O dia em que o CQC provou do próprio veneno

Eduardo Militão


Acostumada a fazer humor com provocações e perguntas desconcertantes, uma equipe do programa de TV Custe o que Custar (CQC), da Band, perdeu a paciência com um jornalista que usou a mesma fórmula para entrevistá-los. Dias depois, o vídeo com a entrevista com o repórter Rafael Cortez foi retirado do ar, segundo o autor da gravação, a pedido do próprio humorista.


Convidando o leitor a relaxar um pouco, o Congresso em Foco apresenta neste sábado o vídeo que fez três integrantes do programa se irritarem com um repórter “invasivo”, no caso, o jornalista Jorge Antônio Barros, responsável pela proeza.


Confira “O dia da caça”:






Bastidores



O jornalista Jorge Antônio Barros, que assina o blog Repórter de Crime do jornal O Globo, encontrou o apresentador do CQC Rafael Cortez no saguão do aeroporto de Guarulhos, em São Paulo, acompanhado de dois membros da equipe, no final de agosto.


Fã do CQC, ele resolveu fazer uma brincadeira com os colegas. “Gosto deles de verdade. Abri a câmera e comecei a entrevistá-los”, contou Barros ao Congresso em Foco.

Ele relata que sentiu "aspereza" de Cortez no primeiro contato. “Aí, eu também fui rude com ele.” Indo para o avião, Barros avisou que era do jornal O Globo e que iria colocar o vídeo no Youtube. Minutos depois, Cortez teria dito ao repórter que a primeira parte da entrevista estava ruim porque ele aparecia "meio arrogante". “Ele me disse que pensou que eu era um ‘fã inconveniente’.” 


Conversa amena


Segundo Barros, Cortez o autorizou então a fazer a entrevista. Por isso, a conversa continuou na descida do avião, de forma mais amena, quando Barros brincou ao se oferecer para trabalhar no CQC e passou a fazer perguntas mais sérias sobre a violência no Rio de Janeiro, assunto principal de seu trabalho em O Globo


Mas um dos membros da equipe reclama da filmagem: "Você está sendo invasivo, está me gravando". Quando a entrevista está terminando, os seguranças do aeroporto no Rio intervêm e chegam a meter a mão na câmara, acabando com a gravação.


Nesse momento, o próprio Rafael Cortez reclama: "Ele tá me gravando desde o avião. Você é chato, rapaz, pára de me filmar", mostra o vídeo. “O Rafael fez aquela ceninha. Ele tinha me autorizado a falar com ele”, explica Barros.


Com a câmara desligada, iniciou-se uma discussão. Barros afirma que Cortez disse que o pessoal do CQC não agia daquela forma, mas de maneira “elegante”. “Aí eu disse: ‘Agora você vai me dar lição de moral na frente de todo mundo?’.”


A maior chateação de Barros, no entanto, foi com a retirada do vídeo do Youtube, segundo ele, pedida por uma empresa de produções artísticas supostamente ligada ao repórter do programa humorístico. “Não precisava. É uma brincadeira como qualquer outra que eles fazem”, conta.


Alô, CQC


A reportagem não conseguiu falar com a produção do CQC para comentar o caso e a denúncia de censura no Youtube. A assessoria de imprensa da Bandeirantes não retornou os contatos do Congresso em Foco.


A produção do programa não quis sequer anotar os pedidos de entrevista. “Se eu anotar o seu recado, vou infringir uma regra. A empresa é grande”, justificou a atendente.


O espaço do site continua aberto caso o programa queira se manifestar sobre o assunto.

Na esportiva


No final do ano passado, o próprio Rafael Cortez levou com bom-humor a brincadeira feita pelo repórter Fábio Góis, do Congresso em Foco, em uma descontraída inversão de papeis durante a cerimônia de entrega do Prêmio Congresso em Foco.




O grupo, liderado por Marcelo Tas, virou presença constante nos corredores do Congresso, para desespero de muitos parlamentares (leia mais). 


Veja o vídeo

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