Nos jornais: protestos violentos se espalham e confrontos atingem 13 capitais

Manifestações que levaram mais de 1 milhão de pessoas às ruas em diversas cidades do país tiveram cantos, palavras de ordem, vandalismo, depredações e confrontos com a polícia

Folha de S. Paulo

Protestos violentos se espalham e confrontos atingem 13 capitais

Mesmo após a redução em série das tarifas de ônibus, principal reivindicação dos protestos que tomaram conta do país, novos atos levaram mais de 1 milhão de pessoas às ruas e resultaram numa onda de violência e vandalismo em 13 capitais.

Ocorreram ataques ou tentativas de invasão a órgãos dos Três Poderes em nove cidades. Ações de repúdio a partidos políticos foram recorrentes. Em Brasília, que contabilizou mais de 50 feridos, houve ameaça de invasão ao Palácio do Planalto e ao Congresso, depredação de órgãos como Itamaraty e Banco Central e pichação de outros dois ministérios.

As manifestações atingiram cerca de cem cidades, sendo 25 capitais. Hoje há previsão de atos em cerca de 60. O protesto no Rio reuniu 300 mil pessoas e terminou num grande confronto que se espalhou pelo centro e terminou com mais de 60 feridos.

Hostilizados, petistas abandonam ato pós-redução de tarifa em SP

Militantes de partidos políticos e do MPL (Movimento Passe Livre) foram expulsos ontem do ato marcado para comemorar a revogação do aumento da tarifa em São Paulo. O ato, que começou às 17h15 na avenida Paulista, foi marcado por um forte confronto entre grupos que se diziam "antipartidos" e militantes do PT, PSTU, PSOL e PCO.

Houve empurra-empurra, gritaria e agressões entre os grupos. Bandeiras de partidos foram arrancadas de manifestantes e queimadas. A confusão começou quando militantes do PT chegaram portando bandeiras da sigla. Eles foram recebidos por xingamentos e gritos de "oportunistas" e "mensaleiros".

Dilma cancela viagem ao Japão e marca reunião emergencial

A presidente Dilma Rousseff decidiu cancelar sua viagem ao Japão e a Salvador e convocou reunião de emergência hoje pela manhã com sua equipe para avaliar a situação do país diante da onda de manifestações.

Na reunião, a presidente vai fazer um balanço dos protestos e analisar se faz ou não um pronunciamento em cadeia nacional de rádio e TV.

Dilma determinou que seus principais ministros estejam hoje em Brasília. Guido Mantega (Fazenda), que viajou ontem à noite a São Paulo, também foi chamado e vai retornar pela manhã para seu gabinete na capital do país.

STF libera votação de projeto que beneficia Dilma em 2014

O STF (Supremo Tribunal Federal) decidiu ontem por 7 votos a 3 liberar a votação pelo Congresso do projeto de lei que inibe a criação de partidos no Brasil. Aliados da presidente Dilma Rousseff, que patrocinam a proposta, desistiram de acelerar a votação no Senado e definirão na próxima semana o ritmo da tramitação. A avaliação da base governista é que aprovar o projeto em um momento de generalização de protestos pelo país representaria um risco para o Palácio do Planalto.

Na televisão, Alckmin exalta investimento em transporte

O PSDB de São Paulo exibirá a partir de hoje propaganda publicitária em que o governador Geraldo Alckmin (PSDB) afirma estar fazendo "o maior investimento em transporte público da América Latina".

A peça faz parte de um conjunto de 14 propagandas gravadas pela direção estadual da sigla e irá ao ar dois dias após Alckmin revogar o aumento das tarifas de metrô e trem em São Paulo. O governador disse que terá que "apertar os cintos" para compensar despesas geradas pela redução das passagens.

Comissão de Ética de SP vê 'grave infração' em dupla função de Afif

A Comissão Geral de Ética do governo paulista apontou ontem "grave infração ética" no fato de o vice-governador do Estado, Guilherme Afif Domingos (PSD), acumular o cargo com o de ministro da Micro e Pequena Empresa na administração federal.

A decisão, que tem caráter apenas consultivo, será encaminhada para o Ministério Público Estadual e para a Assembleia Legislativa, onde há um pedido para que seja decretada a perda do cargo de vice-governador.

Coordenadora nega crise na Comissão da Verdade

A coordenadora da Comissão Nacional da Verdade, Rosa Cardoso da Cunha, reconheceu que há divergências internas no colegiado, mas afirma que elas ajudam o grupo a avançar. "A democracia é um regime que entende a diferença, a discussão e a divergência como elementos geradores de avanços teóricos e políticos", disse em entrevista à Folha.

