O que querem e o que pensam os manifestantes

Da reforma política à melhoria na gestão da saúde, cidadãos anônimos que participaram da manifestação em Brasília no Dia da Independência expõem suas ideias para um Brasil melhor

“Voto secreto, não. Eu quero ver a cara do ladrão.”; “Educação, sim; corrupção, não!”; “Democratização da comunicação, a melhor forma de combater a corrupção”. Esses foram alguns dos gritos ouvidos ao longo da Esplanada dos Ministérios ontem (7) pela manhã, durante as manifestações do Dia da Independência. Sem uma coordenação específica, nem pauta definida, os manifestantes se dividiram em grupos que caminharam do Museu da República até o Congresso. Causas gerais, como o fim do voto secreto no Congresso e a aprovação de uma reforma política imediata, conviveram com reivindicações pontuais de categorias de servidores públicos. Dividiram espaço, ainda, com pautas obrigatórias, como o combate à corrupção e a defesa de mais recursos para a saúde e a educação.

O Congresso em Foco apresenta, a seguir, o que querem e o que pensam cinco manifestantes que participaram dos protestos de 7 de setembro na capital federal:

“Nós ficamos das oito da noite de sexta até as quatro da manhã de sábado construindo o Papuda Móvel, linha 171, para facilitar a ida dos políticos condenados para a cadeia. Mas não protestamos somente contra a corrupção. Queremos também um serviço público de qualidade e a aprovação de medidas que permitam que haja eleições limpas. Queremos uma reforma política para reduzir o poder econômico nas campanhas eleitorais e punição pra valer para quem cometer caixa dois. Não comento as posições de outros movimentos. A pauta é plural, e toda manifestação é válida e deve ser respeitada.”
Emerson Santos, economista e servidor público. Participante do Instituto de Fiscalização e Controle (IFC), ajudou a construir o "Papuda Móvel" e coletou assinaturas para o projeto Eleições Limpas

“Essas manifestações são um retrato do Brasil do passado, desde o ‘petróleo é nosso’, o fim da ditadura militar, até o impeachment do Collor. Agora nosso povo está mais politizado. A internet é o maior instrumento de pressão popular que temos. Mas deve ser usada como arma de comunicação. Como arma de pressão, temos de sair às ruas. Temos de cobrar cara a cara. Os políticos querem tirar as máscaras dos manifestantes, mas é a máscara dos políticos que vai cair. A absolvição do Donadon é o retrato do nosso Congresso, financiado por grandes empresas e mantido pelo espírito de autopreservação dos parlamentares. Queremos uma reforma política já!”
Aldemir Domício, presidente da Confederação dos Trabalhadores do Brasil (CBT) no Distrito Federal

“Além de protestar contra a corrupção, viemos apoiar a pauta do trabalhador em geral, a regulamentação dos direitos da empregada doméstica, o fim do fator previdenciário, as 40 horas semanais sem redução de salário, a rejeição ao projeto das terceirizações e a aprovação de uma reforma política com financiamento público de campanha.”
Samara Nunes, presidenta da Associação Brasiliense das Empregadas Domésticas, Trabalhadoras e Trabalhadores do Lar do Distrito Federal e do Entorno (Asbrale)

“Não vejo futuro para a melhoria da saúde. Não é um problema de falta de recursos, mas de gestão. O pessoal que cuida da saúde é fechado, incompetente e corporativista. Será que, a um ano das eleições, o governo do Distrito Federal ainda não viu que a sua saúde não deu certo? A saúde pública aqui é um salve-se quem puder. Enquanto isso, gastaram R$ 2 bilhões na construção de um estádio que não trará qualidade de vida alguma para os moradores mais pobres e da periferia. Deveriam ter construído o Hospital Nacional Mané Garrincha.”
Ivan Rodrigues, enfermeiro. Sem vinculação com outros grupos, fez protesto isolado. Depois, participou da lavagem simbólica da entrada do Congresso

José Antônio: "Não querem mais filósofos em sala de aula, porque a filosofia virou um problema por estimular as pessoas a pensar"

“Fazemos parte do Movimento Educacionista, que entende que a educação básica tem de ser de responsabilidade do governo federal. Só assim, vamos garantir oportunidades iguais no momento de largada dos estudantes. Vamos dar igualdade de condições a todos, com padronização e educação de qualidade. Queremos a aprovação da PEC 32 que federaliza a educação desde o ensino fundamental até o médio. Dei aula por anos na rede pública em Goiás, no Entorno do DF. Mas não querem mais filósofos em sala de aula, porque a filosofia virou um problema por estimular as pessoas a pensar.”
José Antônio da Silva Santos, filósofo, ex-professor de Filosofia da rede pública e integrante do Movimento Educacionista

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Fazendo uma cobertura jornalística apartidária e crítica do Parlamento, o Congresso em Foco constata diariamente que os políticos não são iguais e que, se o Legislativo brasileiro não é o que desejamos, é o que temos – e elegemos. Sem ele, sabemos que não há democracia. Vamos valorizar o que o Congresso Nacional tem de melhor! Vá ao endereço http://premiocongressoemfoco.com.br/ e participe da escolha dos melhores parlamentares de 2013.

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