Novo presidente quer pauta consensual para CDH

Deputado paulista, eleito para presidir a Comissão de Direitos Humanos após resistência de movimentos LGBT, vai discutir projetos com outros parlamentares

O deputado Pastor Marco Feliciano (PSC-SP), eleito presidente da Comissão de Direitos Humanos e Minorias (CDH) da Câmara ontem, pretende conversar com outros comandantes de colegiados permanentes para definir uma pauta consensual. A expectativa é que a reunião aconteça na próxima terça-feira (12). "Vou sentar na terça de manhã com os deputados e começar a definir uma pauta", disse o deputado ao Congresso em Foco.

 

A primeira sessão da CDH ainda não está marcada, mas a ideia é que aconteça na quarta-feira (13). Feliciano pretende apresentar uma pauta aos integrantes da comissão. Agora, ele evita dar exemplos de propostas que terão prioridade no colegiado. Em outros momentos, ele já se manifestou contra o casamento gay - "o Supremo Tribunal Federal já se pronunciou sobre isso" - e questões como a ampliação do aborto no país.

Ele diz que não vai citar projetos neste momento para evitar discussões desnecessárias, como, por exemplo, o argumento de que "segurou determinado projeto" ou que "colocou para ser derrubado". "Espero que eles me dêem uma chance de trabalhar, de mostrar um trabalho. Vou compor uma via de conversa com todos os deputados e tentar apresentar uma pauta. Eu dependo mais dos deputados do que eles de mim", disse.

Feliciano acredita que as recentes polêmicas em torno de seu nome se devem à falta de argumentos de grupos contrários à sua atuação. "Sou pastor, não me envergonho disso. Quando você quer desmerecer uma pessoa, parte para o embate", afirmou. Desde que seu nome começou a ser cogitado para a presidência da CDH, foram lembradas declarações polêmicas dadas nos últimos anos.

No Twitter, em 2011, ele chamou negros de “descendentes amaldiçoados de Noé”. Contra homossexuais, chegou a dizer que “a podridão dos sentimentos dos homoafetivos levam (sic) ao ódio, ao crime, à rejeição. Amamos os homossexuais, mas abominamos suas práticas promíscuas”. Em discurso na Câmara, ele defendeu a limitação de divórcios a um por pessoa, pois, na avaliação dele, “uma família destruída hoje projeta sequelas por toda uma geração”. O deputado diz que a resistência ao seu nome é fruto de perseguição religiosa e de "cristofobia".

Além disso, ele é réu por estelionato em uma ação penal no Supremo Tribunal Federal (STF). Ele rejeita a acusação de ser racista e homofóbico. “Se eu tivesse praticado o crime de racismo, a primeira pessoa a quem eu teria de pedir desculpa é a minha mãe. Ela não tem a pele negra, mas o cabelo é negro, os olhos são negros, a coração é negro. Como eu também sou”, disse ontem, após a eleição da CDH.

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