Rosa procurou minimizar a crise que culminou na renúncia do ex-procurador-geral da República Cláudio Fonteles do colegiado. Na segunda-feira, Fonteles anunciou que deixará seu cargo na comissão, que investiga violações de direitos humanos ocorridas de 1946 a 1988.

Ativista ironiza projeto que oferece 'cura gay' e diz que vai se aposentar

O projeto de lei que permite a psicólogos tratar a homossexualidade como doença, aprovado anteontem pela Comissão de Direitos Humanos (CDH) da Câmara, abriu o caminho para que gays e lésbicas peçam aposentadoria por invalidez, na avaliação de ativistas.

"Se somos doentes, somos inválidos. Logo, temos que nos aposentar", ironiza Toni Reis, 49, diretor-executivo do grupo Dignidade, de apoio a homossexuais.

Desvalorização do real é a maior entre as principais moedas do mundo

Os mercados globais sofreram ontem um dos piores tombos dos últimos dois anos, ainda refletindo os efeitos na véspera da indicação do BC dos EUA (Fed) de que a era do dinheiro barato está chegando ao fim.

No Brasil, o câmbio foi o principal afetado. Mesmo após intervenções do BC que somaram US$ 6 bilhões, o dólar subiu 3,42%, a maior alta desde setembro de 2011. A moeda foi a R$ 2,252, maior valor desde abril de 2009.

O Globo

O Brasil nas ruas: sem controle

Depois de terem conseguido os primeiros resultados concretos, com a redução de tarifas de ônibus em várias capitais, os protestos que tomaram conta das ruas do país tiveram ontem o seu dia mais violento, marcado por confrontos em pelo menos dez cidades. Em Brasília, manifestantes atearam fogo às janelas do Itamaraty e tentaram invadir o prédio: 39 pessoas saíram feridas. No Rio, a caminhada pacífica, com 300 mil pessoas, foi interrompida pela ação de radicais que tentaram invadir a sede da prefeitura. Houve, na sequência, depredação de prédios públicos, pontos de ônibus e sinais de trânsito, saques e focos , de incêndio.

Em São Paulo, onde surgiu o Movimento Passe Livre, a manifestação, com 100 mil pessoas, foi pacífica na maior parte do tempo. O MPL se retirou do ato, informando que não assumiria novas reivindicações diante da ação de grupos radicais. Em Campinas, a prefeitura foi apedrejada, e houve confronto com a PM. Em Ribeirão Preto, 12 pessoas foram atropeladas durante o ato, e um jovem de 18 anos morreu. Em várias capitais, houve rejeição aberta a integrantes de partidos políticos. Os que tentaram entrar nas manifestações foram expulsos. A presidente Dilma adiou viagem ao Japão e convocou reunião de emergência para hoje. Em sua proteção, o Exército cercou o Palácio.

Manifestação no Rio reúne 300 mil e acaba em confusão generalizada

Com uma multidão estimada em 300 mil pessoas, o protesto no Rio - já sem a bandeira da redução da tarifa das passagens - começou de forma pacífica, mas as tentativas de grupos isolados de criar confusão acabaram, ao final, transformando a manifestação num grande campo de batalha. Se as estimativas da Coppe/UFRJ eram de 300 mil pessoas, os organizadores falaram em 1 milhão de manifestantes, que ocuparam toda a Avenida Presidente Vargas. O ponto de maior tensão foi o entorno da sede da prefeitura do Rio, para onde foi deslocado um grande efetivo de homens das polícias Civil e Militar. A ordem era não deixar os manifestantes passarem daquele ponto, a fim de evitar uma tentativa de invasão do prédio, onde fica o gabinete do prefeito Eduardo Paes.

Vândalos atacam e depredam Itamaraty

Na maior manifestação realizada na capital federal desde o início da onda de protestos, cerca de 30 mil pessoas, pelos cálculos da Polícia Militar, ocuparam a Esplanada dos Ministérios, ontem, num ato que só não terminou em invasão e depredação do Palácio do Itamaraty, sede do Ministério das Relações Exteriores, por conta da reação da PM. No protesto, jogaram pedras, cones e garrafas, quebraram vidros, e um rojão explodiu dentro do prédio do ministério. Um grupo tentou atear fogo nas janelas do prédio. Três pessoas foram presas.

