Oposição quer ouvir Rachel Sheherazade sobre proibição de comentários

Líder oposicionista apresenta requerimento para jornalista esclarecer se foi proibida de opinar por pressão do governo sobre emissora. Motivo seria comentário sobre “ingerência política” na PF

O líder da oposição no Congresso, deputado Ronaldo Caiado (DEM-GO), apresentou requerimento, nesta quarta-feira (30), para que a apresentadora Rachel Sheherazade, do SBT, e o presidente da Federação Nacional dos Policiais Federais (Fenapef), Jones Borges Leal, prestem esclarecimentos na Câmara. Caiado quer questionar a jornalista se a emissora foi pressionada pelo governo a proibi-la de manifestar opinião no telejornal SBT após comentário feito por ela em março sobre eventual “ingerência política” na PF.

Os convites, que dependem agora de aprovação, foram apresentados na Comissão de Segurança Pública e Combate ao Crime Organizado. “Não há como garantir a lisura do trabalho da PF se os agentes não têm licença para trabalhar. Se são obrigados a pedir licença para investigar”, disse Rachel Sheherazade ao comentar reportagem da própria emissora sobre o movimento de greve dos agentes da PF.

Caiado alega que as críticas da apresentadora ao governo influenciaram na decisão do SBT de proibir os apresentadores do SBT Brasil de comentarem as notícias veiculadas. “O governo quer calar aqueles que têm a coragem de se levantar contra essa máquina propagandística e de censura que vem sendo instalada no país. Nem os agentes, nem os jornalistas sérios e nem nós da oposição iremos deixar que a Polícia Federal seja aparelhada a serviço do PT”, atacou o parlamentar.

Para Caiado, o presidente da Federação Nacional dos Policiais Federais deve esclarecer denúncias veiculadas pela imprensa de que há desmandos políticos na PF. Caiado também quer ouvir Jones Borges sobre cortes no orçamento da instituição, a ameaça de greve dos policiais durante a Copa do Mundo no Brasil e a falta de um plano de cargos e salários para a categoria.

Comentário contra a “ingerência política” na PF

 

Como mostrou o Congresso em Foco, o governo estudou cortar verba publicitária anual de R$ 153 milhões destinados ao SBT após outro comentário de Rachel Sheherazade. A jornalista tratou da ação de justiceiros no Rio, mas isso foi considerado, pelo PCdoB e pelo PSOL, como incitação ao crime.

Depois da ameaça do governo, Rachel deixou o "SBT Brasil", o telejornal que apresenta, mas, segundo ela, eram férias. De qualquer forma, desde o início do mês, na volta à emissora, a jornalista e seu colega de bancada foram proibidos de fazer comentários durante as transmissões. Por iniciativa do PCdoB, o governo estuda a possibilidade de suspender o repasse da verba publicitária ao SBT – que, em 2012, passou dos R$ 153 milhões – por causa de comentários feitos por ela sobre a ação de “justiceiros” no Rio de Janeiro. Veja:

Vingadores: outro comentário polêmico

 

Naquela edição do “SBT Brasil” de fevereiro, Rachel Sheherazade disse que era “compreensível” a ação dos “justiceiros” que acorrentaram um adolescente de 16 anos, acusado de furto, a um poste, no Rio de Janeiro. E disse que a atuação se equiparava à legítima defesa, prevista na legislação brasileira, tendo em vista os altos índices de homicídios e a descrença nas polícias. “O contra-ataque aos bandidos é o que eu chamo de legítima defesa coletiva de uma sociedade sem estado contra um estado de violência sem limite”, afirmou a jornalista. Rachel Sheherazade também provocou os militantes dos direitos humanos. “Faça um favor ao Brasil. Leve um bandido para casa”, declarou.

Por causa disso, ela e a emissora viraram alvos de representações protocoladas pela deputada federal Jandira Feghali (PCdoB-RJ) e por cidadãos comuns no Ministério Público. Para a deputada, a TV e a jornalista praticaram apologia e incitação ao crime. Em duas representações – uma endereçada à Secretaria de Comunicação Social da Presidência e outra à Procuradoria-Geral da República –, Jandira pede o corte do repasse da verba publicitária à emissora.  O caso é estudado pela Secom e pelo Ministério Público Estadual em São Paulo.

Rachel afirmou, em artigo à Folha de S.Paulo, “compreender, mas não aceitar” a atitude dos vingadores. Na bancada do telejornal, ela disse ser a “contra a violência e “a favor da paz e da segurança”. A jornalista tem sido procurada pelo Congresso em Foco nas últimas semanas, mas não tem retornado os pedidos de entrevista.

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