Novo partido de Marina na busca por deputados

Conversas entre Marina Silva e parlamentares ganhou força na semana passada. Dois deles já demonstraram publicamente a intenção de migrar para a sigla a ser fundada no próximo fim de semana. Outros quatro podem entrar

Além da movimentação nas redes sociais para arregimentar assinaturas e escolher o nome, os apoiadores da ex-senadora Marina Silva também buscam convencer políticos com mandatos a se juntar ao novo partido. Pelo menos seis deputados federais estão em conversas bem adiantadas e têm grandes chances de entrar na sigla assim que ela for formalizada na Justiça Eleitoral.

Alfredo Sirkis: partido, frente, rede: decisão tomada

Pelo menos dois já estão garantidos. Walter Feldman (PSDB-SP), que tem participado ativamente das discussões desde o começo, e Alfredo Sirkis (PV-RJ), que assumiu a intenção de entrar no partido em artigo publicado nesta segunda-feira (11) no Congresso em Foco. Além destes dois, podem se inscrever os deputados Tripoli (PSDB-SP), Reguffe (PDT-DF), Alessandro Molon (PT-RJ) e Domingos Dutra (PT-MA).

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"Muito mais que pela ilusão do partido ideal, a minha decisão passa por uma identificação prática de onde eu possa atuar com maior consequência, de onde me seja mais produtivo e, sim, mais gratificante, atuar. No meu caso, especificamente, penso que é ajudando a construir algo novo", disse Sirkis no artigo. "A frente será o somatório de partidos para viabilizar uma candidatura presidencial que expresse nossas ideias e programas", completou.

Entre os outros quatro, o que tem mais chance de assinar a ficha de filiação é Dutra. Passando dificuldades políticas no Maranhão devido às discordâncias com a cúpula do PT local, o petista considera seriamente a possibilidade. De acordo com pessoas próximas, sua entrada no novo partido está "90% certa". Ele chegou a classificar o PT, sigla que está há 33 anos, de "cobra de duas cabeças" pelo seu apoio à família Sarney no Maranhão.

“Não é fácil sair do PT, estou há 33 anos no partido, nunca coloquei o PT em situação vexatória, mas não dá para continuar. Em 2014, não vou fazer outra greve de fome”, disse o deputado em texto publicado no seu site. O petista chegou a fazer greve de fome em 2010 por causa do apoio do partido à candidatura de Roseana Sarney (PMDB) ao governo do Estado. Ele faz parte de uma ala que é contra a união com o PMDB.

Para diminuir o descontentamento de Dutra, o PT o indicou para a presidência da Comissão de Direitos Humanos (CDH) da Câmara no ano passado. No entanto, a insatisfação do deputado maranhense continuou por causa da aliança local. A briga remonta a 2010, quando o diretório estadual aprovou o apoio à candidatura de Flávio Dino ao governo do Maranhão. porém, a cúpula nacional interveio e obrigou o partido a entrar na chapa de Roseana Sarney.

O tamanho da bancada federal não é importante apenas para o partido se firmar politicamente, mas também financeiramente. Quanto maior o número de representantes na Câmara, mais recursos a sigla recebe do Fundo Partidário. Ano passado foram distribuídos R$ 282 milhões aos 30 partidos políticos brasileiros.

Conversas

Os outros parlamentares citados confirmam as conversas e reconhecem os convites, mas dizem que não decidiram pela permanência nos atuais partidos ou a filiação na agremiação capitaneada por Marina Silva. "Está tendo um forte caráter programático esta conversa com os deputados. Não há busca de parlamentares para dar número", disse Feldman, em entrevista ao Congresso em Foco na sexta-feira (8).

"Eles manifestaram o desejo de se aproximar ou apoiar uma instituição partidária com as características como queremos", disse Feldman. O tucano está no segundo mandato como deputado federal. O primeiro foi entre 2003 e 2007. Depois, em 2011, assumiu a vaga como suplente. Neste intervalo, foi secretário de Esportes da prefeitura de São Paulo.

Feldman lembra que entrar em um novo partido não constitui um drible à legislação eleitoral. Por isso, a conversa tem como linha a concepção de uma nova ideia de política partidária. Em 2007, o Tribunal Superior Eleitoral (TSE) editou a Resolução nº 22.610. A normal estabelece quatro possibilidades para um parlamentar mudar de sigla e não perder o mandato. Uma delas é a entrada em uma nova agremiação política.

A construção do novo partido começa oficialmente no sábado (16). Haverá um encontro em Brasília da Rede Pró-Partido entre 8h e 19h. A Rede Pró-Partido é uma iniciativa que reúne jovens, ambientalistas, trabalhadores, empresários e lideranças políticas e sociais, como a ex-senadora Marina Silva. Com a reunião e a ata dela, a cúpula do novo partido apresenta a documentação com o número mínimo de assinaturas.

No evento de sábado, de acordo com a colunista Mônica Bergamo, da Folha de S. Paulo, uma das estrelas será o senador Eduardo Suplicy (PT-SP). Ele recebeu convite de Marina para participar do ato em Brasília e aceitou. No entanto, Suplicy disse que ainda é cedo para decidir se vai deixar o PT. Caso não seja o escolhido para disputar o Senado em 2014, ele pode migrar para a nova sigla. O processo deve ocorrer em até 30 dias depois da fundação do partido.

Mobilização virtual

De hoje até sábado, a intenção dos apoiadores de Marina Silva pretendem reforçar nas redes sociais a campanha para conseguir o número mínimo de assinaturas. São cerca de 480 mil. A lei de funcionamento dos partidos políticos diz que, para a criação de uma nova legenda, é preciso conseguir pelo menos o apoio de 0,5% dos votos válidos dados na última eleição para a Câmara.

De acordo com Feldman, a intenção é usar a mobilização virtual também para estruturar o manifesto do novo partido, do programa partidário e do estatuto. Além disso, será pelas redes sociais que o nome da agremiação será decidida. Entre as possibilidades, está o Rede. Ele ressalta que a ideia é evitar o "profissionalismo" das atuais siglas e dar um peso maior para a participação da sociedade. "Queremos voltar um pouco ao tempo que um partido é um conjunto de ideias e não conjunto de interesses", afirmou.

Até o momento, Marina Silva, ex-senadora, ex-ministra do Meio Ambiente e candidata à presidência da República em 2010 com 20 milhões de votos, é a maior estrela do partido. Entretanto, a ideia é ter uma estrutura mais horizontal e com maior igualdade de gênero do que as legendas atuais possuem. "É um partido para trabalhar a questão da ética e da sustentabilidade. Um envolvimento doutrinário que é possível reformar a política", completou Feldman.

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