Congresso chegou a se preparar para invasão

O Congresso se preparou para um cenário de guerra ontem e temia até mesmo uma invasão. A fim de enfrentar as manifestações, foi traçado um perímetro especial em torno do prédio, que foi literalmente envolvido e protegido por um cerco de policiais. O Poder Legislativo restringiu o acesso, para evitar invasões, e aumentou a segurança nas principais entradas.

No acesso principal do Congresso e nos salões Nobre e Negro, estava permitida a entrada apenas de parlamentares e assessores. As visitas foram canceladas. No caso da Câmara, o efetivo de segurança foi dobrado e todo o efetivo de 223 seguranças foi mobilizado, segundo a assessoria da Casa. A Polícia Legislativa da Câmara transitava nos corredores com capacetes e coletes de proteção. No Palácio do Planalto não foi diferente. O Batalhão do Exército ficou de prontidão para evitar invasão ao prédio.

Manifestações crescem em estádios

Quem achava que a Copa das Confederações e as manifestações populares que têm tomado as ruas jogavam em times diferente percebeu ontem que não precisa ser assim. Diferentemente do primeiro jogo da competição no Maracanã, entre Itália e México, quando os manifestantes foram mantidos do lado de fora, o que se viu ontem foram cartazes em diversos pontos do estádio, inspirando gritos de "O povo unido jamais será vencido" e coro para o Hino Nacional.

As manifestações começaram na metade do segundo tempo. Num primeiro momento, os seguranças do estádio tentaram tomar os cartazes e foram vaiados pela torcida, o que levou ao coro de "O Maraca é nosso". Com a arquibancada falando mais alto, vários outros cartazes foram mostrados, e até o tradicional canto de "Eu sou brasileiro, com muito orgulho, com muito amor", comum em jogos de seleção, ganhou novo brilho.

Collor cita protestos para defender projeto

Alvo de protestos dos caras-pintadas em 1992, em favor do seu impeachment, o ex-presidente e hoje senador Fernando Collor (PTB-AL) não se esquivou de citar o atual movimento popular, em discurso ontem, quando apresentou projeto sobre vale-transporte, para favorecer o trabalhador que tem protestado contra o aumento das tarifas de transporte público. Outro alvo de críticas dos manifestantes, o presidente do Senado, Renan Calheiros (PMDB-RN), também apoiou o movimento e até recebeu alguns líderes do movimento. O Congresso montou um verdadeiro esquema de guerra para proteger as instalações e evitar a invasão do prédio.

SP: partidos hostilizados em protesto pacífico

A manifestação para comemorar a redução da tarifa do transporte coletivo ontem em São Paulo, embora pacífica, foi marcada por hostilização e protesto contra partidos políticos. A maior ofensiva se deu contra o PT, mas PSOL, PSTU e PCO e movimentos sociais como MST, CUT e UNE também foram alvo de provocação ao longo de toda a passeata, que reuniu cerca de 30 mil pessoas na Avenida Paulista. Houve briga entre militantes partidários e manifestantes, bate-bocas e xingamentos.

MPL sai de protesto e não levanta bandeiras

Com a manifestação contra a reajuste da tarifa do transporte coletivo transformada em protesto contra partidos políticos e outras causas que se impuseram ao longo das duas últimas semanas, o Movimento Passe Livre (MPL) abandonou ontem o protesto na Avenida Paulista, antes do final, da mesma forma que os movimentos sociais.

Ataque a partidos preocupa

Rechaçados por manifestantes em todo o país, os partidos políticos, mesmo com todos os defeitos, são considerados peças-chave da democracia e, sem eles, não há como governar nem avançar em políticas públicas. O diagnóstico é de cientistas políticos ouvidos ontem pelo GLOBO sobre as manifestações de rua e seu caráter apartidário. Ainda surpresos com a magnitude dos protestos, eles reconhecem que a presença de multidões nas ruas deixará marcas e já rendeu frutos, como a redução das tarifas de ônibus, mas apostam que o movimento não terá fôlego para seguir adiante por muito mais tempo.

Bom humor dá lugar a revolta na internet

Nas redes sociais, o dia começou com muito humor e espírito cívico: os brasileiros chamaram as pessoas para ir às ruas reivindicar um "transporte público padrão Fifa", como dizia uma montagem bastante compartilhada. Entretanto, ao cair da noite, a revolta com os atos de vandalismo tomou conta dos internautas. "Terreirão" e "Itamaraty" foram dois dos termos que figuraram nos Trending Topics (assuntos mais falados) do Twitter.

