Oposição critica PIB; governo vê expansão moderada

Líderes da oposição no Congresso e Fiesp cobram mudanças no rumo da política econômica. Guido Mantega diz que condições estão dadas para recuperação da economia em 2014

O crescimento de 2,3% do Produto Interno Bruto (PIB) brasileiro no ano passado, divulgado nesta quinta-feira (27) pelo Instituto Brasileiro de Estatística e Geografia (IBGE), gerou críticas da oposição ao governo Dilma no Congresso Nacional. Representantes do empresariado também consideraram tímida a expansão da economia.

Já o ministro da Fazenda, Guido Mantega, classificou como "moderado" o crescimento registrado pelo país. "Estão dadas as condições para que essa trajetória de crescimento moderado continue em 2014", afirmou. Em 2012, o aumento do PIB havia ficado em 1%; em 2011, em 2,7%, e em 2010, o último do governo Lula, em expressivos 7,5%.

O líder do PSDB na Câmara, Antônio Imbassahy (BA), classificou o crescimento do PIB como “sofrível”. A previsão do governo, no começo de 2013, era de que a economia crescesse 4% . Em julho, a meta caiu para 3% e foi revisada para 2,5% no mês seguinte.

O tucano aproveitou os números para criticar a política econômica do governo Dilma Roussef. “Já está mais do que provado que a política econômica da presidente não funciona. Qual é a fotografia do governo Dilma? Pibinhos, inflação acima da meta, taxa de juros com aumentos sucessivos”, criticou.

Para o líder do DEM na Câmara, Mendonça Filho (PE), o país paga pelos desacertos da política econômica. “O país está parado. Um crescimento medíocre abaixo da maioria dos países da América Latina e do Brics. É lamentável que o mundo esteja crescendo a 3% e toda vez que o Brasil entra na conta é para puxar a média para baixo”, afirmou.

Ministra da Casa Civil até o começo de fevereiro, a senadora Gleisi Hoffmann (PT-PR) subiu à tribuna do Senado para defender o governo. "A despeito do que muitos queriam, nosso PIB apresentou um resultado que surpreendeu a muitos, cresceu além do que os pessimistas de plantão estavam prevendo", rebateu.

Indústria e agronegócio

Em nota, a Federação da Indústria do Estado de São Paulo (Fiesp) lamentou que o resultado do PIB no Brasil tenha ficado abaixo da média mundial, que chega a 2,9%. A organização afirma que a atividade econômica está muito abaixo das necessidades da sociedade.

Para o presidente da Fiesp, Paulo Skaff, isso é consequência da política de aumento de juros. Ontem (26), o Conselho de Política Monetária definiu a taxa Selic em 10,75% ao ano, um aumento de 0,25%. “Este desempenho morno só confirma que o Copom errou ao promover mais um aumento da taxa Selic, o que induzirá retração do investimento”, declarou.

Grãos e fibras

A produção de grãos e fibras foi o principal indutor do crescimento do PIB em 2013. As riquezas produzidas pela agropecuária foram três vezes superiores aos demais setores da economia. O agronegócio teve expansão de 7% em comparação com o ano anterior.

Segundo análise da Confederação da Agricultura e Pecuária do Brasil (CNA), os produtos que mais contribuíram para o crescimento do setor foram a soja, que também registrou safra recorde (81,4 milhões de toneladas), o milho e a cana-de-açúcar.

Para 2014, a expectativa é de que a agropecuária mantenha o mesmo ritmo de 2013. No entanto, alerta a entidade, “as irregularidades climáticas observadas desde o início do ano terão efeito negativo sobre a produtividade das lavouras”. De acordo com a CNA, a escassez de chuvas tende a afetar as lavouras de grãos no Paraná, Rio Grande do sul, Goiás e oeste da Bahia.

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