Oposição acusa base aliada de esvaziar reunião da CPI

O desentendimento entre base aliada e oposição marcou a reunião administrativa da CPI dos Correios nesta quinta-feira de manhã. Os parlamentares haviam fechado acordo para votar, pela segunda semana consecutiva, o requerimento que quebra o sigilo bancário das corretoras de valores e de câmbio acusadas de participar do esquema de financiamento do caixa dois petista, articulado pelo empresário Marcos Valério. Porém, na hora da reunião, faltou parlamentar.

Outro requerimento na pauta de hoje solicitaria o envio à CPI de três contratos da empresa GDK com a Petrobras. A papelada fora analisada pelo Tribunal de Contas da União (TCU). Auditoria do tribunal descobriu superfaturamento de R$ 58 milhões no valor desses contratos. A GDK ficou conhecida depois que o ex-secretário geral do PT Silvio Pereira admitiu ter sido presenteado por um dos dirigentes da empresa com um automóvel da marca Land Rover, avaliado em R$ 72,5 mil.

O deputado Onyx Lorenzoni (PFL-RS) culpou a base aliada pelo esvaziamento da sessão e disse que o movimento foi liderado pela senadora Ideli Salvatti (PT-SC). Segundo o pefelista, os governistas temem que os requerimentos comprovem o superfaturamento de contratos de empresas com estatais assinados durante o governo Luiz Inácio Lula da Silva, o que, na avaliação dele, agravaria a crise política.

“Quando atingiu o quorum, ela (Ideli) coordenou um movimento para retirar os deputados (governistas) da reunião”, descreveu Lorenzoni. “Na semana passada, eles disseram que deixariam quebrar os sigilos. Mas na reunião, quando atingiu o quorum, um deputado da base aliada deixou a sessão”, completou o parlamentar.

A senadora petista, no entanto, negou qualquer influência no ocorrido. E rebateu as acusações de Ônix. “Qual é a gravidade de um Land Rover frente a tudo que temos de investigar?”, questionou Ideli.

A suposta manobra levou o presidente da CPI, o senador Delcídio Amaral (PT-MS), a anunciar a prorrogação dos trabalhos da comissão, previstos para terminar no dia 15 de dezembro. “É lamentável que a bancada do governo não esteja presente. Isso é triste”, afirmou. Delcídio disse que, por causa do esvaziamento de hoje, os trabalhos serão prorrogados em uma semana.

Os integrantes da oposição disseram que os deputados petistas, além da bancada do PP, foram os responsáveis pelo esvaziamento da sessão. Porém, o sub-relator da CPI, deputado petista Carlos Abicalil (PT), afirmou que todos os representantes do PT na Câmara estavam no plenário durante a reunião. “Eu não estava por conta de compromissos pessoais, mas o (Jorge) Bittar, o Maurício Rands e o (José Eduardo) Cardozo estavam lá”, disse Abicalil.

Quanto ao esvaziamento da sessão, o petista culpou a agenda da Câmara. “Como não houve sessão plenária, muitos deputados já retornaram a suas bases, inclusive os da oposição”, ponderou Abicalil.

O quorum baixo também não permitiu a votação dos requerimentos de quebra de sigilo bancário de corretoras que operaram recursos de fundos de pensão, que teriam provocado prejuízos próximos a R$ 9 milhões. Os membros da CPI pretendiam pedir ainda a quebra de sigilos de pessoas apontadas como beneficiárias da corretora Bônus Banval e da Natimar, empresas que seriam fontes de recursos para doleiros e teriam intermediado investimentos de Marcos Valério. (Diego Moraes)

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