PT se irrita com ação de Haddad ao lado de tucanos

Quando o prefeito do Rio, Eduardo Paes (PMDB), telefonou, na tarde de anteontem, para São Paulo e informou que anunciaria, ainda naquele dia, a revogação do reajuste da tarifa do transporte público no Rio, o prefeito paulistano Fernando Haddad (PT) viu ruir a sua última esperança de manter a passagem de ônibus em R$ 3,20 na capital paulista. Isolado e pressionado por líderes do PT, preocupadas com eventuais abalos à imagem da presidente Dilma Rousseff, diante da dimensão que tomou a causa dos estudantes no país, Haddad combinou com o governador Geraldo Alckmin (PSDB) uma "rendição" conjunta.

Manifestações fazem Dilma cancelar viagem ao Japão

Com a crescente onda de protestos pelo país e num sinal claro de que o movimento popular é motivo de grande preocupação no governo, a presidente Dilma Rousseff alterou sua agenda de viagens dos próximos dias, cancelando visitas ao Japão e a Salvador (BA), para acompanhar a situação de perto, do Planalto. Para hoje, a presidente convocou uma reunião, marcada para às 9h30m, com vários ministros, tendo à frente o da Justiça, José Eduardo Cardozo, para analisar a situação e determinar providências de governo, principalmente para conter a onda de violência. Ontem à noite, com as manifestações crescendo país afora e ameaçando chegar às portas da Presidência, aumentou a preocupação no meio político, com especulações de que Dilma poderá convocar cadeia nacional de rádio e televisão para falar ao povo.

STF autoriza Congresso a votar proposta que inibe a criação de partidos

O Supremo Tribunal Federal (STF) autorizou ontem o Congresso Nacional a retomar a votação do projeto de lei que inibe a criação de novos partidos. O andamento estava suspenso no Senado desde abril, por liminar do ministro Gilmar Mendes, que considera a proposta casuística e com força para desequilibrar as eleições de 2014. Por sete votos a três, os ministros entenderam que o projeto deve ter a votação concluída, mas agora, diante do clima de descontentamento geral da população manifestado nos protestos de rua, os defensores da proposta no Senado, cautelosos, vão deixá-la na gaveta. O projeto foi patrocinado por PT e PMDB.

O Estado de S. Paulo

Mais de 1 milhão vai às ruas no País; violência marca protestos

Mesmo após a redução das tarifas de transporte público em 12 capitais e em dezenas de municípios, novas manifestações levaram ontem mais de 1 milhão de pessoas às ruas de 75 cidades do País. A violência marcou os protestos em diversos pontos. Uma pessoa morreu atropelada em Ribeirão Preto (SP). Em Brasília houve tentativa de invasão do Palácio do Itamaraty. Manifestantes se aglomeraram na rampa de acesso e tentaram invadir o edifício, mas foram contidos pela polícia. Em São Paulo, protestos tiveram incidentes entre manifestantes e militantes do PT, convocados para uma “onda vermelha”, que fracassou. Cinco rodovias no entorno da capital foram bloqueadas. No Rio, confrontos deixaram 22 feridos. Em Porto Alegre houve saques a estabelecimentos comerciais. Em Salvador, manifestantes e Tropa de Choque entraram em confronto. Nas redes sociais, novas bandeiras eram discutidas. Em meio às reivindicações sociais e políticas, se destacou um slogan: “Sem partidos”.

Dilma cancela viagens e monta pacote para jovens

Diante do clima de instabilidade vivido pelo País por causa das grandes manifestações de jovens e praticamente sitiada no Palácio do Planalto, que teve de ser protegido pelo Exército, a presidente Dilma Rousseff viu-se ontem obrigada a enquadrar a direção nacional do PT, que estimulou militantes a se unirem  aos protestos das ruas, costurou com urgência um pacote  para a juventude e cancelou  as viagens que faria para Salvador, hoje, e para o Japão, na semana que vem.

Diante do clima político tenso e confuso, Dilma irritou-se e censurou a atitude do presidente do PT, Rui Falcão, que conclamado os militantes do partido, por meio do microblog Twitter, para uma passeata liderada pelo Movimento Passe Livre, na Avenida Paulista, Falcão tinha convocado petistas para as manifestações de ontem em. comemoração à redução nos preços das passagens de ônibus, mas recuou e retirou a hashtag “#ondavermelha” no seu perfil do Twitter.

