Oposição aposta em iminência de terceira denúncia contra Temer; base evita comentários

 

 

Após a prisão de dois amigos de longa data do presidente Michel Temer (MDB) na manhã desta quinta-feira (29), os líderes de partidos de oposição acreditam que a terceira denúncia contra o emedebista é uma questão de tempo. A Operação Skala, deflagrada pela Polícia Federal, prendeu o ex-assessor José Yunes e o ex-coronel da Polícia Militar João Baptista Lima, ambos amigos do presidente, além do ex-ministro da Agricultura Wagner Rossi e do dono da Rodrimar Antônio Celso Grecco. As prisões são provisórias e têm prazo de cinco dias.

Líderes oposicionistas apostam que uma terceira denúncia chegará em breve à Câmara, enquanto deputados próximos ao Planalto adotaram postura cautelosa sobre a operação. Para Ivan Valente (SP), Júlio Delgado (MG) e Paulo Pimenta, respectivamente líderes do Psol, do PSB e do PT na Câmara ouvidos pelo Congresso em Foco, a terceira denúncia contra o emedebista é uma questão de tempo, e, dessa vez, será difícil que a Câmara a enterre como fez com as duas denúncias contra ele no ano passado.

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Já os deputados Beto Mansur (PRB-SP) e Darcísio Perondi (MDB-RS), nomes próximos ao Planalto, evitaram comentar as prisões. Perondi afirmou que só falaria sobre a questão após o posicionamento da Presidência, que até a última atualização desta reportagem ainda não tinha comentado o assunto. Mansur se esquivou e disse que não tinha conhecimento do processo para comentar, mas afirmou que o funcionamento da Câmara não deve ser afetado por uma terceira denúncia. Procurado, o líder do governo na Câmara, Aguinaldo Ribeiro (PP-PB) não atendeu às ligações da reportagem.

Denúncia iminente

Ivan Valente aponta que a operação de hoje complica muito o governo e mostra que Temer está cercado, com “todos os homens do presidente” enquadrados pela Justiça. “Mas acho que essas prisões foram devastadoras no entorno do Temer. Só não foi preso quem tem foro privilegiado”, disse Ivan.

Ele destacou que as prisões de hoje se somam a outros dois nomes investigados em ligação a Temer: o ex-assessor Rodrigo Rocha Loures, atualmente em prisão domiciliar, e o ex-ministro Geddel Vieira Lima, preso desde setembro do ano passado. “Acho que isso é fruto da quebra do sigilo bancário e telefônico feito pelo ministro Barroso. É uma operação que complica muito o governo”, afirmou ao Congresso em Foco. “Eu acho que o caminho é o terceiro processo contra Temer”, completou.

Júlio Delgado aponta que, se depoimentos e quebras de sigilos bancários dos envolvidos forem comparados com o de Temer, há a possibilidade de que a junção de fatos demonstre “inequívoco o envolvimento direto de Temer. Não tenho dúvida disso”, disse.

O líder do PSB entende que a Operação Skala acaba de “jogar por terra” as pretensões de Temer de se candidatar e o atinge em três pontos diretamente. “Primeiro ponto que foi um tiro nas pretensões eleitorais do Temer. Segundo é que reacendeu, de forma muito incandescente, uma terceira denúncia, que em ano eleitoral tem um peso muito maior. E também acaba com qualquer projeto mais audacioso de um governo que já vinha fragmentado e agora se fragmenta ainda mais no Parlamento”, disse à reportagem.

Delgado também avaliou que, antes da chegada da terceira denúncia, a base parlamentar de Temer poderá tentar apressar algumas das medidas de retomada econômica que foram apresentadas após a queda da reforma da previdência, como a privatização da Eletrobras.

Já o líder petista diz que a operação de hoje demonstrou o “equívoco do Congresso quando impediu que ele [Temer] fosse afastado” para que as investigações prosseguissem no ano passado. Paulo Pimenta afirmou que “todos os indícios” apontam para a chegada de uma terceira denúncia em breve, a qual Temer não terá força política para barrar e resultará em seu afastamento. “Aqueles que apoiaram o golpe ainda não conseguiram viabilizar outro nome para as eleições de outubro”, disse.

CCJ

Nos bastidores, os deputados já estão atentos à presidência da Comissão de Constituição e Justiça (CCJ) da Câmara, que receberá uma eventual denúncia. As comissões permanentes só serão instaladas e elegerão seus presidentes na próxima terça-feira (3) e a presidência da CCJ neste ano deve ficar com o correligionário de Temer, Daniel Vilela (GO). Os deputados vão exigir a mesma independência que Rodrigo Pacheco (DEM-MG) demonstrou no ano passado, quando ainda estava no MDB e presidiu a comissão durante as análises das denúncias no ano passado.

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