

A votação da Medida Provisória 664/14, que endurece as regras para a concessão de pensão por morte, já gerou uma série de protestos na Câmara dos Deputados. Parlamentares da base e da oposição brigaram no meio da sessão e dois manifestantes, que acompanhavam a votação na galeria do Plenário, abaixaram as calças em sinal de protesto contra a MP. Por conta as manifestações, o presidente da Casa, Eduardo Cunha (PMDB-RJ), foi obrigado a suspender temporariamente a votação.

O primeiro tumulto ocorreu quando parlamentares se estranharam após o deputado José Gerardo (PT-PA) tentar retirar de Plenário uma faixa de protesto contra o governo. A faixa vinha sendo erguida por congressistas contrários à MP. Nela, estava escrita a frase “o PT traiu os mais humanos – desempregados, pescadores e viúvas”.

Depois disso, parlamentares da oposição gritaram o refrão do samba “Vou Festejar”, que diz “você pagou com traição / a quem sempre lhe deu a mão”, em referência ao PT. Alguns sacudiram bandeiras negras e outros ainda estenderam um pano negro abaixo da mesa do Plenário.

Logo em seguida, dois manifestantes ligados à Força Sindical aproveitaram o tumulto e abaixaram as calças em sinal de protesto contra a MP. O protesto já era esperado desde o início da tarde. Após o protesto, todos os membros da Força que acompanhavam a votação na galeria da Câmara foram expulsos.

A sessão de votação ocorre de forma tensa. O líder do PSDB, deputado Carlos Sampaio (SP), afirmou que a medida provisória apresenta a face “cruel e perversa” do PT. “O governo apresenta uma medida provisória para atingir os direitos das viúvas de todo o Brasil. A presidente Dilma apresentou uma MP restringindo a pensão”, disse.

Para o líder do SD, deputado Arthur Oliveira Maia (BA), é chocante a presidente Dilma Rousseff ter quebrado a palavra de que não mexeria em direitos trabalhistas. “Irresponsável é a presidente Dilma, o PT e seus assemelhados”, disse o líder do PPS, deputado Rubens Bueno (PR).

Alguns parlamentares da base aliada também criticaram a medida. O líder do PDT, deputado André Figueiredo (CE), reafirmou que o partido manterá a posição contra as medidas do ajuste fiscal. Na última semana, todos os 19 deputados da legenda – que faz parte da base aliada – votaram contra a MP do seguro-desemprego (MP 665/14). “Não contabilizem os votos do PDT a essas medidas que são frontalmente contra nossos princípios”, disse Figueiredo.

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