O novo mapa do poder nos municípios brasileiros

Conheça em detalhes os resultados do primeiro turno das eleições e saiba qual é a força de cada partido nas cidades que já escolheram seus prefeitos

As eleições do último domingo deixaram o Brasil mais governista, politicamente mais fragmentado e com uma configuração partidária muito diferente daquela saída das urnas de quatro anos atrás.

Essas são algumas conclusões dos resultados do primeiro turno das eleições municipais. Para analisá-los, o Congresso em Foco comparou a evolução do voto dos eleitores, entre 2008 e 2012, em cada estado brasileiro, partido por partido, município por município.

Foram tomados como referência os dados oficiais do Tribunal Superior Eleitoral (TSE), que divulgou os prefeitos eleitos de 5.514 municípios. A relação exclui as 50 cidades em que está prevista a realização de segundo turno e aquelas em que ainda não é possível apontar um vencedor, por diferentes razões. Em pelo menos quatro delas, a indefinição decorre do fato de nenhum dos candidatos a prefeito ter sido considerado apto para a disputa pela Justiça eleitoral: Monte Alegre (RN), Bom Jesus de Goiás (GO) e duas cidades com o mesmo nome e de dois estados diferentes: Cedro do Ceará e Cedro de Pernambuco.

Veja adiante as características fundamentais da nova geografia do poder municipal.

Para saber como ficou a distribuição dos prefeituras por partido, em cada estado, clique abaixo:

Acre

Alagoas

Amapá

Amazonas

Bahia

Ceará

Espírito Santo

Goiás

Maranhão

Mato Grosso

Mato Grosso do Sul

Minas Gerais

Pará

Paraíba

Paraná

Pernambuco

Piauí

Rio de Janeiro

Rio Grande do Norte

Rio Grande do Sul

Rondônia

Roraima

Santa Catarina

São Paulo

Sergipe

Tocantins

Distribuição das prefeituras por partido

Um Brasil mais governista

A primeira rodada eleitoral mostra que o conjunto de partidos agrupados no plano nacional em torno do PT de Lula e do governo de Dilma Rousseff ficou mais forte. Em 2008, três partidos de oposição (PSDB, DEM e PPS) elegeram um total de 1.403 prefeitos, que correspondiam a 25,5% dos 5.509 municípios em que houve disputa eleitoral naquele ano.

Agora, das 5.514 cidades que já definiram seus novos administradores, 1.089  (19,7%) elegeram candidatos de quatro legendas oposicionistas: PSDB, DEM, PPS e Psol.

O governismo é um fenômeno federal e regional. Os partidos de oposição se saíram melhor nos estados sob o seu comando. Um exemplo é o Paraná, onde o PSDB – partido do governador Beto Richa – conquistou 36 prefeituras a mais do que em 2008. No mesmo estado, o PMDB do ex-governador e atual senador Roberto Requião sentiu na pele o que é viver num mundo de rei posto, rei morto. O PMDB paranaense perdeu 80 prefeituras.

PT e PMDB, os mais espalhados

PT e PMDB são os dois únicos partidos que elegeram no primeiro turno prefeitos em todos os estados.

São também os que obtiveram maior soma de votos válidos para prefeito. O PT recebeu 16,7% do total de votos dados no país. O PMDB, 16,2%.

Mas foi o PMDB quem conquistou mais prefeituras, 1.020. Elegeu mais prefeitos que as outras legendas em todas as regiões, com exceção do Sudeste, onde o PSDB levou a melhor.

PSDB e PSB, um tem o que falta ao outro

Dono de 13,5% dos votos válidos dados aos candidatos a prefeito, terceira maior votação alcançada no país, o PSDB não elegeu prefeitos no Amazonas (onde disputará o segundo turno em Manaus) e no Amapá e venceu em apenas dois municípios no Rio de Janeiro.

Mesmo assim, graças à sua força em Minas Gerais e São Paulo, tem vantagem sobre os outros partidos no Sudeste, berço de 47% dos prefeitos tucanos. O Nordeste é que continua sendo o maior problema do PSDB.

A região garantiu a vitória de 28% dos prefeitos eleitos pelo PMDB e 30% dos petistas, mas de apenas 16,6% dos tucanos que saíram vitoriosos no domingo.

O PSB é a segunda força partidária no Nordeste, onde o partido amealhou 60% de suas prefeituras. O partido foi o quarto mais votado em todo o Brasil, com 8,4% dos votos.

O novo quadro partidário

Sejam quais forem os resultados de segundo turno, as eleições municipais já trouxeram alterações importantes no quadro partidário.

Nesse novo cenário, o PMDB e o PSDB encolheram, mas permaneceram fortes, e formam com o PT (que continuou crescendo) o trio dos grandes partidos do país. Todos os três tiveram, individualmente, mais de 13 milhões de votos válidos para prefeito no domingo.

Um segundo pelotão é integrado pelos partidos médios, nos quais se destacam o PSB (8,6 milhões de votos válidos) e o PSD (5,8 milhões). Este estreou conquistando o quarto maior número de prefeitos (493). Aquele foi, dos partidos que já estavam na briga quatro anos atrás, o que mais cresceu.

Enquanto PSB e PSD estão em ascensão, outros cinco partidos médios – com votação entre 3,7 milhões e 6,2 milhões, lutam contra o declínio e perderem prefeituras em relação a 2008: PP, PDT, PTB, DEM e PR. O DEM teve os resultados mais negativos. Conquistou 276 prefeituras. Nas eleições passadas, tinham sido 493. Em 2004, 784.

O grupo seguinte traz seis partidos pequenos, cujos candidatos a prefeito receberam no total entre 1,6 milhão e 2,4 milhões de votos: PRB, PPS, Psol, PV, PCdoB e PSC. Dentre eles, dois diminuíram de tamanho (o PV e o PPS) e três cresceram expressivamente em total de votos para prefeito: PRB e PSC, acima de 65%; Psol, 200%.

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