Odair exclui jornalistas e Gurgel do relatório

Sob pressão, relator confirma a retirada dos capítulos que tratam de jornalistas e do pedido de investigação do procurador-geral da República pelo Conselho Nacional do Ministério Público. Votação do relatório só começa na próxima semana

Pressionado por parlamentares de vários partidos, o relator da CPI do Cachoeira, deputado Odair Cunha (PT-MG), decidiu retirar o pedido de indiciamento de cinco jornalistas e a sugestão para que o procurador-geral da República, Roberto Gurgel, fosse investigado pelo Conselho Nacional do Ministério Público (CNMP). No relatório que concluiu na semana passada, Odair classificava como suspeitas as relações desses jornalistas com o contraventor Carlos Augusto Ramos, o Carlinhos Cachoeira. Entre eles, aparecia o diretor da sucursal da revista Veja em Brasília, Policarpo Júnior. O relator também contestava o silêncio de Gurgel em relação à Operação Vegas, da Polícia Federal, em 2009, que indicava o envolvimento do bicheiro com políticos e empresários.

 

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O presidente da comissão, senador Vital do Rêgo (PMDB-PB), concedeu vistas coletivas pelo prazo de cinco dias para que os parlamentares apreciem as conclusões do relator. Odair lê, neste momento, um resumo de seu relatório.

A reunião da CPI começou tensa. A leitura do relatório foi interrompida logo no início. O deputado Carlos Sampaio (PSDB-SP) reclamou que ainda não havia recebido a cópia do sumário que estava sendo lido pelo relator. Vital do Rêgo ordenou a suspensão da sessão até que o documento fosse distribuído a todos. A reunião foi retomada 20 minutos depois.

Após a volta dos trabalhos, alguns deputados tentaram adiar novamente a leitura do relatório. Eles argumentaram que a supressão dos dois trechos demandaria nova suspensão dos trabalhos. No entanto, Vital do Rêgo indeferiu o pedido e ordenou o prosseguimento da leitura.

Brigas

Um grupo de parlamentares se reuniu com Vital do Rêgo antes da sessão começar para definir quais procedimentos seriam adotados hoje. Havia ficado decidido que Odair leria o relatório e depois se abriria um tempo regimental de cinco dias para a apresentação de sugestões ao documento, para a inclusão ou retirada de trechos.

Porém, ao anunciar como procederia em relação ao seu parecer, Odair afirmou que não aceitaria mudanças além das anunciadas. "Quem discordar do meu relatório, tiradas essas duas partes, terá de votar contra o relatório todo", explicou. O deputado Vaz de Lima (PSDB-SP) logo manifestou sua indignação. "O senhor virou ditador agora? Onde o senhor está com a cabeça? Vossa Excelência mantém essa posição de politizar [o relatório] e de não investigar a Delta", disse.

O relatório apresentado reúne as investigações realizadas em seis meses de funcionamento da comissão, que investigou o esquema montado por Cachoeira para corromper agentes públicos e privados. Ele é acusado ainda de chefiar um esquema de jogos ilegais.

Odair Cunha pediu o indiciamento de 46 pessoas, dentre elas o governador de Goiás, Marconi Perillo (PSDB), por seis crimes. Ontem, o deputado anunciou sua disposição de suprimir os dois capítulos que mais sofreram críticas na comissão. Odair classificou os itens como "secundários" e "acessórios" e, por isso mesmo, passíveis de serem excluídos sem prejuízo do conteúdo final. Ele fez isso para viabilizar a votação do documento, que deverá ser feita na próxima semana.

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