Ouça: cantor interpreta música de ex-deputado acusado de desvio

CD “Acústico” tem dez canções compostas pelo sertanejo fantasma. Mas “Tchau, amor” é de autoria de Wigberto Tartuce, cobrado em mais de R$ 25 milhões por desvios em verbas do FAT

O cantor sertanejo Igor, ou Zenon Vaz da Silva, foi funcionário fantasma da Câmara em em meio ao esquema do golpe da creche no gabinete de Raymundo Veloso (PMDB-BA). O agora ex-deputado é acusado, junto com o artista, de desviar dinheiro público.

Igor compôs dez das 11 músicas de seu CD “Acústico”.  A dupla Igor e Breno lançou o álbum em dezembro de 2009. Era o primeiro trabalho da dupla, com faixas como “Confusões”, “Não era pra ser”, “Que amor é esse” e “Vai embora”.

A única composição 'estrangeira' do disco de Igor é “Tchau, amor”, escrita por Wigberto Tartuce (PP), o Vigão, outro ex-deputado federal acusado de desviar dinheiro público. O ex-político hoje se dedica a lançar cantores sertanejos em suas rádios depois de se ver obrigado a deixar mandatos políticos.

Durante sua gestão à frente da Secretaria do Trabalho do Distrito Federal, em 1999, durante o governo de Joaquim Roriz (ex-PMDB, hoje PSC), auditoria do Ministério do Trabalho apontou desvios de R$ 11,6 milhões de recursos recebidos do Fundo de Amparo ao Trabalhador (FAT).

Em agosto de 2008, o Tribunal de Contas da União (TCU) condenou Vigão, sua mulher e ex-dirigentes da secretaria a pagarem quase R$ 270 mil por irregularidades no uso do dinheiro do Ministério do Trabalho. Em outra condenação, que foi mantida em 2011, o TCU condenou a dupla a devolver mais de R$ 1 milhão.

Em agosto do ano passado, a 19ª Vara Federal de Brasília penhorou 99% da rádio Atividade FM para bancar parte das dívidas com a União. Segundo a Advocacia Geral da União (AGU), Vigão é réu em 25 ações de execução e deve, em valores de agosto passado, mais de R$ 25 milhões aos cofres federais.

Depois dos shows...

Procurado na semana passada, Igor, ou Zenon Vaz, não foi localizado pela reportagem para explicar sua participação no golpe. Há quatro anos, porém, quando o Congresso em Foco revelou o caso pela primeira vez, ele preferiu não dar entrevistas. Primeiro, disse ao site que conversaria só aos o feriado de carnaval pois iria fazer shows em Minas Gerais. Na data combinada, porém, quem atendia seu celular era uma pessoa identificada como Breno, seu parceiro na dupla, que afirmou que ele estava na casa de parentes em Minas. E nunca mais houve retorno aos contatos do site.

A reportagem procurou Franzé e sua esposa Abigail na semana passada, mas não os localizou nos telefones que utilizavam. Desde que começou a apurar sobre o caso, em 2009, a dupla jamais concedeu entrevista e afirmou sempre, por meio de seus advogados, que preferiam não se manifestar sobre o assunto.

O site também procurou o gabinete de Sandro Mabel na semana passada, mas não obteve novos esclarecimentos sobre como anda o caso no Supremo Tribunal Federal. Ele tem dito que as investigações provarão sua inocência e que é vítima do ex-motorista, para quem já chegou a ajudar a comprar um carro.

Segundo o Ministério Público, uma das funcionárias das escolas Criarte e DNA que colaborou com o esquema é Jaqueline Medeiros Rosa. Na sexta-feira (7), disse que poderia conversar com a reportagem. Ao ser apresentada ao assunto da entrevista, disse que estava ocupada no momento. Depois, afirmou que não comentaria o caso. “Não tenho nada a declarar, tá bom, querido?”

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