Palocci: “Números da empresa não são de interesse público”

Mário Coelho


O ministro da Casa Civil, Antonio Palocci, afirmou nesta sexta-feira (3) que os detalhes dos contratos firmados entre sua empresa de consultoria e companhias privadas não são de interesse público. Em entrevista concedida à TV Globo e divulgada no Jornal Nacional, Palocci não deu esclareceu as dúvidas existentes sobre as atividades da Projeto, como valores e quem contratou a sua consultoria. "Eu não tenho o direito de expor nomes de terceiros. Eu não posso expor contratos que tive com empresas privadas renomadas nas suas áreas num ambiente de conflito", disse Palocci.


"Não estou acima da lei", respondeu o ministro, ao ser questionado sobre a proibição prevista em lei de agentes públicos, como ministros de Estado, atuarem como consultores na iniciativa privada. Segundo o titular da Casa Civil, a Projeto cumpriu as regras vigentes, como emissão de notas fiscais, com o faturamento registrado nos órgãos de controle tributário. "Entreguei à Comissão de Ética da presidência todas as informações da empresa. A Procuradoria Geral da República me pediu as informações, eu dei todas as informações", afirmou. "Essa informação não ficará secreta, será fornecida aos órgãos de controle."


Durante a entrevista, ele confirmou o valor divulgado pelo jornal Folha de S. Paulo sobre o faturamento da Projeto em 2010. Palocci adimitiu que, em 2010, a empresa recebeu aproximadamente R$ 20 milhões com contratos de consultoria. Metade do valor foi recebido nos dois últimos meses do ano. A explicação, segundo o ministro da Casa Civil, é por conta do encerramento dos trabalhos da empresa após sua entrada no governo de Dilma Rousseff. "Contratos que previam o pagamento ao longo do tempo, por força de minha entrada no governo, foram encerrados", disse.


Segundo Palocci, a Projeto nunca atuou junto a órgãos públicos. Sem revelar detalhes, disse que seus clientes eram de segmentos da indústria, de serviços financeiros (bancos e fundos de mercados capitais) e empresas de serviços em geral. "Meus clientes pouco têm a ver com obras públicas, são empresas que vivem da iniciativa privada", disse. O ministro afirmou que só passou a exercer a função de consultor depois da quarentena ao sair do governo do ex-presidente Lula.


Crise


Palocci foi questionado também sobre recentes declarações do deputado Anthony Garotinho (PR-RJ). O parlamentar fluminense afirmou durante a semana que reuniu deputados evangélicos e católicos para ameaçar o governo de convocar o ministro caso a distribuição do kit anti-homofobia não fosse suspensa. Depois, em audiência pública com policiais militares, sugeriu que a mesma coisa fosse feita para a PEC 300, que cria o piso salarial nacional para a categoria, entrasse na pauta de votação da Câmara. Garotinho disse que Palocci "era um diamante de R$ 20 milhões". "Não acredito que o deputado tenha dito isso. Não é um procedimento nem um pouco perto do adequado", esquivou-se.


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Para o ministro, não há crise no governo. "Há uma questão com relação à minha pessoa, não há crise no país, não há crise no governo", disse. Ele afirmou que o governo continua com suas atividades normalmente. Questionado se tinha colocado seu cargo à diposição da presidenta da República, Dilma Rousseff, o titular da Casa Civil disse que todos os cargos estão sempre à diposição de Dilma. "Não há coisa mais difícil do que provar que não fez. Não fiz tráfico de influência, tem que existir boa fé nas pessoas", comentou.


Em entrevista ao jornal Folha de S. Paulo, que será publicada amanhã, Palocci diz que não informou à presidenta Dilma Rousseff os nomes dos clientes de sua empresa de consultoria, a Projeto, nem a natureza dos serviços que ela prestou. "Não entrei em detalhes sobre os nomes dos clientes ou sobre os serviços prestados para cada um deles", afirmou.

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