O principal desafio de Brasília é gerar empregos, diz economista

José Luiz Pagnussat destacou que, para promover a retomada do crescimento é necessário remover gargalos que atrasam o desenvolvimento da capital

No lançamento da página Brasília do Congresso em Foco, realizado na manhã desta quinta-feira (20), o economista José Luiz Pagnussat destacou que o maior desafio da capital é a criação de oportunidades no mercado de trabalho da capital. O especialista explicou que a disparidade na distribuição de renda entre as regiões administrativas do Distrito Federal geram alterações significativas nos índices de empregabilidade da população, além da desigualdade social. Enquanto bairros como os Lagos Sul e Norte e as Asas Sul e Norte apresentam 7% de desemprego, nas cidades metropolitanas os índices chegam a 22%.

"Nós temos o pior índice de concentração de renda do Brasil e o maior índice de desenvolvimento humano, comparável aos melhores do mundo. Essa disparidade entre as nossas regiões administrativas demonstram a desigualdade renda. Nós temos uma renda média salarial que varia de R$ 2 a R$ 16 mil", explicou Pagnussat.

De acordo com dados da Companhia de Planejamento do Distrito Federal (Codeplan) apresentados pelo economista, a indústria é o setor que mais contribui para o desenvolvimento do Produto Interno Bruto (PIB) do DF, representando cerca de 6,5% da arrecadação total. Outro setor importante para a economia da capital é a construção civil que, mesmo com a crise econômica que estagnou as vendas, ainda equivale a 3,4% do PIB.

Pagnussat chamou atenção ainda para o setor público - um dos grandes geradores de renda no DF. Segundo dados divulgados nesta semana pelo Índice de Desenvolvimento Econômico do Distrito Federal (Idecon-DF), 44,4% do PIB é alimentado por servidores públicos. Apesar de a crise econômica também ter impactado o DF, a demanda da população se manteve acima da média, o que refletiu em uma crise menos acentuada na capital quando comparada às outras cidades do país.

"Os setores mais afetados pela crise econômica são o de intermediação financeira e comércio. Com a população muito endividada e com índice de inadimplência muito grande, mesmo com o 13º salário, o comércio não tem conseguido reagir como reagiu nos últimos anos", ressaltou.

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Outro ponto para o qual o economista alertou foi a crise fiscal do setor público. Pagnussat explicou aos presentes que a concentração de renda nas mãos de poucos e a utilização dos serviços públicos por pessoas de outros estados corrompe a entrega de um serviço satisfatório ao cidadão. Sofre com esse problema, principalmente, a saúde pública, que recebe a todo momento pacientes de diversos municípios brasileiros, exaurindo os postos disponíveis aos moradores da capital.

O especialista destacou ainda que, para promover a retomada do crescimento é necessário, em primeiro lugar, remover os gargalos que atrasam o desenvolvimento da capital. Entre eles, Pagnussat acentuou a falta de políticas públicas relacionadas ao abastecimento de água potável em todas as regiões administrativas e a cautela com a estiagem; a necessidade de renovação do setor elétrico da capital e a falta de cuidados com o meio ambiente.

"O elevado potencial econômico do DF e entorno favorecem políticas de desenvolvimento, é necessário planejar", enfatizou o economista.

Para isso, José Luiz Pagnussat atentou para a necessidade de desenvolver uma economia criativa, para a valorização do empreendedorismo e a criação de melhores ambientes capazes de fomentar os negócios na capital. De acordo com o economista, a desconcentração do desenvolvimento a partir da geração de polos de industrialização nas regiões administrativas e entorno - como o Polo de Desenvolvimento Parque Tecnológico Capital Digital e o Polo Atacadista e Logístico - teria a capacidade de neutralizar a desigualdade social.

O especialista ainda destacou a necessidade de promover o turismo no Distrito Federal, ainda não abordado com afinco pelos governos da capital. Pagnussat critica, especialmente, o fato dos pontos turísticos fechados aos finais de semana. Desaprovação seguida por boa parte da população e dos visitantes que desembarcam em Brasília.

Pagnussat encerrou sua participação fazendo um alerta para a criação de uma engenharia financeira capaz de diminuir os índices de desigualdade social e originar uma política capaz de promover o desenvolvimento de todo o território da capital.

Página Brasília

A iniciativa marca o lançamento de uma nova seção neste site, que nasce com o propósito de ajudar a compreender a capital do país. Com atualização diária, a página Congresso em Foco Brasília pretende debater pontos centrais para o futuro da cidade, que aos 56 anos de existência já é a terceira mais populosa do Brasil, com aproximadamente 3 milhões de habitantes. O rápido crescimento da população tem trazido problemas próprios das metrópoles brasileiras, como o aumento da violência, o trânsito cada vez pior e a precariedade dos serviços de saúde, educação e transportes.

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