Operação desarticula esquema que faturava com cirurgias desnecessárias no Distrito Federal

Polícia Civil investiga o pagamento de propina feito por empresas a médicos ortopedistas que realizam cirurgias de coluna e quadril em hospitais particulares. Ao todo, 49 mandatos estão sendo cumpridos

A Polícia Civil do Distrito Federal desencadeou, nesta quinta-feira (1º), a Operação Mister Hyde para desarticular uma organização criminosa formada por médicos e empresários. De acordo com as investigações, os criminosos faturavam com cirurgias desnecessárias, superfaturamento de equipamentos, troca fraudulenta de próteses e uso de material vencido em pacientes.

Ao todo, são investigadas 22 pessoas, entre médicos, empresários do ramo de próteses, além de donos e funcionários de hospitais. Rogério Damasceno, proprietário do hospital Home (um grande centro de saúde do Distrito Federal) e um diretor do mesmo hospital também são alvos da operação.

Em nota, o hospital Home esclareceu que "presta exclusivamente serviços hospitalares, sem qualquer interferência ou participação nas condutas médicas, dentre as quais aplicações e escolhas". Afirmou ainda que "o Diretor Técnico do Hospital foi conduzido para prestar esclarecimentos e Home colaborará para elucidação dos fatos".

Dos médicos presos, dois são sócios da empresa TM Medical Equipamentos Hospitalares. Um deles é o Micael Bezerra Alves. Na casa de um dos médicos investigados a polícia encontrou mais de R$ 50 mil em espécie. Em outra casa policiais apreenderam R$ 69 mil em espécie, documentos de clientes e um cofre que o dono se negou a abrir. Em nota, o Sindicato dos Médicos do Distrito Federal afirmou que as denúncias "devem ser apuradas com o rigor cabível, sendo garantido aos acusados o direito de defesa, como previsto na legislação brasileira".

Segundo a polícia, há casos de cirurgias sabotadas para que o paciente fosse operado com frequência - gerando mais lucro para o esquema. Os envolvidos usam produtos fora do prazo de validade e trocam linhas mais caras por mais baratas sem o conhecimento do paciente. Há, ainda, suspeita de que os criminosos tentaram matar uma pessoa que denunciou o esquema.

Apenas em 2016, a estimativa é de que cerca de 60 pacientes foram lesados somente por uma empresa. O esquema movimentava milhões de reais em cirurgias, equipamentos e propinas.

Batizada de Mister Hyde, a operação mobiliza 240 policiais civis, prevê o cumprimento de 21 mandados de busca; 12 mandados de prisão, sendo sete temporárias e cinco preventivas e quatro conduções coercitivas. Vinte e um promotores e 21 agentes de segurança do Ministério Público também participam da operação.

Leia a íntegra da nota do Hospital Home:

"O HOME - Hospital Ortopédico de Medicina Especializada LDTA, esclarece que presta exclusivamente serviços hospitalares, sem qualquer interferência ou participação nas condutas médicas, dentre as quais aplicações e escolhas de OPME.

Os médico cirurgiões citados na operação não fazem parte do corpo clínico do Hospital HOME, apenas operam, eventualmente, nas dependências, já que são habilitados pelo CRM e obtiveram autorização dos planos de saúde.

O Diretor Técnico do Hospital foi conduzido para prestar esclarecimentos e HOME colaborará para elucidação dos fatos."

Leia a íntegra da nota do Sindicato dos Médicos:

"O Sindicato dos Médicos do Distrito Federal considera graves as denúncias sobre participação de médicos em esquema de cirurgias para implante indevido de órteses e próteses. Elas devem ser apuradas com o rigor cabível, sendo garantido aos acusados o direito de defesa, como previsto na legislação brasileira. Aos inocentes indevidamente acusados deve ser feito desagravo público.

Os eventuais desvios de alguns não podem ser tomados como exemplo da conduta dos profissional da medicina, que são respeitadores e cumpridores da leis e submetidos a um rígido código de ética. Esse tipo de desvio é repudiado pela classe e suas entidades representativas.

O presidente do SindMédico-DF, Gutemberg Fialho, tem denunciado a prática em palestras ao longo dos anos, como registrado nos Anais da Academia de Medicina de Brasília de 2012.

Além de elevar custos de operação nos sistemas público e privado, a indicação de procedimentos desnecessários e superfaturados expõe pacientes a risco. Por isso, tanto quanto são na área pública, os escândalos dessa natureza na iniciativa privada devem ser alvo da indignação púbica e combatidos com rigor pelo Estado."

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