‘PT não deu atenção a essa nova forma de movimentos sociais’

À despeito de sua origem, o PT não foi capaz de assimilar novos movimentos sociais que surgem no País a partir das conexões virtuais e redes sociais, um ato completamente desconectado das esferas formais sobre as quais 0 partido exercia certo  domínio, como centrais sindicais, MST, movimentos de moradia, entre outros. Um claro  mea culpa e alerta foi feito ontem pelo presidente do PT de j São Paulo, Edison Silva, em texto divulgado a dirigentes e políticos do partido.

O  PT, segundo 0 dirigente, precisa encontrar logo uma agenda, sobretudo à juventude, para dialogar com esses movimentos que surgem. "A juventude não se satisfaz mais com ganhos materiais. Temos que construir uma agenda que dialogo com essa manifestação, inspirada na rebeldia, legítima."

Rio: Confrontos deixam ao menos 22 feridos

Protesto reuniu 300 mil e confronto deixou 22 feridos. Um repórter foi atingido por bala de borracha.

Câmara articula barrar PEC do MP e ‘cura gay’

Parlamentares discutirão projetos que agradam aos manifestantes, como a PEC 37 - proposta de emenda que limita o poder de investigação criminal do Ministério Público - e o chamado projeto da “cura gay”.

BC intervém, mas dólar sobe 2,45% e fecha a R$2,259

Três intervenções feitas ontem pelo Banco Central não foram suficientes para conter uma alta de 2,45% do dólar, que fechou a R$ 2,259. A indicação do Fed de que iniciará a retirada dos estímulos fiscais provocou uma forte saída dos investidores dos mercados emergentes.

STF libera discussão sobre mais partidos

Após quatro sessões plenárias,  o Supremo Tribunal Federal concluiu ontem o julgamento que liberou o Congreso Nacional para analisar e votar o projeto de lei que inibe a  criação de novos partidos. Por sete votos a três, o plenário do Supremo derrubou a liminar de Gilmar Mendes que em abril paralisou a tramitação do projeto, já aprovado na Câmara.

Á sessão de ontem foi marcada por uma discussão entre Gilmar Mendes e o ministro Luiz Fux, que divergiram sobre a possibilidade de o STF fazer o controle prévio de projetos em discussão no Legislativo. Fux reagiu após Gilmar Mendes ter dito que havia uma "ignorância" em relação à jurisprudência da Corte que, segundo ele, autoriza o  Supremo a interromper a tramitação de projetos de lei inconstitucionais. Fux afirmou que exis-; tia uma "falta de tolerância" com posições contrárias.

Juventude do PSDB critica e depois elogia população nas ruas

Pouco mais depois de emitir uma nota contrária às manifestações que se espalham pelas ruas de todo o País, a Juventude do PSDB, seção da Capital, divulgou na madrugada de ontem mensagem em que dá os parabéns “à população que tomou as ruas, pela vitória”.

A mensagem anterior, divulgada na noite de segunda-feira, enfatizava que a JPSDB “não participará deste manifesto em virtude de acreditarmos que o mesmo tenha se transformado em movimento político onde um dos intuitos é de enfraquecer o governo do Estado de São Paulo”. Os jovens tucanos afirmavam ainda que o movimento  “não pode compactuar com os  excessos que causaram depredações e agressões” e advertiam que os manifestantes que se apresentassem em nome da PSDB não os representavam.

Correio Braziliense

Um gigante fora de controle

Mais de 1,4 milhão de brasileiros saíram às ruas em 111 cidades, numa das maiores manifestações da história do Brasil. Embora a maioria dos protestos tenham sido pacíficos, houve ataques ao patrimônio, saques, acidentes e confrontos com policiais em pelo menos quatro capitais. Em Brasília, 35 mil pessoas ocupavam a Esplanada dos Ministérios sem maiores incidentes até que um pequeno grupo tentou invadir o Itamaraty, apedrejou a Catedral e destruiu equipamentos urbanos. A presidente Dilma convocou uma reunião ministerial de emergência para discutir a crise.

Brasília: Com rosto coberto e armados de paus, jovens atearam fogo à fachada do Itamaraty, quebraram vidraças, entraram pela portaria lateral e picharam paredes internas. Mais tarde, na descida para a Rodoviária, atiraram pedras na Catedral e fizeram fogueiras com o que encontravam pela frente. No fim da noite, o saldo era de 127 feridos.

