Palácio do Planalto anuncia Serraglio como novo ministro da Justiça

Serraglio ganhou notoriedade como relator da CPI dos Correios, que atingiu em cheio os principais líderes do PT, mas recentemente comprometeu-se com a defesa de anistia para Eduardo Cunha

 

O Palácio do Planalto anunciou oficialmente, no início da noite desta quinta-feira (23), a escolha do deputado Osmar Serraglio (PMDB-PR) para o ministério da Justiça. Serraglio é amigo do presidente Michel Temer e foi seu aluno de pós graduação em direito constitucional em São Paulo. Serraglio vai substituir o ex-ministro Alexandre de Moraes, que deixou o cargo para ocupar a vaga deixada pelo ministro Teori Zavascki no Supremo Tribunal Federal (STF). A nomeação atende a parte da bancada do PMDB, que reivindicava o cargo após a escolha de Antônio Imbassahy para ministro de Relações Institucionais. Temer espera ampliar a sua base parlamentar no Congresso com essa nomeação.

Em entrevista concedida à Globo News no início da noite, Serraglio afirmou que não vai interferir no Operação Lava Jato – um temor que havia entre lideranças da oposição ao governo Temer. Todos temiam que a presença do deputado no ministério resultasse numa blindagem ao presidente Temer e às principais lideranças do PMDB no Congresso. A nomeação ocorreu justamente no dia em que nova fase da operação prendeu supostos pagadores de propina à cúpula do partido. O novo ministro também manifestou apoio ao diretor-geral da Política Federal, Leandro Daiello, que vem sendo criticado por delegados da carreira.

Quando era presidente da Comissão de Constituição e Justiça da Câmara durante o mandato de Eduardo Cunha, Serraglio chegou a defender a anistia ao ex-presidente da Casa como recompensação pelo acolhimento do pedido de impeachment da ex-presidente Dilma Rousseff. “Eduardo Cunha exerceu um papel fundamental para aprovarmos o impeachment da presidente. Merece ser anistiado”, defendeu. Ele foi acusado de favorecer Cunha durante a tramitação do processo de cassação do ex-presidente da Câmara.

Serraglio foi o relator da CPI mista dos Correios, que investigou corrupção nos Correios que terminou provocando o processo do mensalão, em 2005. Foi nessa função que Serraglio ganhou notoriedade na Câmara, onde cumpre o seu quinto mandato consecutivo.

A escolha de Serraglio provocou protestos de deputados de Minas Gerais que reivindicavam a escolha de um jurista do Estado para o cargo. A reação mais irritada foi a do vice-presidente da Câmara, Fábio Ramalho (PMDB-MG), que ameaça romper com o governo caso o colega paranaense seja confirmado no posto pelo presidente Michel Temer. O senador Roberto Requião (PMDB-PR) também reagiu com irritação à nomeação do deputado: "Serraglio é Eduardo Cunha no ministério", disse o parlamentar.

Serraglio foi derrotado por Ramalho na disputa pela vice presidência da Câmara.

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