Odebrecht terá que fazer mais 30 acordos de leniência em São Paulo

 

Os advogados da empreiteira Odebrecht vão ter de enfrentar mais 30 negociações só em São Paulo. Isso porque promotores do Ministério Público do estado se recusaram a endossar o acordo de leniência que a Odebrecht assinou com a força-tarefa da Lava Jato em Curitiba.

Com a recusa, conforme revelou o jornal Folha de S. Paulo nesta terça-feira (16), os promotores ficariam sem acesso às provas apresentados pela Odebrecht. Neste caso, a empreiteira terá de fazer "acordos para cada um dos temas que era investigado pelos promotores e sobre os quais a empresa havia revelado ilegalidades no acordo de Curitiba".

<< Odebrecht fecha acordo de leniência com EUA e Suíça e pagará multa de R$ 8,5 bilhões

Homologado pelo juiz Sérgio Moro, da 13ª Vara Federal em Curitiba, em maio do ano passado, o acordo de leniência da Odebrecht fez o grupo entregar à força-tarefa da Operação Lava Jato o total de doações oficiais e de pagamentos de propinas e caixa-2 nas eleições dos últimos 16 anos – período que abrange as últimas quatro disputas presidenciais e de governadores, e as últimas cinco eleições municipais.

No entanto, conforme mostra a reportagem, os promotores de São Paulo avaliam que o acordo da Odebrecht contém ilegalidades, como a falta de adesão da Controladoria-Geral da União (CGU) e da Advocacia-Geral da União (AGU), prevista em lei.

Para se livrar das punições, a Odebrecht aceitou a proposta de discutir novos acordos em São Paulo, entregar as provas que apresentou aos procuradores de Curitiba, bem como aceitou pagar uma multa de R$ 35 milhões para encerrar quatro investigações.

"Os acordos que estão em discussão na Promotoria do Patrimônio Público envolvem o pagamento de suborno em obras como a do Rodoanel, as linhas 2-verde, 5-lilás e 6-laranja do Metrô, o estádio do Corinthians e contribuições via caixa dois para as campanhas de políticos como o senador José Serra (PSDB-SP)", diz a reportagem.

De acordo com o texto, o primeiro desses acordos foi assinado no final de dezembro. Nele, "a Odebrecht diz ter pago R$ 21,2 milhões ao ex-prefeito Gilberto Kassab (PSD), via caixa dois, entre 2008 e 2014. Os promotores querem que Kassab, atualmente ministro de Ciência e Tecnologia, devolva R$ 85 milhões.

Delação

Além do acordo de leniência, executivos e ex-executivos da Odebrecht assinaram acordo de delação premiada no qual foram citados nomes de políticos para quem a empresa fez doações de campanha, que teriam origem ilícita. Desses depoimentos, o ministro Edson Fachin, relator da Lava Jato no STF, autorizou a abertura de inquéritos contra 63 parlamentares. No Superior Tribunal de Justiça (STJ), governadores também foram atingidos pelas denúncias.

<< Leia a reportagem do jornal Folha de S. Paulo na íntegra

<< Com a lista de Fachin, mais de 110 políticos passam a ser investigados na Lava Jato

Continuar lendo

Assine e obtenha atualizações em tempo real em seu dispositivo!