Onda vermelha morre na praia

Deu errado a tática dos partidos de esquerda e dos movimentos sociais de se infiltrarem nas manifestações realizadas ontem em pelo menos 117 municípios brasileiros. Em São Paulo, tão logo militantes do PT e sindicalistas da CUT chegaram à Avenida Paulista, foram cercados e hostilizados. "Sem partido, sem partido!", gritavam os presentes. "Fascismo, fascismo", respondiam os petistas. "O PT é oportunista", devolviam os manifestantes. "Queremos democracia", retrucavam os militantes do PT. Ficaram isolados. Houve empurra-empurra e um jovem deixou o local ferido na cabeça, sangrando muito.

Sem reação, Dilma reúne ministros

A presidente Dilma Rousseff passou a quinta-feira no Palácio do Planalto, cancelou os compromissos fora de Brasília para acompanhar da capital federal as movimentações em todo o país e, à noite, ordenou que nenhum ministro deixasse a capital federal. Em reunião com assessores, ela avaliava a possibilidade de fazer um pronunciamento oficial em cadeia nacional de rádio e televisão — a Secretaria de Imprensa da Presidência (SIP), entretanto, negou que ela tenha discutido essa hipótese.

Centro do poder federal sitiado

As cenas de vandalismo no Itamaraty não se repetiram nos edifícios sede dos Três Poderes graças ao forte esquema de segurança montado logo cedo para evitar o acesso de manifestantes tanto no Congresso quanto no Palácio do Planalto e no Supremo Tribunal Federal. A Polícia Militar deslocou ônibus para os prédios, que ficaram sitiados durante todo o período de protestos na Esplanada dos Ministérios. Em nenhum momento, os manifestantes ameaçaram descer para a Praça dos Três Poderes. Uma barreira policial foi montada na altura da descida do Congresso, o que impediu o grupo de acessar os arredores das sedes do Judiciário e do Executivo federal.

Revolta em rede

Na maior série de protestos feitos em um único dia, desde as campanhas pelas eleições Diretas Já, em 1984, cerca de 1,4 milhão de brasileiros foram às ruas de pelo menos 109 cidades, em quase todos os estados dos país, ontem. Apesar de a maioria dos atos terem sido pacífica, em muitos municípios as manifestações foram marcadas por confusão no fim da noite. Houve pichações, incêndios, saques e agressões. Pelo menos uma pessoa morreu, por atropelamento, em Ribeirão Preto (SP). Para dispersar a multidão, as polícias estaduais e municipais usaram gás lacrimogêneo, spray de pimenta e balas de borracha.

Em Brasília, a insatisfação do país

As tarifas de ônibus caíram no Rio de Janeiro, em São Paulo e em dezenas cidades brasileiras, mas as manifestações não cessaram país afora. Pelo contrário, vêm ganhando cada vez mais as ruas e descambando para o lado do vandalismo. O que começou, na semana passada, com um protesto contra o aumento nas passagens do transporte público da capital paulista se expandiu para uma revolta generalizada, com diversas bandeiras e motivos de reclamações.

Manifesto ao governo

Na tentativa de entender a complexidade dos movimentos sociais, o secretário executivo da Secretaria-Geral da Presidência, Diogo Sant"ana, se reuniu, na tarde de ontem, com um pequeno grupo de manifestantes. Com uma carta endereçada à presidente Dilma Rousseff, os advogados Francisco de Paiva e Kayo Leite elencaram oito motivações para os protestos. Eles pediram uma reunião maior, com representantes de outros núcleos, e Diogo ficou de avaliar a possibilidade.

As fogueiras da Esplanada

O Brasil viveu ontem a maior onda de protestos simultâneos da história do país. Cerca de 1,4 milhão de pessoas em aproximadamente 109 cidades brasileiras foram às ruas em mais um dia de manifestações generalizadas, número só comparado às Diretas Já, quando os brasileiros lutaram pelo direito de votar para a presidente. Em São Paulo e no Rio de Janeiro, um dia após a redução na tarifa do transporte público, 100 mil e 300 mil pessoas, respectivamente, lotaram as avenidas. A capital federal ardeu com 35 mil pessoas ocupando a Esplanada dos Ministérios — parte delas entrando em confronto com a polícia na frente do Congresso Nacional e tentando invadir o Palácio do Itamaraty, quebrando, inclusive, uma das vidraças do histórico prédio desenhado por Oscar Niemeyer. O balanço final registrou 127 feridos.

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