Oposição vai apresentar relatório alternativo à CPI da Petrobras

"Esse é um relatório chapa branca. Foi produzido pela Petrobras e pelo governo federal", reclamou o líder do PPS na Câmara, Rubens Bueno

Parlamentares da oposição confirmaram nesta quarta-feira (10) a intenção de apresentar um relatório alternativo à CPI mista da Petrobras. O anuncio foi feito logo após a leitura do relatório oficial do deputado Marco Maia (PT-RS). O líder do PPS, deputado Rubens Bueno (PR), explicou ser necessário que a comissão de inquérito entregue ao país um diagnóstico mais esclarecedor da “corrupção” na Petrobras.

— Esse é um relatório chapa branca. Foi produzido pela Petrobras e pelo governo federal em contraponto ao que a Polícia Federal, o Ministério Público, e o juiz Sérgio Moro têm feito. É lamentável esse relatório. Nós vamos apresentar um proposta alternativa na qual vamos pedir o indiciamento de todos. Cadê os diretores da Petrobras? Cadê o Conselho de Administração da Petrobras? — indagou o líder do PPS.

O parlamentar adiantou que neste texto paralelo a oposição vai questionar a participação da presidente Dilma Rousseff na compra da Refinaria de Pasadena, nos Estados Unidos. O relatório oficial concluiu que o negócio não trouxe prejuízos à Petrobras, ao contrário do apontado por uma investigação do Tribunal de Contas da União (TCU). Rubens Bueno discorda da conclusão do relatório e aposta que Dilma estava ciente de tudo o que ocorria na Petrobras.

— Ela sabia de tudo que estava acontecendo na Petrobras. Não só como ministra de Minas e Energia, mas como presidente do Conselho da Petrobras e como presidente da República. Todos nós temos isso muito claro. Há os indícios necessários para, se for o caso, pedir o indiciamento de Dilma Rousseff — afirmou.

O relator da CPI, deputado Marco Maia (PT-RS) considera natural que a oposição rotule o texto como chapa-branca, uma vez que ele é do mesmo partido da presidente da República. Assegurou, no entanto, que trata-se de um trabalho estritamente técnico, construído a partir de informações técnicas recebidas no curso das investigações.

— É óbvio que eu gostaria de poder investigar mais coisas. Há outras questões que merecem ser melhor investigadas, mas isso é uma matéria que terá que ficar para a próxima legislatura. Não é um relatório chapa-branca. Fazemos críticas muito contumazes à gestão da Petrobras. Nós levantamos falhas que são enormes, como por exemplo, na Refinaria Abreu e Lima — garantiu Maia.

O deputado Marco Maia também afirmou ser um exagero da oposição querer responsabilizar a presidente Dilma Rousseff por eventuais danos à Petrobras decorrentes da compra da refinaria nos Estados Unidos.

— É como se nós fôssemos propor a responsabilização do ex-candidato à Presidência, senador Aécio Neves (PSDB-MG), pelo fato de ter sido falado que ele (Aécio) teve algum tipo de envolvimento com o recebimento de recursos do Paulo Roberto Costa — explicou.

Envolvimento de políticos

Outra crítica da oposição foi a ausência de nomes de políticos possivelmente envolvidos em casos de corrupção na Petrobras. O deputado Ênio Bacci (PDT-RS) afirmou que tão logo seja divulgado o teor das delações premiadas do doleiro Alberto Youssef e do ex-diretor da Petrobras, Paulo Roberto Costa, esses nomes deverão surgir. Por isso, entendeu que o relatório oficial da comissão de inquérito deveria fazer referências ao viés político desse caso.

Marco Maia respondeu que omitiu indicações de políticos exatamente por não saber quem são eles. Lembrou que essa informação só estará disponível quando as delações premiadas forrem oficialmente divulgadas.

— Não chegou à CPI nenhuma informação correta. Nenhum dado que levasse ao indiciamento ou à presença de algum político envolvido no processo da Lava-Jato. Eu não posso incluir no relatório alguém que eu não conheço. Que eu não sei. Que eu não tenho as informações com precisão. Essas informações estão na delação premiada — disse.

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