Para relator da CPI, depoimento de Leréia pode complicar sua situação

Odair Cunha avaliou que as relações de Carlos Alberto Leréia com Carlinhos Cachoeira são comprometedores. Relator afirmou que relatório final será entregue em três semanas mas não revelou se apoia a prorrogação dos trabalhos da CPI

O relator da CPI do Cachoeira, deputado Odair Cunha (PT-MG) avaliou nesta terça-feira (9) que o depoimento prestado pelo deputado Carlos Alberto Leréia (PSDB-GO) o coloca em uma situação complicada diante das investigações que analisam a relação do bicheiro Carlos Cachoeira com parlamentares e agentes públicos.

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"O depoimento deixa evidentes os vínculos pessoais, comerciais e patrimoniais do deputado Leréia com Carlos Cahcoeira, chefe da organização criminosa. Isso [quebra de decoro parlamentar] será, claro, analisado pelo Conselho de Ética da Câmara, mas os vínculos são comprometedores", avaliou Odair, que classificou a situação do colega como "muito similar à do ex-senador Demóstenes Torres", cassado em julho, acusado de ter usado seu mandato para beneficiar o bicheiro.

Segundo Odair, o relatório final deve ser entregue, no máximo, em três semanas, a tempo de ser votado pelo plenário do colegiado antes do prazo final de funcionamento da CPI em 4 de novembro. "Vamos apresentar o relatório com os dados que tivermos em mãos. A grande maioria dos dados importantes nós já temos e já podemos produzir um relatório consistente", disse o relator.

No entanto, a CPI ainda poderá ser prorrogada por mais 180 dias. Para isso, é necessário que 171 deputados e 27 senadores assinem um documento pedindo a prorrogação dos trabalhos. O senador Randolfe Rodrigues (Psol-AP) iniciou a coleta de assinaturas hoje. Segundo ele, quatro deputados e três senadores já assinaram. "Ainda é muito pouco, mas estamos apenas começando", disse.

No início da reunião de hoje, o presidente da CPI, senador Vital do Rêgo (PMDB-PB) marcou para a próxima terça-feira (16) uma reunião com os líderes partidários para discutir a questão. Porém, Randolfe avalia que tal encontro é inócuo. "A deliberação da CPI por si só não sustenta a prorrogação. Precisamos das assinaturas. Por isso, seja qual for a decisão na semana que vem, continuaremos recolhendo apoio", disse.

Mesmo com o Congresso funcionando ainda em esforço concentrado, devido às eleições municipais, Randolfe acredita que não será difícil preencher o número total de assinaturas. "Basta querer", disse.

No entanto, há uma possibilidade aventada nos bastidores de que deputados e senadores operem para encerrar a CPI logo após a apresentação do relatório final. Segundo o jornal Folha de S. Paulo, PT e PMDB operam um acordo para que as investigações sejam encerradas. Segundo um dos parlamentares membros da CPI, governo e oposição temem o que pode ser revelado com o avanço das investigações. O governo teme que as relações da empresa Delta, maior empreiteira do PAC, revele relações políticas ilícitas e a oposição teme que o governador de Goiás, Marconi Perillo (PSDB) seja ainda mais envolvido no esquema.

Odair rebateu as acusações e disse que não há acordo nenhum. "Estamos no Congresso Nacional. Aqui as decisões são colegiadas e é claro que os partidos estão discutindo a necessidade ou não de prorrogação da CPI. O que posso afirmar claramente é que não há acordo nenhum. Vamos produzir uma reunião com os líderes partidários para decidir isso", afirmou. Questionado se é a favor ou contra  a prorrogação, o deputado se esquivou e disse apenas que a decisão será colegiada.

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