Pedido de prisão de Lula fortalece protestos, diz Kim Kataguiri

Coordenador do Movimento Brasil Livre entende que o momento político conturbado vai mobilizar o público a comparecer aos protestos marcados para domingo

Tânia Rêgo/Agência Brasil
A mobilização agendada para o próximo domingo (13) ganhou um reforço de última hora: o pedido de prisão preventiva do ex-presidente Lula expedido pelo Ministério Público de São Paulo nessa quinta-feira (10). É o que aposta o ativista Kim Kataguiri, coordenador do Movimento Brasil Livre (MBL), uma das organizações responsáveis pelos protestos pró-impeachment da presidente Dilma Rousseff. “Em termos de mobilização, foi positivo sim para o dia 13, sem dúvida”, disse Kim ao Congresso em Foco.

Em sua página no Facebook, o ativista divulgou um vídeo comentando o pedido de prisão preventiva do petista. “Tudo indica que o Lula, ‘a alma mais honesta do país’, vai ser preso”, afirma o ativista na gravação. Ao comentar a postura mais cautelosa adotada pela oposição ao comentar o fato, Kim disse que este posicionamento está calcado no embasamento jurídico do pedido, o qual ele ainda não teve tempo de ler. “Mas, em termos de mobilização, independentemente da posição da oposição, o dia 13 tende a ser maior por conta desse novo fato político”, avalia.

Aos 20 anos, Kim Kataguiri é calouro do curso de Direito do Instituto de Direito Público, em São Paulo. A instituição tem como coordenador científico o ministro do Supremo Tribunal Federal (STF) Gilmar Mendes. Antes disso, chegou a iniciar o curso de Ciências Econômicas na Universidade Federal do ABC, mas abandonou. Por sua atuação frente às mobilizações pelo impeachment da presidente Dilma, a revista americana Time incluiu o nome de Kim Kataguiri na lista de jovens mais influentes de 2015.

O jovem acredita que a manifestação deste domingo ajudará a acelerar o processo de impeachment da presidente Dilma nas próximas semanas. Para ele, hoje o impeachment se apresenta como uma realidade muito mais concreta do que há um ano, quando começaram as manifestações.

“A gente pode ver aí uma aceleração do trâmite do processo de impeachment nas semanas seguintes à manifestação do dia 13 de março sem precedentes, numa velocidade que a gente nunca viu antes”, disse Kataguiri. A análise da denúncia contra Dilma está parada desde dezembro. Uma decisão do Supremo Tribunal Federal (STF) acabou anulando a formação da comissão especial para apreciar a admissibilidade do caso e estabeleceu um novo rito processual.

Como a corte deve julgar na próxima semana o embargo de declaração apresentado pelo presidente da Câmara, Eduardo Cunha (PMDB-RJ), a discussão sobre a formação da comissão especial deve ser retomada na quinta-feira (17). Haverá a escolha dos membros e, depois, a apreciação da denúncia assinada pelos advogados Hélio Bicudo, Janaína Paschoal e Miguel Reale Junior. Se a comissão aceitar, o relatório irá a plenário, precisando de 342 votos para seguir ao Senado, Casa do Congresso responsável pelo julgamento da presidente.

Delação

“Quando a gente começou as manifestações em 2015, imediatamente depois do protesto o discurso da oposição era exatamente igual ao discurso do governo, de que o impeachment era golpismo e etc.”, lembra o ativista. Os eventos políticos recentes como a delação do senador Delcídio do Amaral (PT-MS), envolvendo o ex-presidente Lula e sua sucessora no esquema de corrupção desvendado pela Operação Lava Jato, a condução coercitiva do petista pela Polícia Federal para prestar depoimento e a denúncia apresentada pelo Ministério Público de São Paulo contra Lula contribuem para a mobilização de domingo.

“O discurso de que os escândalos de corrupção só surgem porque o PT investiga, porque o PT deixa investigar caiu por terra. As notícias mostram que o Cardozo caiu porque não estava interferindo suficientemente na operação ao ver do ex-presidente Lula. Ao mesmo tempo a gente tem a delação do Delcídio que indica que tanto a presidente Dilma Rousseff quanto o ex-presidente Lula atuaram na operação Lava Jato para que réus presos fossem soltos e o escândalo fosse minimizado”, conta Kim. “Esse é o diferencial: o momento político”, completa.

Confrontos

Sobre possíveis conflitos entre manifestantes pró-impeachment e favoráveis ao governo, Kim acredita que são improváveis. “Esse tipo de ameaças vindas de discurso partindo do PT vem desde que a gente começou a fazer as manifestações em 15 de março. Mas nunca nada acontece, as manifestações são pacíficas, nunca houve nenhuma ocorrência mesmo com todas essas ameaças”, avalia. “A militância petista pode até estar mais ressentida, mas não é nem do interesse do PT nem do interesse do governo que haja conflito. É interesse deles que as pessoas tenham medo do conflito porque a manifestação fica esvaziada, as pessoas ficam com medo de levar filhos, avós, etc.”, conclui Kataguiri.

O coordenador do MBL entende que o pedido de prisão preventiva do Lula pode mobilizar militantes de ambos os lados da disputa política, mas não acredita que o novo fato possa provocar confrontos. “É provável que isso facilite a mobilização da militância petista mas eu não acho que isso aumente a chance de confronto até porque as manifestações deles vão ser em dias diferentes e o confronto não interessa nem a nós nem a eles”.

Sobre a previsão de chuva na maioria das capitais do país no domingo, o coordenador do MBL não acha que o clima será motivo de desmobilização “Duvido muito. Derrubar um presidente da República acho que vale o suficiente para tomar um pouco de chuva”, afirma.

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