Oposição volta a negar acordo na CPMI da Petrobras

Deputado tucano acusou o PT de ter deturpado um acordo de procedimento que previa apenas a divisão dos próximos depoimentos em duas etapas. A primeira, com ex-dirigentes. A segunda, com agentes políticos

A reunião da CPI Mista da Petrobras foi aberta com a oposição negando a existência de um acordo para evitar a convocação de políticos na comissão de inquérito. O deputado Carlos Sampaio (PSDB-SP) acusou o PT de ter deturpado um acordo de procedimento que previa apenas a divisão dos próximos depoimentos em duas etapas: primeiro seriam ouvidos o ex-diretor da Área de Serviços da Petrobras Renato Duque e o presidente licenciado da Transpetro, Sérgio Machado; e depois agentes políticos.

Sampaio partiu para o ataque contra o relator, deputado Marco Maia (PT-RS), e afirmou que ele "colocou na mesma vala partidos que nada têm a ver".

-  Não participo de estelionato proposto pelo relator, que colocou na mesma vala partidos que nada têm a ver. O PSDB pediu a instauração desta CPI; o PT quer afundá-la. O PSDB não trata como herói criminosos presos - afirmou.

Marco Maia não compareceu à reunião desta terça-feira (11). Ele informou que precisa ficar de repouso nos próximos dias por conta de um acidente de moto.

Também sem participar da reunião, o líder do PT, senador Humberto Costa (PT-PE), reiterou que a oposição concordou que não faria sentido convocar agentes políticos neste momento, até devido ao prazo exíguo para encerramento dos trabalhos da CPI. A comissão mista deve ter prazo prorrogado até 22 de dezembro. A apresentação do relatório final por Marco Maia deve ocorrer dias antes.

- Convocar parlamentares que estão citados pelos jornais como integrantes de listas é algo que não caberia, porque nós não temos o acesso à delação premiada. Não houve nenhum acordo para impedir que viesse aqui tais ou quais pessoas, mas um entendimento para não passarmos por um papel ridículo de convocar pessoas que aqui não virão, até porque não há tempo para isso. Agora, o deputado [Carlos Sampaio] deveria assumir que essa discussão houve. Ninguém está querendo proteger nem blindar ninguém, mas simplesmente não passar pelo vexame de convocar 200 pessoas e não ouvir nem cinco nem seis - afirmou Humberto.

Quórum

Os parlamentares oposicionistas insistiram na votação de requerimentos pendentes de análise e acusaram os governistas de manobrarem para esvaziar a sessão. Apesar dos protestos, o presidente Vital do Rêgo (PMDB-PB) informou que não houve quórum. Treze integrantes da CPI assinaram presença e seriam necessários ao menos 17.

O deputado Enio Bacci (PDT-RS) alegou ter sido pressionado a não comparecer a reunião para prejudicar o quorum. Ele relatou ter sido até ameaçado de substituição na comissão.

Segundo Humberto Costa, sem a delação premiada do ex-diretor da Petrobras Paulo Roberto Costa, a CPI fica apenas repercutindo as descobertas e as investigações da Polícia Federal e do Ministério Público.

- Ela termina se prestando muito mais a um debate político, do que propriamente a uma ação investigativa. O que o Senado e a Câmara têm que discutir é a partir do momento que a delação premiada sair, o que eles vão fazer com os parlamentares que eventualmente estejam sendo processados. Mais importante agora do que discutir CPI é discutir as comissões de ética - afirmou.

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